Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Retire o homem mau de onde a maldade é recompensada, e a trave que o cega será quebrada; então ele verá que fazer o bem é o que realmente tem valor.
Embora o caminho seja conhecido
e o mesmo onde meus passos foram marcados, ainda desconheço
algumas curvas,
nele traçadas pelo destino,
para me surpreender...
Neusa Marilda Mucci
Levo sua imagem por onde vou,
você que tanto já sofreu por mim...
e mesmo sofrendo me perdoou,
eu que não merecia ser perdoada assim !
Desejos de estrada, partir,
poeira ou nuvem,
seguir até onde o coração aguentar,
orando, cantando e em plena lucidez
voar, voar, voar...
Sei muito bem para onde sigo,
para que, porque e muito mais,
não gosto de brincadeira comigo,
levo a vida a sério e em paz !
No mundo há tanta falsidade,
as vezes vem de onde nem esperamos,
pessoas que fingem a amizade
e por trás nos querem ver em maus panos
Por um mundo onde os relacionamentos sejam Alicerçados pelo Amor, e Sustentados pelo modo de Relacionar, não pelo MEDO.
No mundinho onde tudo se polariza, só há pódio para duas imprensas: as que confirmam nossos vieses e as que assumem a parcialidade.
Não há espaço para a arrogância nas fileiras silenciosas de parede e meia, onde todos se nivelam por baixo, em barraquinhos tão pequenos e cheios de nada.
Fomos tão seduzidos pelo universo digital, ao ponto de romantizar um mundo onde políticos influencers — eleitos por nós — brincam de governá-lo.
Essa constatação medonha é um convite a pensar sobre a profunda transformação que a política sofreu na era digital.
Hoje, a figura do político tradicional se mistura com a do influencer, aquele que domina a arte da comunicação rápida, do espetáculo e da conexão emocional imediata.
Mas, ao transferirmos nossa confiança e votos para essas figuras, muitas vezes mais preocupadas com a imagem do que com o conteúdo, acabamos por trivializar o exercício do poder.
Quando políticos se tornam influencers, a política vira palco para likes e compartilhamentos, onde o debate se perde para a viralização.
A “brincadeira de governar” — expressão que revela a leveza e a superficialidade com que algumas lideranças assumem responsabilidades sérias — coloca em risco a qualidade da democracia e o futuro da sociedade.
Nós, eleitores e cidadãos, também somos parte desse processo: somos os que elegem, os que curtem, os que compartilham.
Cabe exercitarmos um olhar crítico, exigir transparência, responsabilidade e compromisso real.
Sem isso, continuaremos reféns de uma política de aparência, onde a profundidade das ideias e a seriedade das ações ficam em segundo plano, diante do espetáculo digital.
O desafio está lançado: usar o poder do universo digital para fortalecer a democracia, não para reduzi-la a um jogo de imagens e seguidores.
A vida é um amontoado de despedidas, onde ninguém sabe qual é a derradeira.
A vida, em essência, é uma sucessão de chegadas e partidas.
Um amontoado de despedidas silenciosas que se acumulam, quase sempre sem aviso.
Nunca sabemos qual abraço será o último, qual conversa não se repetirá, nem qual olhar se prenderá eternamente na memória.
Talvez seja justamente essa incerteza que valorize o instante — a consciência de que ele é frágil, transitório, irrepetível.
Por isso, a vida nos convida a viver cada encontro com reverência, cada presença com gratidão e cada despedida com a delicadeza de quem entende que até a separação faz parte do milagre de existir.
No fim, não é a derradeira despedida que mais importa, mas sim a intensidade dos encontros que a antecedem.
Num mundo onde quase tudo pode ser dito, mas quase nada escutado — talvez o bom ou mau-humor seja nocivo aos Donos da Verdade que não conseguem se despir da Toga do Moralismo.
Onde se fala muito e ouve-se muito pouco — o ruído é constante, e o humor se torna muito perigoso.
Talvez o bom ou o mau-humor sejam nocivos apenas aos donos da verdade, esses que vestem a toga do moralismo como se fosse um escudo contra qualquer desconforto.
Não suportam o riso porque o riso desarma, não suportam a ironia porque ela revela, e não suportam o espelho que o humor, em sua essência, quase sempre oferece.
Enquanto o mundo se divide entre os que falam e os que reagem, o ouvir continua sendo o ato mais revolucionário — e o rir de si mesmo, o mais Libertador.
Pois, para os que não conseguem rir de si próprio, as palavras perdem o dom de tocar para alimentar o vício de ferir.
Espero que em meio de tanta (Cão) fusão, onde — quase sempre — a Arrogância, a Prepotência e o Autoritarismo se confundem com Bravura, a Vingança com Justiça e o Discurso de Ódio com Liberdade de Expressão — a Desumanização não se confunda com Demonização.
O gosto do medo: no hospital, onde quase tudo é pouco, o que sobra é o paladar da alma tentando resistir.
Talvez, se o medo tivesse gosto — doce ou salgado — ninguém se recuperasse dentro de uma unidade hospitalar.
Pois ele seria servido em pequenas doses, mas, com efeito, prolongado, impregnando até o paladar da alma.
