Minha Alma tem o Peso
Eu vejo a tristeza que carregam, e em vez de virar as costas, permito que minha luz dance ao lado, convidando-os gentilmente a lembrar da própria claridade.
Sinto minha mente em ondas. São pensamentos que vem e vão, que vai e voltam. São como partículas virtuais que surgem em meio ao nada e rapidamente desaparecem: parecem insignificantes, mas aos poucos vão desconstruindo um buraco negro dentro de mim
Eu sou uma mulher e sou latina. Essas são as coisas que tornam minha escrita distinta. Essas são as coisas que dão poder ao que escrevo.
Hoje li uma frase que se encaixa perfeitamente em minha vida... Não se pode perder o que verdadeiramente nunca se teve. FATO!
Com o tempo fui entendendo que há um propósito para dos quanto encontrei em minha jornada.
Alguns quiseram me testar, outros até me usaram... teve quem me ensinou.
Mas o importante foram aqueles que me respeitaram, e me aceitaram como EU sou sem muito me questionar simplesmente me entenderam. Esses sim vale a pena tê-los por perto.
Sinto-me tão exausto, tão esgotado e tão vazio, que não tenho forças sequer para sentir a minha tristeza. A minha desolação é tão grande que já não me dói.
Sua mina lê minha poesia, com olhos que devoram cada palavra. Ela conhece cada verso como se fosse seu, e a poesia se torna a sua voz.
Ela encontra significados ocultos, que eu mesmo não tinha percebido, e encontra beleza nas minhas cicatrizes, que eu antes considerava feias.
Ela sabe que minha alma é torturada, e que minha escrita é a minha cura. Elalê cada linha com compaixão, e isso é algo que ninguém pode comprar.
Sua mina lê minha poesia, e ela diz que me ama por isso, ela diz que me ama por quem eu sou, e por tudo o que eu represento.
Minha poesia é livre, e se ela a lê e se consome, é sinal que algo de mim nela vive.
Enquanto ele dorme ao seu lado, ela me lê em segredo, como se eu fosse seu pecado.
Ela conhece meus versos, como se fossem dela própria, eles ressoam em sua mente, como um segredo que a consome.
Ela sabe que eu não sou dela, e que seus lábios tocam outros, mas ainda assim ela me lê, como se eu fosse sua cura.
Ela me lê em silêncio, enquanto ele ronca ao seu lado, e ela se pergunta se eu sinto o mesmo que ela sente ao ler meus versos.
Eu sou o seu segredo, a sua paixão oculta, ela se entrega à minha poesia, enquanto sua vida segue indulta.
E assim somos dois estranhos, conectados pelas palavras, ela me lê em sua cama, enquanto ele dorme sem saber de nada.
Eu escrevo sobre as coisas que me incomodam, e sobre as coisas que me fazem sentir vivo. Ela gosta de ler o que eu escrevo, e eu gosto de saber que ela se importa.
Não sou um ladrão de almas alheias, não quero roubar o que não é meu, mas se minhas palavras tocam sua pele, não posso impedir o que aconteceu.
Não sou o dono das suas emoções, não sou o senhor dos seus desejos, mas se minhas palavras a fazem pensar, não posso negar, fico satisfeito. E sem ela, minhas palavras seriam em vão, talvez chegariam no máximo a um mísero refrão.
E eu a deixo ler, sem dar explicações, pois sei que é tudo o que posso dar, e se ela se encontra em minhas palavras, então isso é o bastante para nos conectar.
Ela sente a minha alma em cada linha, o seu coração começa a responder ao meu mundo, e lá no fundo ela deixa escapar um suspiro profundo, mas sei que ela não é minha e que nossas almas jamais se tocarão, pois ela vive numa realidade onde eu sou apenas uma ilusão.
Ela pode encontrar algo que ressoe em sua alma, e talvez, em algum momento, ela perceba, que a verdadeira poesia é encontrada dentro de si mesma.
Então, mulher, siga em frente, leia minhas linhas quando quiser, e saiba que em cada palavra que escrevo, há um pouco de amor e esperança pra você.
ESTRANHEZAS DA BUSCA PATERNA
Fui a procura da minha busca, caminhei lentamente, de olhos fechados e coração escancarado. Ansiava por palavras de um amor não dito e não vivido, histórias e pedidos de perdão.
Andei a passos curtos em direção ao abismo, até sentir-me fitada por ele. Pude percebe-lo abaixo dos meus pés, negro e silencioso, absolutamente profundo e atormentador.
Foi o amor que desejava receber, ou ao menos saber que existiu que me moveu, e acima de tudo, o amor que desejava doar.
Eu e minha mania de querer legendar a vida. Legendar pessoas. Legendar momentos. Mania de não querer entender que palavras não definem tudo. Por outro lado penso, que mal há em gostar? Quer saber, me permito gostar e ponto!
Em momentos assim
Eu não sei o que fazer comigo
Com a minha impermanência
inconstância
Não sei como nomear
Profundidades ou abismos
Amor pela melancolia
Minhas brechas
Meus esconderijos de mim
Do mundo, não sei
É quase um assombro
Uma escuridão
Meu amor pelo movimento
Minha reinvenção de mim.
Minha paixão é tanta pelo rabiscar
que, por vezes, exagero na emoção
Somente para me recarregar
E derramar depois
Brasa que incendeia meu corpo
Loucura da minha loucura
Vontade da minha vontade
Desejo do meu desejo
Não se engane com minha melancolia
Ela é uma parte de mim que me renova
E eu não quero evitá-la
Ou fingir que não existe.
Que saudade que deu
Da tua boca roçando a minha
Do teu cheiro aqui bem perto
Do teu toque me apertando
Do teu corpo me empurrando
Contra a parede
Saudade do arrepio provocado
Pelo teu sussurro
O verbo das minhas entrelinhas
O silêncio que ensurdece
A calmaria da minha loucura
A ebulição dos meus pensamentos
Faço da minha mente um mar de canções todos os dias, por isso as canto em palavras compartilhadas para soar como um passarinho barulhento na chuva lá fora.
Cada palavra dita sou eu, como um pássaro a gritar.
Compartilhar é inspirar.
Pois digo eu: é fazer da minha canção, lida por outros, pássaros aprisionados, capazes de gritarem na chuva
