Meu Caminho e cada Manha

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As folhas caem


Lembro-me do nosso início como me lembro de cada nascer do sol,
Foi tão bom o nosso primeiro encontro na pracinha do Guairáca,
A mistura de desejos, sentimentos e pensamentos foram explosivos, nossos abraços e beijos pareciam estar em outra rotação além do universo,
A tua voz tinha magia, o teu cheiro tinha conexão, os teus olhos tinham domínio,
Quantas alegrias depois disso podemos viver e aplaudir, quantos sonhos e viagens reais ou imaginárias tivemos o prazer de realizar,


Até que,,,


Por obras da vida, do destino ou do que ainda não conseguimos compreender, fomos guiados por ventos diferentes a nos distanciar,
E como numa tarde fria de outono, eu vi as folhas caindo uma a uma, olhei para o céu e não vi o sol pois o tempo já estava nublado com choro de chuva fina,
A noite fria de domingo se aproxima mais uma vez, as folhas continuam a cair, mas a saudade insisti em ficar.

Cada livro que leio enriquece a minha vida.

O Acúmulo do Instante

Autoria: Marco Arawak


Cada instante desperdiçado desgasta sua essência como areia escorrendo pelos dedos, você vive lampejos e chama isso de plenitude, finge estar presente, mas quem se entrega só ao “agora” se fragmenta e entrega ao vazio tudo o que poderia ser sólido.


O tempo não espera, o tempo corrói.


Nos jogamos em picos de emoção, confundindo a explosão do fósforo com a profundidade do sol, brilho não é substância, intensidade sem propósito é incêndio que consome a própria casa. Nem tudo que acelera é progresso, nem tudo que brilha é diamante, pode ser uma lembrança de uma longínqua estrela que deixou existiu, só resta o brilho.


Sentir intensamente não é viver, o que importa é o fio invisível que costura seus atos e transforma segundos em legado. Nossas faíscas queimam a pele, mas congelam a alma, morrem no frio da própria futilidade.


O tédio, a dúvida, o vazio, não são inimigos, são mestres. Ignorá-los é desperdiçar força, direção e percepção, quem vive só do efêmero tropeça no futuro antes mesmo de alcançá-lo.


Laços frágeis se desfazem como fumaça, planos evaporam, projetos desmoronam no silêncio quando não há disciplina. Como árvores que se enraízam no escuro para resistir às tempestades, a vida só ganha peso quando você aceita o desconforto e cultiva consciência.


O acúmulo do instante rasga identidade, destrói memória, assassina oportunidades, o que você chama de vida é resíduo de segundos jogados ao lixo.
Somos talvez ingênuos, incapazes de perceber que, enquanto o universo se constrói com calma de milênios, nós nos destruímos em faíscas de um segundo.


Cada ação deve construir algo, cada escolha deve deixar cicatriz na eternidade. Sem isso, você não vive, apenas se dissolve no nada que chamou de “agora”.


Viver exige coragem, sangue e atenção, é atravessar calmaria e tempestade com a mesma intenção, transformar impulso em destino, transformar o instante em você.


O instante só vale quando gera efeito, deixa rastro, produz história, como rios que cortam pedra silenciosa ao longo de eras, nossas escolhas só moldam o destino se tiverem profundidade e continuidade.


Observe, perceba, respire. Não se perca. Não se apague.


Cada segundo negligenciado é peso invisível que se acumula até quebrar suas costas, o preço é implacável, inexorável.


Como a gravidade mantém mundos em órbita, a consequência de cada ato se soma agora, o instante não é refúgio, é banco de réus, é julgamento, é teste final.


Você passa ou se perde. Nada volta. Nada espera.


Cada segundo entregue ao vazio é ferida que não cicatriza, cada escolha sem construção é buraco negro no futuro, e você terá que atravessá-lo sozinho. Como pedras rolando ladeira abaixo, suas decisões soltas ganham velocidade e impacto, levando tudo ao colapso.


Você quer o brilho que cega ou o legado que ilumina?
Quer ser o consumidor do tempo ou o ferreiro da eternidade?
Vai viver de faíscas ou forjar o fogo que queima para sempre?


