Meu Eterno Amor minha Filha
Minha autossuficiência vacila diante do medo de não haver quem me chame pelo nome. Ainda assim, ao me lançar na solitude, descobri forças que o silêncio guardava em segredo.
Aprendi a me afastar dos olhares que ferem, não mudo o outro, mas escolho onde repousa minha energia. Preservar-me, às vezes, é dizer adeus ao que já foi essencial.
Quando minha mente se perde, ainda que por breves instantes, os pensamentos se tornam lâminas que cortam por dentro. No silêncio que a noite veste, o tribunal interno desperta, cada lembrança de derrota, uma acusação sussurrada, condenando meu valor, pedindo que me renda à sombra. É um ciclo que me aprisiona, uma dança de espectros onde a vigilância torna-se escudo e lança, uma vigília eterna para deter o veneno antes que ele corrompa o último lampejo de luz.
Minha voz, ferida e firme,
rasga o silêncio das telas frias,
onde almas se perdem na superfície, e o vazio dança disfarçado. Palavras são flechas lançadas na sombra da indiferença.
As notas de Tchaikovsky tocam minha dor, como se conhecessem minhas cicatrizes. No caos da vida, sua música dá forma à angústia e por um instante, ela dança.
Minha vida… um depósito de excessos inúteis. Tristezas, pensamentos sombrios, compaixão mal direcionada… restos de guerras sem vencedores. Sou um reservatório entupido de emoções tóxicas, incapaz de filtrar o que me faz bem. Cada sorriso forçado… é um disfarce frágil
diante da avalanche de memórias escuras. No fim… essa batalha interna não deixa heróis, apenas sobreviventes… exaustos.
Minha história é feita de lutas, vitórias pequenas e derrotas marcadas. Sobram-me lembranças, cicatrizes que ainda doem, mas que também contam minha força. Cada memória é um passo tímido, um sopro de vida que renasce, um convite para seguir, pois nem toda ferida impede a esperança.
Minha vida virou preto e branco, tudo é cinza, opaco, sem contraste. Enquanto falam de arco-íris, eu me perco num horizonte desbotado
que nunca vou tocar. O mundo segue colorido, mas eu sou estrangeiro nessa paleta que não me pertence.
Se alguém visse o que pulsa na minha mente, me acolheria em silêncio e guardaria minhas lágrimas como a promessa de dias melhores.
Minha mente é uma máquina que não perdoa, funciona em silêncio, mas nunca repousa. Arquiva dores com precisão cirúrgica, como se cada ferida fosse sagrada. Não esquece, não apaga, apenas acumula. Faz da mágoa um mapa, do trauma, um relicário. E cada lembrança mal curada vira engrenagem, girando sem fim no escuro.
O fulgor do teu olhar incendeia minha alma, e rendido a ti, desvencilho-me do tempo, tornando-me criança outra vez, entregue ao espanto da descoberta.
MINHA FÉ (B.A.S)
Minha fé não tem deuses e nem santos
Minha fé é sem ritos e nem mantras
Minha fé não remove montanhas
Minha fé está na premissa do humano
Minha fé não revolve as entranhas
Minha fé não faz com que eu caminhe sobre as águas
Minha fé não faz com que eu possa voar
Minha fé não diz se devo rezar
Apenas desfraldado em meu caminhar
Busco encontrar, busco respirar
Não vi sentido em qualquer filosofia
Não vi nenhum deus a me mostrar o caminho
Apenas o pulsar do meu existir
Apenas o pulsar das minhas veias
Teimando encontrar uma luz
Que dê razão ao meu existir...
ALÉM-DE-MIM... (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Inabalável!
Deve ser minha fé, um rochedo
Jamais uma fé manca
Traçada pelo destino
Buscar sempre o além-de mim...
Por mais que um "deus" vazio se apresente
Pois a vida segue o transitório
Sem mapas, trilhas, pegadas
Na vida tudo é transitório
Como num trivial velório
Cheio de preceitos e falatórios
Será que o morto ouvirá as lamúrias?
ISBN: 978-85-4160-632-5
JORNADA (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Senhor:
Dê-me a possibilidade de fazer
minha jornada por inteiro.
Concluir a vida não é tarefa
difícil...
Sei que nunca me darás
mais do que possa suportar...
Completar a missão e tornar-nos a
pessoa que fomos criados para ser...
SINA
(Bartolomeu Assis Souza)
Perdido nalguma esquina
Ficou a minha sina
lembranças de amores esquecidos
Uma nova alegria clama
Uma nova chama se acende
Sem dó, drama ou nada...
Tudo é paixão
Tudo é ilusão
Tudo se toca no coração...
DIAS DE OUTONO!
(Bartolomeu Assis Souza)
Vai embora o barco da minha vida
Navegando em dias, horas e minutos
Calendário da vida...
Vai onda...onda...onda...
Como ficam distantes
os dias de outono!
################################
DILEMA
Que eu te encontre Senhor no Dilema da Vida.
O dilema sou eu mesmo com a minha angústia...
Ela levará-me até Ti.
Ocaso da existência.
Angústia-terapia-ressurreição, resurrectio...
Amém!
A INCERTEZA É A MOLA PROPULSORA DA EXISTÊNCIA
Os meus versos são minha consolação e minha filosofia
Os meus versos levam a caminhos perdidos
Os meus versos são como estrelas perdidas
São versos como porões da alma
Uma paisagem "pano de fundo"
Os versos que faço neste papel se amarela
Minhas palavras se esvaem
O que esperar então:
A INCERTEZA É A MOLA PROPULSORA DA EXISTÊNCIA
Eu sou tipo o monstro de Frankstein, formado com partes de cada pessoa que já passou na minha vida. Eu sou meus amigos e também os inimigos, eu sou meus mestres e meus discípulos.
