Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Ruas de terra, onde o asfalto se encerra.
E dai pra frente é grande a sequela,
Mas não me estressa, paciência tenho a beça.
Seu tempo seu espaço, veja e maça.
Ruas de terra, era terra de ninguém.
Forasteiro, grileiro, prejudicou alguém.
Terra não tem, escritura não vem.
Em nome da justiça a tia diz amém.
Ruas de terra, onde se desce a serra.
Criançada no frevo logo se alegra.
Da risada, corre pra lá e pra cá.
E quando chove fica melhor de brincar.
Se esquece de tudo, se esquece da vida.
Criança feliz é criança sadia.
Tem gente que vem, tem gente que vai.
De chinelo no pé, esbanjando a paz.
Ruas de terra sempre tem algo a dizer.
Por aqui, sim, aprendi a viver.
Veja você que o bagulho é mil grau.
Ruas de terra, terra na rede mundial.
Nunca deixei de crer no ultimo suspirar de uma esperança.
Onde a semente é lançada, seja na terra mais seca e assolada, permanecerá viva aguardando o gotejar de um orvalho para brotar novamente.
>>> Nos velhos tempos havia uma terra onde os filhos costumavam levar os pais velhos, que já não podiam trabalhar, para cima dum monte, onde ficavam sozinhos, para morrer a mingua. Certa vez ia um moço do lugar levando o velho pai às costas, para abandoná-lo. Chegando ao ponto em que ia deixar o ancião, colocou-o no chão e deu-lhe uma manta para que se abrigasse do frio até a hora da morte. E o velho perguntou:
- Tens por acaso uma faca contigo?
- Tenho, sim, senhor. Para que a quer?
- Para que cortes à meio esta manta que me estás dando.
Guarda a outra para ti, quando teu filho te trouxer para este lugar.
O moço ficou pensativo. Tomou de novo o pai às costas e voltou com ele para casa, fazendo, assim, com que o horrível costume desaparecesse para sempre.
Moral da fábula: Filho és pai serás; como fizeres, assim acharás.
Passado e futuro...
Uma vez eu enterrei o meu passado, na terra onde fora enterrado nasceu uma flor.
Uma flor que me trouxe recordações e saudade.
Pensando então, em deixá-lo retornar a minha vida, arranquei a flor para ver se coloria a janela do meu quarto...
Não pensei, que ao tirá-la da terra eu a mataria, e nesse devaneio aos poucos ela foi morrendo.
Primeiro caiu a pétala da esperança, depois a do respeito;
Depois a da confiança, a da admiração e por fim a do amor...
Meu passado então se desintregou..
Chorei em cima das pétalas caídas, pensei que ali encerraria minha vida...
Enganei-me novamente, acabei encontrando o futuro, que não me ofereceu apenas uma flor, mas o jardim inteiro.
Nos velhos tempos havia uma terra onde os filhos costumavam levar os pais velhos, que já não podiam trabalhar, para cima dum monte, onde ficavam sozinhos, para morrer a mingua. Certa vez ia um moço do lugar levando o velho pai às costas, para abandoná-lo. Chegando ao ponto em que ia deixar o ancião, colocou-o no chão e deu-lhe uma manta para que se abrigasse do frio até a hora da morte. E o velho perguntou:
- Tens por acaso uma faca contigo?
- Tenho, sim, senhor. Para que a quer?
- Para que cortes à meio esta manta que me estás dando.
Guarda a outra para ti, quando teu filho te trouxer para este lugar.
O moço ficou pensativo. Tomou de novo o pai às costas e voltou com ele para casa, fazendo, assim, com que o horrível costume desaparecesse para sempre.
***Filho és pai serás; como fizeres, assim acharás.***
Olho em tudo
E sempre encontro a Ti,
Estás no céu, na terra, onde for,
Em tudo que me acontece
Encontro o Teu poder,
Já não se pode mais
Deixar de crer no Teu amor.
É impossível não crer em Ti,
É impossível não Te encontrar,
É impossível não fazer de Ti meu ideal.
A terra é uma névoa sombria,
ofuscada em gotas de dor,
onde só um caminho alumia:
O perfumado pelo amor.
DEUS É O TUDO DE NADA OU O NADA DE TUDO?
Em uma terra totalmente devastada pelo nada,
Onde exatamente nada faz sentido,
Vivemos a procura de tudo que nada existe.
Enquanto o tudo se resume em nada
O nada nada mais é
do que tudo que se tem
Vidas vazias sem nada a acrescentar,
vivem vagando sobre o nada
sem perceber que nada sabem do nada
Na oculta ilusão de tudo nada saber,
mas com a certeza do que o nada é o tudo que se sabe,
achamos que o nada é tudo
Que detemos o universo
E que o universo nada detém,
inclusive não nos detém
Nas preposições do nada
Sinto apenas o vazio
que transformou em nada
o que para mim era tudo
O nada perde a razão de tudo
Derrepente eu que achava que minha vida possuia tudo
descubro que tudo é o nada
E que minha vida nada mais é do que nada
Seria o nada uma fatalidade?
Seria o nada o preço que pagamos
por achamos que somos tudo?
Diante do nada, percebo uma alma,
Inteiramente vazia de tudo, a minha
percebo que posso apenas agora
que estou vazia de tudo me encher de Deus
Somente agora tudo faz sentido
Pois somente agora descubro que tudo que tenho
sempre foi o nada que permeou minha vida
e o que antes era nada de tudo
agora é tudo de Deus.
Eu vim de um lugar onde eu pensei que lá era o melhor lugar de todos, ai eu vim para terra e agora eu tenho certeza.
de uma tribo quando a tribo era uma só.
de um tempo onde o tempo não era tempo.
de uma terra onde a terra era a mãe, a casa, a vida que em nós ainda habita.
relutante, escondida, rebelde.
LIBERDADE
Liberdade é amar
Entre a terra e o céu numa gratidão
Infinita onde o canto torna-se
Eterno em um pequeno passarinho.
Chapéu de couro!
Nossa terra vale ouro
onde Deus está presente
o trabalho é duradouro
mas o vaqueiro é valente
corre, cuida, pega o touro
e só tira o chapéu de couro
em respeito a nossa gente.
A terra boa é aquela que semeia obras divinas por onde percorrer. Mesmo em terras áridas, todo dia é dia de graça.
Lembranças.
O cheiro da terra me faz lembrar o quanto sou pequeno, o quanto sou dependente, de onde vim e pra onde vou.
O cheiro da terra me faz lembrar a infância, onde as brincadeiras eram como ilusões reais que me prendiam.
O cheiro da terra me faz lembrar a chuva que ao encontrar a terra faz com que seu perfume seja exalado por todo lado.
O cheiro da terra me trás lembranças que eu não quero esquecer. Vejo o jardim da minha casa pela janela da sala recebendo a chuva de verão ao entardecer, as flores com suas pétalas encharcadas e o vento que força suas raízes como se estivesse provando suas forças naquele momento espetacular.
Lembro minha infância, que por muito sem esperança, delata meus pensamentos em meio à beleza da natureza.
Nordeste.
Sou da terra de Suassuna
onde reina essa beleza
aqui o trabalho é a coluna
que bota a comida na mesa
e a nossa maior fortuna
é conviver com a natureza.