A grandeza exige firmeza, exige ser temperado pelo fogo e pelo gelo, o instante só tem poder quando se conecta ao todo, deixa você inteiro, faz você presente.


Não há mais desculpas, não há atalhos, não existe botão de retorno.


Se você não constrói, se desintegra, se não sente com propósito, se apaga na escuridão.


Pois o instante cobra, e ele sempre recebe em dia, com a sua própria vida. Sempre. Implacavelmente.




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A Casa Vazia


Existe uma casa dentro de cada ser humano. Ela não tem endereço, não aparece nos mapas e não pode ser construída por outra pessoa. É feita de memória, silêncio, desejo e consciência. É o lugar onde a nossa voz ainda é nossa. Quando somos capazes de habitá-la, conhecemos seus corredores, sabemos onde guardamos nossas alegrias, onde escondemos nossos medos, quais portas evitamos abrir e quais janelas deixamos voltadas para o mundo. No centro dessa casa existe uma chama pequena e silenciosa. É ela que nos diz: “Você está aqui.”


O problema começa quando deixamos a porta aberta por tempo demais. Lá fora, o mundo não pede licença. Ele chama, acende luzes, oferece promessas, produz urgências, entrega desejos prontos e mostra vidas cuidadosamente enquadradas. E nós saímos. Primeiro por curiosidade, depois por desejo, depois por hábito, até que um dia percebemos que estamos há tanto tempo do lado de fora que já não lembramos como era estar em casa.


Não fomos expulsos. Essa talvez seja a parte mais difícil de admitir. Nós mesmos fomos nos afastando. Trocamos o silêncio pelo ruído, a presença pela distração, a experiência pelo espetáculo e a própria voz pelo eco das vozes alheias. Começamos a conhecer a vida de pessoas que nunca encontramos, a acompanhar histórias que não são nossas e a reagir a acontecimentos que não podemos tocar, enquanto alguma coisa dentro de nós espera, em silêncio, para ser percebida.


Os espelhos se multiplicam. As telas iluminam rostos, as comparações entram pelas janelas e os sucessos alheios tornam-se medidas para a nossa própria existência. Sem perceber, começamos a perguntar menos “Quem sou eu?” e cada vez mais “Como estou sendo visto?”. Parece uma mudança pequena, mas é profunda. Quando o olhar dos outros se transforma no nosso principal espelho, começamos a construir a própria identidade do lado de fora. E uma casa construída pelo olhar alheio nunca permanece verdadeiramente nossa.


Então precisamos de mais: mais reconhecimento, mais aprovação, mais intensidade, mais alguma coisa que faça silêncio dentro de nós. Quanto mais procuramos, porém, menos encontramos. A casa permanece vazia não porque não exista nada dentro dela, mas porque ninguém está lá para perceber.


O abandono de si não acontece de uma só vez. Ele acontece em pequenas ausências: quando ignoramos aquilo que sentimos, quando dizemos “está tudo bem” sabendo que não está, quando seguimos uma direção apenas porque todos estão seguindo, quando confundimos desejo com necessidade, quando nos distraímos para não pensar ou quando falamos tanto que já não conseguimos ouvir a própria voz. A poeira se acumula, não sobre os móveis, mas sobre a memória de quem somos.


Chega então um momento em que o silêncio assusta. Depois de tanto ruído, ficar sozinho consigo mesmo pode parecer entrar em uma casa abandonada. Mas talvez o silêncio não seja vazio. Talvez seja apenas o espaço onde aquilo que foi abafado finalmente pode ser ouvido.


É ali que começa o retorno. E o retorno não exige grandes gestos. Não precisa de espetáculo, de uma nova vida ou de uma nova versão de nós mesmos. Começa pequeno: sentar, respirar, escutar, perguntar e permanecer tempo suficiente para ouvir a resposta. “O que está acontecendo dentro de mim?” Talvez ela venha baixa, talvez confusa, talvez acompanhada de coisas que preferíamos não encontrar. Não importa. A casa precisa ser reaberta.


Um cômodo de cada vez. Uma lembrança, um sentimento, uma verdade, uma escolha, uma janela. Até que a luz volte a entrar.


