Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Em suas orações, nunca peça para a espiritualidade te devolver de onde ela te tirou. Seus pedidos ressoam para o universo como magnetismo fundamentado no livre arbítrio e, por isso, você poderá ser atendido, não porque era do seu merecimento, mas como lição sobre humildade e dissolvimento do ego. É possível que você sofra, como forma de aprendizado, por não entender os sinais espirituais em sua vida. Quando um ciclo se fecha, pense em outros caminhos para não retornar a energia que um dia lhe roubou a alma, a vida e a felicidade.
Onde muito se lê filantropia, tenha cuidado: São enormes as chances de se ter que ler pilantropia. E quando alguma campanha espalhafatosa e massificada se diz em prol de crianças carentes, procure discernir bem os discursos das práticas: É quase certo que os alvos não sejam crianças nem carentes, mas, adultos parentes.
Onde não há espaços culturais nem para entretenimento sadio, proliferam "batidões" idiotas que saem dos capus de carros encostados nas praças, ou estranhos templos religiosos que, no fundo, funcionam mais como clubes ou cristotecas que "dão uma força" pra ignorância popular e enriquecem líderes de festim.
CIDADE SEM HONRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A cidade onde vivo perdeu todo brio;
há um vulto sombrio sobre os nossos olhos;
um temor, uma fuga, um sonhar escondido
pra ninguém acordar e perceber-se gente...
Os algozes do povo comemoram dias
de fartura extraída em estoques alheios;
burlam nossos direitos, roubam nossos sonhos,
com a velha magia da doce mentira...
Nossa honra se cala, se deixa ruir,
não responde, não grita, não expõe seu basta;
quando pode ser livre refaz a senzala...
Os ladrões da cidade nos tomam de nós,
nosso veto recua no dia do voto
e da voz que mastiga nossa liberdade...
VÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Há um vão
para onde todos vão...
Vai-se a brasa,
ficam casas, automóveis,
contas, câmbios e prestígios...
cinza e carvão.
Há um vão,
ninguém vai dizer que não...
Vai-se a chama,
ficam famas, nomeações,
convenções, troféus, comendas...
é sempre assim.
Será vão
desejar começo e meio,
mas querer também o freio...
lá no fim.
Lá no vão.
FILHOS AMADOS... APENAS AMADOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Em uma sociedade onde ninguém conhece totalmente ninguém, havemos de confiar, ter carinho e apostar a própria vida na confiança em alguém. A própria vida. Não a de um filho; de uma filha. Um ser em formação que não saberá se defender, caso a pessoa em questão não seja quem generosamente julgamos. E qualquer pessoa com bom discernimento sabe que as grandes decepções, seguidas de atos como agressão doméstica e violação vêm exatamente de pessoas acima de qualquer suspeita, pois as pessoas que não estão neste patamar já são evitadas naturalmente. Ninguém confia.
É humanamente e legalmente inviável temer um pai, a menos que esse pai tenha dado algum sinal de perversidade ou apresente um histórico, mesmo fora de casa, de atitudes como essas. Mas um padrasto, não. Nenhuma mãe consciente de seu dever como tal, tanto quanto dotada realmente de amor deixará sua filha menor, nem mesmo o filho, aos cuidados desse padrasto, a menos que ele seja mesmo um pai, por adoção, e tenha motivos fundamentados para se sentir assim. Motivos como o de criar essa criança desde recém-nascida, com amor extremado e nenhum sinal, por mínimo que seja, dessas patologias que geram tanto sofrimento. Afora isto ele mesmo, se tiver consciência e for uma pessoa não suspeita, não aceitará que sua mulher ou companheira lhe diga: "fulano, fique aqui com (...), enquanto eu resolvo umas coisas.". Ele declinará. Dirá que não fica, que isso não é certo, e não terá medo de sua esposa se chatear e brigar com ele. Se tiver esse medo, eis um motivo a mais para se supor que não tenha uma boa índole. Pior ainda, se ele cobrar da esposa essa confiança, demonstrando ainda que veladamente, que deseja ficar a sós com a criança em questão.
Pode ser que a pessoa em que confiamos seja mesmo de confiança quase total; 99 porcento, por exemplo, como nenhum ser humano é totalmente confiável, mas... e aí? Vamos deixar os nossos filhos expostos, ainda que às chances mínimas de 1 porcento, de lhes acontecer algo danoso dentro de casa? Não. Uma pessoa que ama de todo o coração não fará isto. Só mesmo aquela mulher sem o verdadeiro instinto materno, e que apenas depois da tragédia irá dizer aos quatro ventos: "Meus Deus! Nunca imaginei uma coisa dessas! Confiava tanto nele!". Não haverá desculpa para tal mãe. Ela terá apostado a vida de um ser indefeso, por uma confiança que só era sua; não dele. Não teve olhos para as possibilidades, mesmo longínquas, do mal que poderia fazer.
