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Gratidão deve ser exercida sempre, em momentos de alegria, por estarmos vivenciando a dádiva e em momentos de aflição, pela provação nos dadá.
Não me recordo de não ter sofrido em alguma etapa da minha vida, tudo que tenho recordações, de uma forma ou outra, estava enfrentando algo, passando por algo, essas recordações me fazem ver o quão tive que ser forte para me manter de pé, o quão suportei coisas para não proferir minha raiva, quando tratado como um objeto, vou continuar nessa linha, não tenho escolha. As memórias de cada sessão dolorosa ou de cada olhar de piedade se misturam em meu passado como um mosaico de batalhas vencidas e perdidas, reconhecer que cada cicatriz, visível ou não, foi conquistada a ferro e fogo me mostra que minha força é menos sobre ausência de fraqueza e mais sobre a resiliência que surge quando “não ter escolha” se torna um chamado à sobrevivência.
Pessoas mal resolvidas andam destruindo outros seres humanos, vejo o reflexo dessa destruição em cada comentário disfarçado de “conselho” que recebo, como se eu precisasse de “dica de vida.” Reconhecer a dor alheia como um projeto de poder me faz repelir qualquer ajuda guiada por interesse, mas também me isola, pois me torna cético até diante de intenções genuínas.
Aprendi a me afastar dos olhares que ferem, não mudo o outro, mas escolho onde repousa minha energia. Preservar-me, às vezes, é dizer adeus ao que já foi essencial.
Não sou frio, sou triste.
Mas tristeza profunda não faz barulho. Ela aprende a se disfarçar em silêncios longos,
em olhares vazios que já desistiram de explicar.
Aprendi da forma mais dura: deixar o coração de lado e usar o cérebro como escudo. As pessoas são guerras silenciosas, pensam em si antes de estender a mão. Minha compaixão virou alvo, minha fragilidade, exploração. Hoje, sou um general cauteloso, planejando cada passo
em terreno hostil, pois a confiança cega só trouxe dor.
Houve momentos em que um abraço era tudo que eu precisava… mas ninguém estava lá. A solidão se torna um grito mudo, um vazio que aperta o peito, quando o corpo implora por calor e só recebe o frio implacável das paredes gélidas. Nessas horas, a ausência do toque se torna tortura, e o abraço que nunca veio rasga ainda mais a minha alma já despedaçada.
Algumas dores não cicatrizam, apenas aprendem a dançar sob a pele. Basta um sopro do acaso, um toque esquecido, e a antiga ferida desperta, como flor que renasce na chuva. Mas mesmo na dor que retorna, há sinal de vida, o corpo sente, o peito ecoa, a alma respira. E enquanto houver esse delicado eco, há esperança costurada no silêncio.
Mesmo cercado de vozes, às vezes sou só silêncio. Aprendi que a solidão não mora na falta de pessoas, mas no espaço invisível entre o que sinto e o que o mundo enxerga. Há dias em que sou multidão por fora e deserto por dentro, mas ainda assim, sigo procurando um olhar, um gesto simples, que me alcance além das palavras.
Diante de uma esfera que reflete o mundo ao redor, não me reconheço no reflexo. Ainda vejo o menino assustado, encolhido na própria pele. Vejo o covarde que, apesar dos anos, não encontrou força para enterrar seus próprios demônios e talvez nem tenha decidido se quer viver sem eles.
BALANÇO DOS ANOS 40
Recebi a vida sem pedir nada.
Cresci.
Aprendi a exigência do amor,
a impaciência da crise.
Perdi luz.
Enfraqueci ideais.
Conquistei planos.
Queria um aeroplano
vivaz e transparente
para me levar pelos tempos
(presente, futuro, passado)
Em busca de mim,
em busca do outro.
Da quietude dos campos,
com cavalos pastando
entre fontes inquietantes
de vilas perdidas.
Borbulhantes,
sadias,
por entre mil romarias.
O coração entre preces, amor, fantasias.
O cotidiano quebrado
como a semente do milho
caída na terra,
germinando,
gemendo a cada ciclo
por vida.
(abril/ 1992)
Nascer. Aprender. Crescer. Amadurecer. E, finalmente, Evoluir.
São as fases necessárias para a transformação do nosso ser.
Etapas de preparação para o estágio seguinte.
Erradamente a vida é tida como garantida.
Todavia, a vida é dinâmica e mutável.
Aprendemos todos os dias.
Amadurecemos todos os dias.
Mudamos a forma de pensar e encarar a vida todos os dias.
Estamos em constante evolução.
Aquele que não aprendeu e não amadureceu com as lições do ano 2020, jamais conhecerá a transformação existencial da alma.
O passar dos anos e, consequentemente, o avançar da idade dos nossos filhos, levam-nos à reflexão sobre o sentido da vida, objectivos, metas, prioridades e sonhos pessoais.
A nossa caminhada na vida é difícil mas, simultaneamente, é enriquecedora.
Aprendemos a cada segundo.
E devemos ser versáteis para nos adaptar às mudanças constantes que ocorrem na vida.
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