E então descobrimos algo essencial: voltar para si não significa abandonar o mundo. Pelo contrário. É somente quando sabemos onde estamos que podemos verdadeiramente encontrar alguém. É somente quando reconhecemos a nossa própria voz que conseguimos escutar outra pessoa sem desaparecer dentro dela. É somente quando conhecemos os nossos limites que conseguimos respeitar os limites do outro.


Uma casa habitada não é uma prisão. Tem portas, janelas e espaço para receber. Escuta o mundo, celebra, ama, aprende e acolhe, mas sabe quem possui as chaves. As paixões podem entrar sem incendiar a casa. As ideias podem entrar sem ocupar todos os cômodos. A opinião dos outros pode ser ouvida sem se transformar em sentença. O mundo pode atravessar nossas janelas sem se tornar proprietário da nossa existência.


Talvez maturidade seja isso: não fechar a porta para o mundo, mas deixar de viver permanentemente do lado de fora.


Precisamos sair. Precisamos experimentar, amar, errar, conhecer outras paisagens e encontrar outras pessoas. Mas precisamos também voltar. Voltar quando o mundo estiver barulhento demais. Voltar quando a aprovação já não bastar. Voltar quando percebermos que estamos vivendo para sustentar uma imagem que não reconhecemos. Voltar quando ninguém estiver olhando. Voltar simplesmente porque sentimos falta de nós mesmos.


Talvez essa seja a verdadeira casa: não o lugar onde nos escondemos do mundo, mas o lugar a partir do qual conseguimos habitá-lo sem nos abandonar.


No fim, não precisamos construir uma nova casa. Ela já existe. Talvez esteja apenas silenciosa. Talvez tenha algumas janelas fechadas. Talvez haja poeira sobre aquilo que um dia foi importante. Mas a chama ainda está lá, esperando.


E talvez ela não diga muita coisa. Talvez diga apenas: “Volte.”


Quando voltamos, percebemos que nunca estivemos realmente perdidos. Estávamos apenas longe demais para ouvir a nossa própria voz.


A porta sempre foi nossa. A casa sempre esteve lá. E a luz nunca deixou de esperar por nós.

A ONÇA DENTRO DE NÓS

Por: Marco Arawak

Há em cada ser humano uma região que não se revela inteiramente à própria consciência. É uma zona anterior às palavras, onde permanecem impressões que não sabemos quando adquirimos, medos que não lembramos ter aprendido, desejos cuja origem confundimos com liberdade e respostas que surgem em nós antes mesmo que tenhamos tempo de perguntar por quê.

Passamos a vida habitando esse território e, paradoxalmente, podemos permanecer estrangeiros dentro de nós mesmos.

Talvez uma das maiores ilusões humanas seja imaginar que nos conhecemos simplesmente porque carregamos conosco, desde sempre, o próprio nome, a própria história e a própria memória. Saber quem somos não é o mesmo que saber de onde vieram as forças que nos constituíram. Há uma diferença profunda entre ser e ter aprendido a ser. Entre aquilo que verdadeiramente escolhemos e aquilo que incorporamos para sobreviver, pertencer, agradar, proteger-nos ou simplesmente continuar caminhando.

A autoanamnese começa quando essa diferença deixa de ser uma abstração e transforma-se em pergunta.

Quem sou eu por trás daquilo que aprendi a ser?

Que parte das minhas convicções nasceu de uma escolha consciente e que parte delas foi herdada, absorvida, imposta ou construída como defesa? Quantas das minhas certezas resistiriam se eu tivesse coragem de investigar sua origem? E quantas das minhas reações pertencem realmente ao presente, quando talvez sejam apenas ecos de acontecimentos que o tempo levou, mas que a consciência ainda não elaborou?

É nesse ponto que entramos no território mais delicado da existência: o encontro entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos.

Antes de existir uma ideia, muitas vezes existe uma sensação. Antes de formularmos um julgamento, alguma coisa em nós já se aproximou ou recuou. O corpo percebe, a memória associa, o instinto responde. Só depois a razão chega, procurando compreender o acontecimento e, não raro, construir uma explicação para algo que já começou a nos mover.

