Metade
"Não me entrego pela metade e não sei transbordar em águas rasas. Se for para tocar a minha alma, que seja com a profundidade de quem não tem medo de se afogar em mim."
Às vezes, na ausência de mim, descubro que
o mundo continua… e eu fico suspenso entre
metades de mim.
"Se você gastasse metade da energia que usa tentando me sabotar para fazer o seu próprio trabalho, provavelmente teria resultados melhores."
O Brasil seria um país infinitamente melhor se as pessoas dedicassem metade da energia que gastam com falsidade e maldade para apoiar, ou pelo menos respeitar, quem tem a coragem de apresentar ideias mirabolantes.
Na metade da vida, a gente descobre que o tempo não corre mais para a frente: ele começa a se despedir.
Dizem que o amor é uma ponte, mas descobri que a minha só chegava até a metade. Do outro lado, encontrei apenas o silêncio. É estranho como o coração insiste em bater forte por alguém que já seguiu em frente, como se houvesse uma esperança escondida em cada lembrança nossa.
Mas a verdade é que não se vive de lembranças. Amar você foi fácil; difícil é desaprender a te procurar em tudo. Hoje, eu me despeço não do que tivemos, mas do que eu achei que poderíamos ter sido. Fico com a paz de saber que amei de verdade, com toda a intensidade que eu tinha, mesmo que eu tenha sido o único a cruzar essa ponte.
1477
"Continuo sem entender mais da metade dos textos que leio em sites de textos. Em parte não entendo certos termos para indicar o que deveriam ser outros termos. E também porque não entendo a ideia, o sentido do que querem dizer. O melhor: Alguns acham que o problema está Em Mim ou Comigo, HeHeHe!"
TextoMeu 1477
"Não entendo mais da metade dos textos que vejo em sites (de textos) na Internet. Será que estou com defeito? Será que o defeito é em Mim?"
TextoMeu 1388
Janela de Baade
para enxergar se
és meu de verdade,
Não quero a metade,
quero completo
e sem saciedade.
Talvez se os “de bem” se libertassem da hipocrisia, já seria o bastante para resolver metade dos problemas no mundo.
Isso incomoda porque expõe uma contradição silenciosa: o rótulo de “bem” muitas vezes não nasce de virtude, mas de conveniência.
É mais fácil vestir a moral como um uniforme do que praticá-la como um exercício diário.
A hipocrisia, nesse cenário, deixa de ser um desvio e passa a ser um mecanismo de proteção — um escudo que permite condenar no outro aquilo que não se quer reconhecer em si mesmo.
Há uma espécie de conforto em apontar o erro alheio.
Ele cria a ilusão de superioridade sem exigir transformação.
Enquanto isso, a coerência — essa sim, exigente — cobra silêncio antes do julgamento, escuta antes da reação, e, principalmente, revisão antes da acusação.
Não é à toa que ela é tão rara.
O problema não está apenas nos que erram, mas nos que se absolvem com facilidade demais.
Porque quando a régua moral muda de acordo com o interesse, o conceito de “bem” se torna elástico, moldado pela conveniência e não pela consciência.
E aí, o discurso vira palco, mas a prática continua nos bastidores — muitas vezes em desacordo com tudo o que se defende em voz alta.
Libertar-se da hipocrisia não é só um gesto grandioso, é um exercício muito incômodo.
Exige reconhecer falhas sem terceirizá-las, alinhar discurso e atitude, e abrir mão da necessidade constante de só parecer certo.
Talvez por isso seja tão evitado: porque é mais difícil ser íntegro do que parecer correto.
Se metade dos problemas do mundo nascem dessa incoerência cotidiana, então a solução não está em grandes revoluções, mas em pequenos alinhamentos.
Menos discurso inflamado, mais prática silenciosa.
Menos julgamento, mais autocrítica.
Menos aparência de virtude, mais esforço real para vivê-la.
No fim, não é sobre deixar de errar — isso é inevitável.
É sobre deixar de fingir que não erramos.
Porque, talvez, o verdadeiro “bem” comece justamente onde termina a necessidade de parecer bom.
Sem a covardia de muitos que se julgam bons, os maus jamais subsistiriam.
"Não sou metade.
Não quero metade.
Não sei viver de metades.
Quem procura metade ama pela metade,
e eu só sei amar por inteiro!"
Haredita Angel
12.06.19
PERSPECTIVAS (LETRA MUSICA)
Eu me vi no vidro do ônibus
Com metade do rosto em sombra
A outra metade fingia
Que sabia onde pousa a culpa
Na calçada, cada passo
Traz um mapa que se rasga
Tem razão que vira muro
Tem emoção que vira lâmina
Eu falo como quem aponta
Mas por dentro eu me desmonto
Porque a certeza é um quarto
Com a janela sempre torta
Se eu olho só de um lado
A verdade perde um olho, então
E o que parece sentença
Muda de nome no chão
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Toda história tem dois lados
E a certeza é só escultura
Um olho vê
Outro sente
A mesma rua
Em duas vertentes
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Tem gente que veste a própria fome
Como se fosse filosofia
Condena a chuva no vizinho
E ignora a própria goteira
Joga pedra no espelho
Pra não encarar o seu reflexo
Chama de amor o que aprisiona
Chama de ordem o que é vexo
E eu também já fui fronteira
Defendendo o meu deserto
Sem notar que a mesma areia
Mudava quando eu estava perto
Se eu dou um passo pro vazio
O horizonte muda a cor
O que eu chamava de destino
Pode ser só outro olhar
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Toda história tem dois lados
E a certeza é só escultura
Um olho vê
Outro sente
A mesma rua
Em duas vertentes
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Às vezes a mente é uma encruzilhada
Com pressão cruzando a madrugada
Razão de um lado, emoção do outro
E eu no meio, inteiro e torto
Tem luz que cega
Tem sombra que guia
Tem ódio que pede colo
Tem amor que se esvazia
Eu quis caber numa resposta
Mas a resposta me cabia?
Não sou uma linha reta
Sou curva, breu e ventania
Se eu caio no meu próprio vazio
Quem me levanta é uma dúvida
Se eu falo que já entendi
É porque ainda falta rua
E a cidade me devolve
Meu rosto em mil pedaços
Cada passo abre um mapa
Cada mapa abre um abismo
Se eu olho só de um lado
A verdade perde um olho, então
E o que parece sentença
Muda de nome no chão
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Toda história tem dois lados
E a certeza é só escultura
Um olho vê
Outro sente
A mesma rua
Em duas vertentes
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Eu não quero mais a chave
Que fecha tudo em meu peito
Quero a fresta, a travessia
O pedaço imperfeito
Quero ver sem querer vencer
Quero ouvir sem me blindar
Porque a vida, quando abre
Não cabe em um só lugar
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
Toda história tem dois lados
E a certeza é só escultura
Um olho vê
Outro sente
A mesma rua
Em duas vertentes
Toda história tem dois lados
Toda verdade tem rachadura
*inteira pela metade*
prefiro te imaginar rindo inteira
em outro abraço,
do que te ter aqui
pela metade.
metade não me aquece,
metade me confunde,
metade me faz ficar
onde já não estou mais.
se for pra ser minha,
que seja inteira.
se não for pra ser inteira,
que seja livre.
e que eu aprenda,
mesmo doendo,
a amar o que você se tornou
longe de mim.
(Saul Beleza)
