Meu Amor Viajou
Meu silêncio não é deserto, é multidão, está lotado de tudo o que ninguém teve coragem de perguntar ou paciência de ouvir.
Treinei meu coração para bater em surdina, quanto menos ele chama a atenção, menor é o alvo para novas decepções.
Meu maior receio é a domesticação da dor, o dia em que eu parar de estranhá-la e passar a chamá-la de rotina.
Meu maior pavor não é a morte biológica, mas a morte sensorial: tornar-me um autômato que executa rotinas sem habitar a própria alma.
Escrever é o meu método de hemorragia controlada: deixo sair a dor para que ela não me mate por dentro.
Guardo um grito educado que pede licença para ecoar. Como ninguém responde, ele fez do meu peito sua morada definitiva.
Meu coração não conhece a economia do afeto, ele quer o inteiro, a verdade absoluta, e quase sempre recebe o troco em ausência.
Deus é responsável pelo meu ateísmo. se ele realmente existe, isso reforça os argumentos sobre sua irresponsabilidade; mas se não existe, estarei sendo tolo por gastar meu tempo tentando desaprovar alguém que é fruto da carência e imaginação humana.
PENSAMENTO ALADO...
O meu pensamento é livre quando cria asas e vai de encontro ao teu.
E ele encontra?
Fugiu agora e em ti se perdeu!
POR QUE?
Já que não era pra ser, cruzou no meu caminho, por que?
Agora fico desse jeito, corpo e alma pendurada em voce…
MATIZES DE UM SONHO...
Em meu sonho preto e branco vou pincelando com todos os matizes em cores… Que dê luminescência a todas minhas angústias e dores… Finalizo com o esplendor do sol e dobro dentro de mim essa paisagem de papel e minha vida sempre tem cor quando avisto um arco Iris no céu…
No caminho que sigo a terra é árida, mas é regada com minhas lágrimas secas para que no meu jardim de ilusões a esperança pelo menos não pereça.
Quero um dia acordar dessa simbiose com o meu filho autista e que ele olhe nos meus olhos, segure as minhas mãos e diga: - Despertei. O pesadelo acabou!
Cada linha de expressão em meu rosto são caminhos que percorri e cada ruga são marcas da vida que venci.
MÃE ATÍPICA: A RECONSTRUÇÃO
Minha relação de mãe atípica com meu filho é absoluta!
Ele foca no nada e eu no tudo.
Sou alicerce e o porto.
Ele a ponte e o muro.
No cansaço me despedaço...
Ele se perde nos seus pedaços.
Me ergo para reconstruir o castelo de vidro.
Que ele quebrou numa mente dispersa no infinito.
Somos feitos de fragmentos de dor,
Mas inteiros nessa simbiose do amor.
Não me peça calma, se não conhece minha luta.
A neurodiversidade não tem culpa.
Lu Lena
Minha nova fase, nova marca!
Pessoal, a partir de agora, o meu conteúdo ganha um novo detalhe em minha assinatura: o ano de criação. Essa mudança marca o início de um processo de reformulação, onde a minha intenção passa a ser um estilo mais atualizado.
Essa mudança na assinatura será adotada sucessivamente daqui para frente (e também nas revisões dos textos anteriores) onde tenho minha coletânea no Site Pensador, mas fiquem tranquilos, pois os mesmos manterão a sua originalidade, quero apenas torná-los mais modernos, permitindo que os que apreciem meus escritos acompanhem a minha evolução.
O antigo se encontra com o moderno! Fiquem atentos às novidades que estão por vir!
Lu Lena / 2026
Mas ali, no silêncio do meu arrependimento,
ouço passos de misericórdia se aproximando.
Não são passos de acusação,
mas de um Pastor que conhece cada ferida minha.
Ele não desvia o olhar da minha vergonha,
Ele a atravessa com amor.
E, com mãos marcadas por pregos,
não me aponta o dedo —
me ergue.