O instinto possui uma inteligência própria. Ele não argumenta; reconhece. Não constrói teorias; responde a sinais. É a herança silenciosa de incontáveis experiências acumuladas no corpo e na memória, uma forma de percepção que frequentemente alcança o perigo, a oportunidade ou a mudança antes que a linguagem consiga traduzi-los.

É nesse sentido que a imagem da onça encontra sua força.

Ela não representa simplesmente a ferocidade que carregamos, tampouco uma natureza selvagem que precisaria ser vencida pela civilização. Representa uma dimensão primordial da existência: aquilo que percebe antes de explicar, que reage antes de justificar, que conhece determinados caminhos sem precisar transformá-los imediatamente em conceitos.

Mas justamente por possuir essa força, o instinto não pode ser confundido com verdade.

Aquilo que sentimos com intensidade não se torna verdadeiro apenas porque foi intenso. O medo pode ser um excelente guardião e, em determinadas circunstâncias, um péssimo intérprete. Uma experiência passada pode ensinar prudência, mas também pode deformar nossa percepção do presente. Uma ferida antiga pode continuar reagindo a acontecimentos que já não possuem a mesma natureza.

É nesse instante que a razão se torna necessária.

Não para destruir o instinto, mas para conversar com ele.

A verdadeira razão talvez não seja aquela que procura calar tudo aquilo que não consegue explicar, mas aquela que possui coragem suficiente para perguntar ao próprio impulso o que ele está tentando dizer. De onde veio esse medo? O que exatamente estou tentando proteger? Por que essa situação me ameaça tanto? Estou respondendo ao que está diante de mim ou ao que alguma experiência anterior me ensinou a esperar?

A pergunta inaugura uma distância.

E nessa distância começa a consciência.

Existe uma diferença decisiva entre sentir medo e ser governado pelo medo; entre sentir raiva e tornar-se instrumento dela; entre desejar alguma coisa e acreditar que todo desejo precisa transformar-se em ação. O impulso pode surgir sem nossa autorização. A escolha, porém, pode nascer justamente daquilo que fazemos depois de reconhecê-lo.

Talvez a liberdade humana resida nesse intervalo quase imperceptível entre o estímulo e a resposta.

É um espaço pequeno, mas nele cabe uma existência inteira.

Ali podemos interromper a automatização da própria vida. Podemos observar aquilo que se levanta dentro de nós sem imediatamente obedecer. Podemos reconhecer o impulso sem confundi-lo com destino. E, sobretudo, podemos descobrir que consciência não significa ausência de forças interiores, mas capacidade de estabelecer uma relação lúcida com elas.

Por isso, a maturidade não consiste em fazer com que a razão esteja sempre à frente do instinto. Seria uma pretensão impossível. Existem momentos em que o corpo saberá antes da mente; existem percepções que chegam sem pedir licença; existem respostas que pertencem a uma camada tão profunda da experiência que nenhum raciocínio poderia substituí-las inteiramente.

A maturidade está em aprender a voltar ao impulso.

Olhar novamente.

Interrogá-lo.

Compreendê-lo.

E então decidir.

A razão, quando verdadeiramente amadurece, deixa de ser uma tirana que pretende governar todos os movimentos interiores e passa a ser uma consciência de direção. Ela não elimina a espontaneidade; oferece-lhe contexto. Não destrói o desejo; investiga sua origem. Não nega o medo; procura distinguir proteção de aprisionamento.

Porque também a razão pode servir àquilo que deseja combater.

Podemos construir argumentos brilhantes para justificar escolhas que já havíamos decidido fazer. Podemos transformar orgulho em princípio, ressentimento em justiça, medo em prudência e conveniência em convicção. O pensamento, quando utilizado apenas para justificar aquilo que já queremos acreditar, deixa de ser instrumento de compreensão e torna-se advogado de nossas próprias ilusões.

Pensar muito não significa compreender profundamente.

Às vezes, pensar é apenas encontrar palavras sofisticadas para não olhar aquilo que nos incomoda.

