Meu Caminho e cada Manha
Cada vez que você vai
Abre um buraco em mim
Mas não um buraquinho qualquer
Abre logo uma cratera
Que engole tudo:
O sorriso, a fome, a vontade, o ar
Porque se tornou tão imprescindível assim?
Porque fez ninho na minha pobre cabeça?
Veja esse pensamento desalinhado que sai de mim
Nada faz sentido
Nada obedece à regra nenhuma
Esse emaranhado de sentimentos
Começa e termina em você
Então, deixe eu morar aí no seu peito
Deixa eu ficar de qualquer jeito
E fica, meu amor,
Em mim.
Vamos cuidar das nossas vidas e deixar cada um fazer o melhor que puder com a dele. Minha receita de felicidade não veste você. A sua roupagem de sucesso não cabe em mim.
Vamos prosseguir com respeito e serenidade.
O espaço da existência do outro pertence a ele.
Não interfira, não opine, não julgue.
Cada um faz um tremendo esforço para sair da cama e ganhar o pão. Para chegar ao fim do dia e sentir orgulho.
Não é fácil. Não é banal. Não é em vão.
Respeite o que não puder entender ou aceitar.
Ninguém precisa da nossa aprovação.
Cada um dá o que reflete a sua essência:
Seres de luz são generosos em todos os seus atos. Pessoas rasas, ao contrário, só podem dar migalhas. Seus gestos por mais que tentem maquiar, são arremedos de altruísmo.
Não dá pra tirar leite de pedra.
São muitas transformações entre os anos, o que deixa em cada uma delas, assim como o caráter da vida, a marca da permanente mudança
Na jornada da vida, somos os jardineiros de nosso próprio destino, e cada semente que plantamos é uma escolha que molda o futuro que colheremos.
Escrever é sangrar sem sujar o papel.
Cada pensamento que nasce aqui brota de dores antigas,
de vivências que nunca pediram licença,
de cicatrizes que o tempo insistiu em manter abertas.
Estas linhas rabiscadas são um espelho trincado, quem lê, talvez enxergue ali os próprios fragmentos.
A inspiração vem da dor, sempre da dor... Cada gesto de escrita nasce de uma ferida fresca ou de um hematoma emocional, sem essa dor, minha voz se calaria. Reconhecer que só a angústia me impulsiona a criar é aceitar que a beleza de cada frase vem acompanhada do sabor amargo de lembranças que preferiria esquecer.
Cada um de nós tem um conflito interno, é inevitável, tristemente. De alma abatida, mas a solução é esperar em Deus. A tempestade não é para sempre, o mar se acalmará, tenha paciência. Quando estou conversando com Deus e me retorna a lembrança da promessa que Jesus nos deixou, de
que estarei com Abraão, Jacó e Isaque em um lugar onde o amor transborda todos os outros sentimentos. Essa promessa me faz suportar mais um dia e outro, até a promessa se cumprir. Reconhecer essa luta interna contínua, entre a vontade de desistir e a faísca de esperança, me obriga a praticar a
paciência como um músculo que dói a cada repetição. Entregar-me a uma fé inabalável não elimina a dor, mas oferece um porto seguro onde posso abrigar os escombros da minha alma até encontrar forças para reerguê-la, mesmo que apenas por mais um dia.
Às vezes o excesso te faz desistir um pouco a cada dia, quando o peso de medicamentos, de cirurgias e de olhares comissivos se acumula, sinto-me afundar gradualmente, cada nova praga de dor retira uma parte da minha vontade de lutar, essa erosão diária ensina que a resistência não é
um salto heroico, mas uma sucessão de escolhas pequenas para continuar respirando apesar da exaustão acumulada.
Não é renunciar à luta, pois os problemas permanecem como sombras. É persistir a cada dia, embalado pelo amor do Senhor, a verdadeira luz para quem anseia por vida plena. Quando o corpo se cansa e a mente clama por descanso, é a fé renovada que me ergue, não na ilusão da resolução, mas no sagrado impulso de encontrar razões para sorrir, mesmo que sejam apenas os ecos fugazes de uma alegria que dança entre as dores.
Minhas lágrimas não caem, se acumulam por dentro, como rios represados, até virarem pedra.
E cada silêncio que ofereço
é um lamento que não teve lugar para existir.
Escolhas ecoam na vida,
cada atitude abre ou fecha caminhos.
Diante do câncer e da perda de movimentos, escolhi o verbo em vez do silêncio, tornei‑me narrador da minha própria história. A dor não desaparece,
mas, ao escrever, reencontro o controle
que pensei ter perdido.
Somos cordas… E a vida, um martelo de piano. A cada golpe, dor, doença, preconceito, vamos desafinando… Minhas forças se esvaem, minhas emoções tremem em dissonâncias. Ainda assim… insisto em vibrar, tentando harmonia
onde só há fúria.
A dor me faz triste. Cada fibra em mim lateja memórias que nem a medicina apaga. Sou um retrato ambulante de perdas, do movimento, da autonomia, da esperança. E assim… Atristeza brota sem cessar,
como uma secura interna que nenhum afago alcança.
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