Ali, onde quase tudo é pouco.
Pouco tempero na comida, pouca luz nas madrugadas intermináveis, pouca cor nos quartos e corredores que parecem sempre iguais…
Poucas palavras que confortam de verdade, pouca fé que não vacila, pouca esperança que não se cansa, pouca paciência para o tempo que insiste em se arrastar.
O que quase sempre sobra é muito medo.
Medo silencioso, aquele que não grita, mas pesa.
Medo que se senta ao lado da cama, observa os monitores e faz perguntas que quase ninguém se atreve a responder.
E ainda assim, é nesse cenário de escassez que alguns aprendem a respirar e resistir.
Porque, quando tudo falta, o pouco que resta — um gesto, um olhar, uma prece sussurrada — ganha um valor imenso.
Talvez seja assim que o medo não vence: não por desaparecer, mas por dividir espaço com aquilo que, mesmo raro, insiste em subsistir.
Fomos tão seduzidos pelo Universo Digital ao ponto de romantizar um mundo onde políticos-influencers fingem preocupação.
Ficamos tão apaixonados que já nem percebemos quando a luz da tela substitui a luz da nossa consciência.
A promessa era conexão; entregaram-nos performance…
Era participação; acostumaram-nos ao aplauso virtual.
E, nesse palco infinito, aprendemos a confundir engajamento com compromisso.
Romantizamos um mundo onde políticos-influencers fingem preocupação como se stories fossem políticas públicas e como se uma live substituísse a presença concreta nas ruas, nos hospitais e nas escolas.
A estética do cuidado passou a valer mais do que o cuidado em si.
O roteiro é simples: indignação calculada, frases de efeito, trilha sonora emotiva e um corte estratégico para as próximas eleições.
O algoritmo aplaude. A plateia compartilha. E a realidade, silenciosa, continua exigindo mais do que curtidas.
Não é que a política tenha se tornado espetáculo; talvez sempre tenha flertado com ele.
A diferença é que agora o espetáculo cabe no bolso e até vibra.
A cada notificação, reforça-se a sensação de proximidade com quem, muitas vezes, está distante das consequências do que decide — ou não.
A encenação é convincente porque fala a língua da emoção rápida — e emoções rápidas não exigem memória longa.
O risco não está apenas nos que fingem; está também em nós, que passamos a preferir o conforto da narrativa à complexidade da verdade nua e crua.
É mais fácil seguir quem fala bonito do que cobrar quem trabalha em silêncio.
E é mais sedutor compartilhar um corte inflamado do que acompanhar um projeto até o fim. Assim, a política vira conteúdo, e o cidadão, audiência.
Talvez a maturidade digital comece quando entendermos que preocupação não se mede por visualizações, mas por coerência; não se prova com filtros, mas com atitudes; não se sustenta com hashtags, mas com responsabilidade.
Enquanto confundirmos presença online com compromisso real, continuaremos aplaudindo performances e chamando de liderança o que, no fundo, é apenas expertise digital.
No fim, o universo digital não é vilão nem salvador — é espelho.
E todo espelho revela muito menos sobre quem está do outro lado da tela do que sobre quem escolhe acreditar nele — o reflexo.
Onde parece mais fácil culpar a vítima, quase sempre se romantiza a separação, mas nunca se normaliza o direito da mulher viver depois dela.
Há uma curiosa habilidade social em transformar rupturas em narrativas poéticas quando elas não nos ameaçam.
Fala-se da separação como um recomeço bonito, como um gesto de coragem, como um capítulo necessário da vida.
Mas essa romantização costuma durar apenas até o momento em que a mulher decide, de fato, viver depois dela.
Viver com autonomia, viver sem pedir licença, sem aceitar voltar para o lugar onde a violência, o controle ou o desprezo estavam naturalizados.
Nesse ponto, a poesia desaparece e começa o tribunal informal das culpabilidades.
Perguntam o que ela fez, o que deixou de fazer, o que provocou…
O que poderia ter suportado mais um pouco.
A mesma sociedade que aplaude discursos sobre liberdade, passa a exigir dela uma espécie de penitência silenciosa por ter rompido.
Porque, no fundo, há uma conveniência histórica em romantizar a separação — desde que ela não desorganize as estruturas em que sempre esperaram que as mulheres permanecessem.
Romantizar a separação é confortável.
Normalizar que uma mulher tenha o direito de continuar viva, inteira e livre depois dela é profundamente desconfortável para quem sempre precisou que ela permanecesse dependente, culpada ou quebrada.
Por isso, em muitos casos, não se discute a violência que antecedeu a ruptura, mas o comportamento da mulher que decidiu não morrer — nem física, espiritual ou emocionalmente.
E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro problema: ainda há quem tolere a ideia da separação, mas não suporte a ideia da sobrevivência feminina que vem depois dela.
Porque uma mulher que continua viva, consciente e livre depois de sair de uma relação, deixa de ser personagem de tragédia… e passa a ser autora da própria história.
Onde o Estado Paralelo atua, existe até pena de morte; onde o Estado finge atuar, não existe quase pena nenhuma.