A autoanamnese interrompe esse mecanismo porque nos obriga a retornar à origem. Ao revisitarmos nossa própria história, percebemos que quase nenhuma reação é absolutamente isolada. Há uma genealogia dos nossos medos, dos nossos desejos, das nossas recusas e até das nossas certezas. Aquilo que chamávamos simplesmente de personalidade pode conter antigas estratégias de proteção. Aquilo que interpretávamos como intuição pode carregar experiências mal elaboradas. Aquilo que acreditávamos ser uma escolha pode ter sido, em algum momento, apenas a alternativa que encontramos para continuar pertencendo.

Conhecer-se, então, não é acrescentar definições ao próprio nome.

É retirar camadas.

É distinguir a voz da experiência da voz do condicionamento. É reconhecer aquilo que herdamos sem necessariamente precisar perpetuá-lo. É compreender que algumas respostas foram úteis para quem fomos, mas talvez já não sejam necessárias para quem estamos nos tornando.

O passado não pode ser refeito.

Mas pode ser compreendido.

E existe uma diferença extraordinária entre essas duas coisas.

Compreender o passado não significa absolvê-lo de tudo nem transformar nossas escolhas anteriores em algo justificável. Significa devolvê-las ao contexto em que aconteceram. A pessoa que fomos possuía os conhecimentos, os medos, os recursos e as limitações daquele momento. Julgá-la exclusivamente com a consciência que adquirimos depois pode produzir culpa onde deveria existir aprendizado.

A memória, quando examinada com honestidade, deixa de ser apenas arquivo e transforma-se em matéria-prima para a consciência.

É assim que o instinto começa a mudar de estatuto dentro de nós.

Ele deixa de ser uma ordem.

Torna-se informação.

Essa talvez seja uma das maiores transformações produzidas pelo autoconhecimento. Não precisamos deixar de sentir; precisamos compreender o que sentimos. Não precisamos eliminar o impulso; precisamos impedir que ele permaneça invisível. Não precisamos expulsar a onça de dentro de nós; precisamos conhecê-la suficientemente para compreender quando sua força está protegendo nossa existência e quando está apenas repetindo uma ameaça que já não existe.

A razão, nesse encontro, não reina sobre o instinto como um soberano sobre um súdito. Ambos participam de uma realidade mais ampla.

O instinto nos ancora no presente imediato. A razão introduz distância. O instinto reconhece sinais; a razão compara possibilidades. O instinto percebe urgências; a razão considera consequências. Um nos aproxima da realidade concreta do momento; o outro nos permite imaginar aquilo que ainda não aconteceu.

Entre os dois nasce o discernimento.

E discernir talvez seja uma das formas mais elevadas de liberdade.

Nem todo medo merece obediência. Nem todo desejo exige satisfação. Nem toda provocação necessita de resposta. Nem toda oportunidade precisa ser perseguida. Nem toda certeza merece permanecer intacta.

A verdadeira força talvez não esteja em reagir com maior intensidade, mas em possuir liberdade suficiente para escolher quando reagir e quando não fazê-lo.

É por isso que dominar a si mesmo não deveria significar dominar a própria natureza. Uma natureza reprimida não se torna necessariamente uma natureza integrada; muitas vezes apenas aprende a esconder-se. Aquilo que negamos não desaparece. Pode mudar de forma, encontrar outras saídas, reaparecer em comportamentos que já não reconhecemos como seus.

A integração é mais difícil do que a repressão porque exige conhecimento.

Exige olhar para dentro sem transformar cada descoberta em condenação.

Exige reconhecer nossa agressividade sem glorificá-la; nossa fragilidade sem envergonhar-nos dela; nossos desejos sem transformá-los automaticamente em direitos; nossos medos sem permitir que eles decidam por nós.

Talvez seja esse o verdadeiro significado da onça dentro de nós.

Não um monstro a ser derrotado.

Não uma força a ser adorada.

Mas uma dimensão da própria natureza humana que precisa ser reconhecida, compreendida e integrada.

A onça não pergunta quem somos. Ela simplesmente existe.

Nós é que precisamos perguntar o que fazemos com aquilo que existe em nós.

E essa pergunta nos devolve à autoanamnese.