Temos que ter a capacidade de optar entre a falta e o excesso de cuidados, nesta sociedade onde a falta, mesmo que mínima, pode cair nas malhas da tragédia. Será mais feliz a mãe que apostar no excesso de cuidados, pois terá fechado todas as portas para qualquer mal contra seu filho ou filha. Se muitos cuidados serão desnecessários, ela nunca saberá quais, ou até mesmo se todos foram. E se algum cuidado será de fato necessário, ela o terá tido na hora certa, mesmo sem saber, porque sua hora será qualquer hora. Já aquela que resolver pecar pela falta, quiçá pelo meio termo, correrá o risco de proteger seu rebento nas horas desnecessárias e não conseguir fazê-lo nas necessárias, também por não adivinhar.
No fim das contas, a máxima desta questão: preocupe-se com seu filho ou sua filha. mais do que isso: ame. Pelo simples fato de amar, você terá olhos atentos e atitudes zelosas com quem precisa de sua proteção a todo custo e a qualquer hora. Lembre-se de que filhos apenas mimados pelo nosso excesso de zelo terão chances de amadurecer, ainda que um pouco mais tarde, e mudar... já os filhos largados ou criados sem esse zelo, poderão se tornar facínoras... e facínoras, muito dificilmente se recuperam, além de quase sempre morrerem muito cedo. Pensem nisso.
SONHO GUARDADO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Há um mundo melhor, que não sei onde fica;
Pode ser aqui dentro, pode ser lá fora,
Numa hora escondida no tempo e no espaço,
Na magia dos olhos que desejam vê-lo...
Meu olhar pede as asas que um perdeu
Porque vi tanta coisa e por isso cresci;
Conheci tantos becos e túneis sombrios,
Que deixei minha vida se desencantar...
Mas o mundo melhor sempre deu seus sinais;
Tem um cais escondido em qualquer dimensão
Entre minha emoção e o espaço em redor...
Sou a única nave que pode alcançar
Esse ponto no ar, talvez fundo em meu breu,
Pois o sonho é só meu; ninguém sonha por mim...
POR UM MUNDO MELHOR
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Há um mundo melhor onde as pessoas
dão lugar, auxiliam, facilitam;
não amarram, não turvam nem delongam
ou incitam tensões desnecessárias....
Tenha boa vontade, se permita
Sem o peso das vãs burocracias,
dessas vias de acessos conturbados
e destinos feridos de má fé...
Uma vida mais leve não tem cruz,
quem a leva sem fúria e sem rancor
faz a dor não fazer profundo estrago...
A verdade não tem que ser espinho
nem ser guerra, o caminho mais doente;
quando a gente complica o mundo emperra...
FÉ NO MEDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou estampa fiel de quem não sou,
onde sei que preciso ter escudo;
vejo tudo ruir ao meu redor
ou alguma tocaia ser erguida...
Sigo pé ante pé, com fé no medo,
pois o medo prudente me preserva,
faz abrir o segredo e ver por dentro
minha chance de achar um horizonte...
Faço cara de mau pro mal que faz
uma cara de bem que não convence,
porque sinto que algo não é bom...
É um dom de conter a dor futura;
quando ponho dureza no que sou,
sou apenas legítima defesa...
PROMISSÓRIA DO MUNDO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Uma voz me convoca pra onde não sei,
cada dia mais perto baforeja n´alma;
feito lei que se cumpre com termo de busca;
faz arresto e me cobra os impostos do tempo...
É a voz da ciência do que já vivi
ou dos passos que o mundo permitiu aos pés,
do que vi desta vida e fiz dos meus caminhos
e me dei de presente para ter futuro...
Lentamente o passado processa meu ser,
porque ser o que fui com tal fome voraz
o feriu tão a fundo pela consistência...
Promissória do mundo estendida sem dó;
uma só dentre as notas desta não canção
do silêncio da voz que fala e cala em mim...
CHURRASCO
Demétrio Sena - Magé
Onde as vítimas amam seus verdugos,
vejo tempos difíceis de aceitar;
não há como inventar uma esperança,
quando nada sugere a primavera...
Quero muito blindar os meus afetos
ou brindar à magia de viver,
mas os vetos de minha consciência
são mais fortes que tantas tentativas...
As pessoas se alegram na desgraça,
porque sonham cumprir uma missão;
a nação se declara boi de corte...
Já não sinto que aqui é o meu país,
ser feliz é maior do que sentir
que virei o churrasco do poder...