Porque investigar a própria história é perceber que somos feitos de camadas: memória e esquecimento, herança e ruptura, instinto e reflexão, necessidade e escolha. Somos consequência de acontecimentos que não escolhemos, mas também somos responsáveis pela maneira como continuamos a interpretá-los.

Não somos autores de tudo aquilo que nos aconteceu.

Mas podemos tornar-nos autores daquilo que fazemos com o que nos aconteceu.

Talvez essa seja a fronteira mais profunda entre condicionamento e liberdade.

Não escolhemos todos os impulsos que surgem.

Não escolhemos todas as marcas que recebemos.

Não escolhemos o primeiro movimento da consciência.

Mas podemos, pouco a pouco, aprender a escolher o segundo.

E talvez seja justamente nesse segundo movimento que comece a verdadeira autoria de uma vida.

Entre a sensação e o significado.

Entre o impulso e a decisão.

Entre aquilo que fomos ensinados a temer e aquilo que finalmente compreendemos.

Entre a onça que reage e o ser humano que observa sua própria reação.

É nesse intervalo que a existência deixa de ser apenas acontecimento e começa a tornar-se consciência.

Talvez conhecer a si mesmo nunca signifique chegar a uma resposta definitiva. Somos seres inacabados, atravessados continuamente por experiências que reorganizam nossa percepção, deslocam nossas certezas e revelam aspectos de nós que antes permaneciam ocultos. A identidade não é uma estátua concluída; é uma construção em movimento.

Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas “quem sou?”, mas:

“O que, dentro de mim, está participando da construção de quem estou me tornando?”

Essa pergunta exige coragem porque retira de nós a comodidade de sermos apenas espectadores da própria história.

Ela nos devolve responsabilidade.

E, com a responsabilidade, a possibilidade de transformação.

A onça continuará dentro de nós. O instinto continuará surgindo antes de muitas explicações. A razão continuará tentando compreender aquilo que a experiência apresenta. O passado continuará deixando rastros. Nada disso precisa ser eliminado.

O que pode mudar é a relação que estabelecemos com tudo isso.

Quando aprendemos a reconhecer o impulso sem nos tornarmos seu instrumento, a memória sem sermos prisioneiros dela, a razão sem transformá-la em máscara e a própria natureza sem precisar negá-la, alguma coisa essencial se modifica.

Já não somos apenas aquilo que nos atravessou.

Começamos a participar conscientemente daquilo que nos tornamos.

E talvez seja essa a forma mais profunda de liberdade: não a liberdade de deixar de possuir uma natureza, mas a liberdade de conhecê-la; não a liberdade de nunca sentir medo, desejo ou raiva, mas a liberdade de não entregar automaticamente a eles o governo de nossa existência.

A onça permanece.

Mas agora sabemos que ela está dentro de nós.

E saber disso muda a maneira como caminhamos pela floresta.

Marco Arawak

Cada um com o seu cada qual
E no final das contas
Nenhum ser humano é normal.

É cada um com o seu cada qual.
E no final das contas, verdade seja dita, nenhum ser humano, deveria ser considerado plenamente normal.

Cheguei numa fase onde tento viver um dia de cada vez.
Em alguns nem consigo viver, nem queira entender, apenas siga o fluxo em seu viver.


Levamos a vida em segredo, ninguém sabe o que sente ou suporta no íntimo do teu ser.


Deus é a única testemunha, aquele que consegue plenamente o descrever.


Terapia ou diálogo ocasional apenas esboça a nuance de uma realidade intrínseca do indivíduo. Porque nossas mentes, muitas vezes não coadunam com nossos lábios, e as palavras inalditas permanecem nas câmaras reservadas do silêncio, em algum lugar dos pensamentos, porque lá elas estão protegidas de nós mesmos, de serem usadas contra nossas próprias vidas.

A vida qual flor. Cada uma com sua beleza ímpar. Umas mais agradáveis e belas que as outras, e todas com uma função a cumprir durante seu lapso existencial. Ela surge exuberante e cativa a todos, mas seu fim encerra todo auge de sua glória.

E cada um tem o seu tempo determinado, quer queira ou não, seguimos qual num vagão de trem, uns iniciando e outros encerrando a sua viagem, umas curtas outras longas, mas ninguém fica nesse trem da vida terrena, todos estamos de partida, sem saber em qual estação nossa viagem finda.

Cada instante de vida é uma dádiva dos céus, e o ser humano ensoberbecido não possui capacidade para determinar quantos instantes haverá de viver, faz muitos planos, alguns consegue realizar, mas não possui o domínio de sua existência.

"Se no final do dia deu tudo certo, é porque Deus cuidou de cada detalhe"


Raphael Denizart

Em um mundo onde o dinheiro cada vez tem mais valor, a vida do ser humano nada vale. 08/09/2026

O valor de uma vida
Quem pode mensurar?
Cada uma tem seu tempo,
E ninguém pode calcular.
A maior riqueza na qual temos
Inevitavelmente e sucessivamente vamos gastar.
Até o último instante, no derradeiro suspirar.

Viver uma vida inteira produzindo arte é uma jornada de renascimento contínuo. A cada novo dia, temos a capacidade de nos reinventar e descobrir novos caminhos. É através dessa constante renovação que encontramos a verdadeira essência da nossa existência, explorando o potencial infinito que reside dentro de nós. Assim, moldamos nosso destino e abrimos as portas para um futuro repleto de possibilidades e crescimento pessoal.


A arte de ser igual e parecer diferente. De ser o mesmo e ter tantas faces, de me transformar em todos meus sonhos e viver umas vezes uma realidade não tão sonhada. De ser e existir da forma que escolhi e que me sinto bem, mas também de reproduzir as dores e os amores que me afloram a alma.
No meu olhar você vê simplicidade, no meu sorriso um brilho de espontaneidade, mas na minha arte, nessa vc vê toda verdade que posso transportar e a indescritível sensação de trilhar um caminho que faz sentido para a nossa essência. O sabor de cada pequena conquista é doce como mel, e, por mais desafiadoras que sejam as curvas da jornada, cada obstáculo superado traz consigo a certeza de estar no rumo certo. E não há maior motivação do que saber que a fé em Deus e confiança depositada em meu trabalho não foram em vão."






Militão dos Santos


Recife, 15/06/2026

Coração de Cavaleiro

Todas as dores tem nome e origem!

Cada ferida um troféu!

E cantam na noite escura

a tua saudade

sempre!

Cada sonho é um motivo

para ter fé na vida...

Na certeza

de que

"é possível mudar as estrelas!"



E nós amigos mudamos juntos

os Rumos do Mundo!

Nosso Mapa Astral!

Nosso destino foi Curado...!

Igual num filme de cavaleiro

Pandemia nossa de cada dia!
Tenhamos fé e coragem!
Pois você Já pensou em quantas pandemias enfrentamos
e nunca notamos?
A pandemia do cigarro,
das drogas e bebidas;
A pandemia da violência doméstica;
A pandemia do preconceito racial
e religioso;
A pandemia da homofobia;
A pandemia do machismo;
A pandemia da desinformação e ignorância;
A pandemia do consumo exagerado;
A pandemia da preguiça de ler;
A pandemia partidarista de esquerda e direita...
A pandemia da corrupção...
Tem mais alguma?

Cada alma tem seu próprio projeto de vida.

Por isso, não se apresse
quando alguém parecer estar à sua frente.

O ego compara,
mede, disputa e pergunta:
“Por que ainda não cheguei lá?”

A essência não pergunta isso.

Ela apenas vive.
Experimenta.
Aprende.
Muda de direção quando precisa.

Talvez você não esteja atrasada.
Talvez apenas esteja vivendo
uma história que não foi escrita para ser igual à de ninguém.

Há caminhos que não precisam ser comparados.
Precisam apenas ser vividos.

Parada definitiva


A cada vez que eu venho, eu ganho,
Cada vez que eu volto, não desperdiço,
Os teus afetos desestabilizam, deixam o coração disposto a querer mais e mais dessa bagunça incansável,
No final das contas, o que era "o recíproco momentâneo", virou parada obrigatória, virou a parada definitiva.

Cada coisa do passado, é um tijolo na construção do ser. Tentar se livrar dele é uma insanidade, por ser o mesmo que livrar de si.