ONDE NASCE A SOCIEDADE
Demétrio Sena - Magé
Algumas famílias grandes que conheço formam sociedades formidáveis. Embora existam entre elas, escalas econômicas, escolares e culturais bem variadas, não há respeito maior pelos mais bem sucedidos social ou economicamente. Os que estudaram mais não são obrigatoriamente os mais admirados nem os que estudaram menos têm menos direito a voz. Aqueles que têm "menos posses" recebem os mesmos convites; frequentam os mesmos grupos... e os mais religiosos não são cultuados nem olham os menos ou não religiosos como insetos indignos. Confusões? Muitas. Todas as famílias têm. Mas nessas famílias bem resolvidas tudo se dirime a curto e médio prazos, utilizando esses critérios.
As intervenções em celeumas são todas muito cuidadosas, para que "a corda não se arrebente sempre do lado mais fraco" (figura de linguagem, porque, nesses clãs não há lado mais fraco). Perde quem é o mais teimoso e rabugento a cada celeuma. Não o mais "feio", mais pobre ou menos culto. E muitas vezes a confusão acaba em "zoação", sem ninguém achar que isso pode acabar em algo mais grave.
O que há em comum nas famílias bem resolvidas, é que são todos loucos; formidavelmente loucos, em níveis diferentes. Talvez seja esse, o motivo da igualdade que reina em seus ambientes. Acho que o simples fato de serem muitos, com tantos desníveis ou diferenças, prepara os membros consanguíneos dessas sociedades privadas para viverem na sociedade aberta; no mundo em torno. Na diversidade ampla, irrestrita, que precisa respeitar, além de todas as outras anteriormente citadas, as diferenças étnicas e de gêneros que já conhecemos e/ou viremos a conhecer. A sociedade, como um todo, deveria funcionar exatamente como funcionam determinadas famílias que tive a honra de conhecer ao longo da vida.
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#respeiteautorias É lei.
SUJO DE FLOR II
Demétrio Sena - Magé
Ao ver o pátio de uma clínica - onde aguardava por atendimento - coberto de flores "cor de jambo" caídas de um belo jambeiro prestes a dar frutos -, minha filha Nathalia se lembrou de uma crônica minha, intitulada SUJO DE FLOR e me enviou uma foto. A lembrança ficou ainda mais forte, quando uma senhora, também à espera, reclamou daquele pátio "todo sujo de flores". Uma situação que descreve bem o que me fez escrever a crônica de anos atrás.
Diferente da senhora, um fornecedor de insumos hospitalares, que chegou logo após, decidiu aguardar pelo atendimento à sombra do jambeiro, não sem antes elogiar o cenário. Para ele, aquele pátio não estava "todo sujo de flores". Estava todo florido.Todo enfeitado de flores.
Certa vez, o escritor Isac Machado de Moura também fez referência à minha crônica SUJO DE FLOR em um de seus textos registrados em livros e redes sociais. As estatísticas estão boas. Somos minha filha, o Isac, o vendedor e eu "versus" aquela senhora ingenuamente anti-flores. Podemos nos unir e plantar um jambeiro em cada coração humano, para que todos entendam a magia de ficar sujo de flor.
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#respeiteautorias É lei
TEMPO EM PÓ
Demétrio Sena - Magé
Ando muito sem onde; sem caber;
há um poço insondável no meu peito;
um doer que nem sinto, por ser tanto,
que definho de muito não sentir...
É um vago voar sobre o vazio,
uma forte fraqueza que me gasta,
sinto frio no meio do calor,
numa vasta e sombria e compressão...
Toco a massa da própria inexistência;
minha essência não é essencial
nesta sombra que nada justifica...
Olho em volta, sem algo para ver,
pois viver é coar o tempo em pó,
pra tomar um café com solidão...
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Respeite autorias. É lei
ANTI-PRODUTO SOCIAL
Demétrio Sena - Magé
Quero estar junto a mim, por onde vou;
se me falto, me falta o proprio pé;
ser quem sou é sentir os meus pulmões;
minha fé só precisa correr nua...
As aparas me tornam menos eu;
os vernizes me gastam mais que as traças;
sem ser meu, sem sentir pertencimento,
perco as graças da vida em minhas veias...
Não é crise de um velho adolescente;
são clichês que não passam com a idade;
é a mente que afronta o coração...
Tenho ranço de vendas e mordaças,
de ferrolhos, carcaças e bitolas
que me forjem produto social...
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Respeite autorias. É lei
“A vida, não é um borrão onde podemos errar e rabiscar. É tão somente uma gota que cai muito rápido! Rápido demais eu diria. Se tivermos sorte de cair numa folha chamada amor, teremos a impressão que o tempo parou, mas o tempo não para. Sem perceber, continuamos a escorrer da vida. Não porque o amor passou. O amor não passa, ele apenas da mais vida.”
