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Circo é lugar de palhaço? Acho que vou mudar o nome do meu coração para circo.

E quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa.

Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Tem uma coisa que ninguém sabe: Meu coração vai continuar sendo dele, mesmo que o tempo passe.

Sou feita de choros sem ter razão, pessoas no coração, atos por impulsão.
Eu sou amor e carinho constante, distraída até o bastante, não paro por instante.
Já tive noites maldormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não prometidas.
Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar. Pensei em fugir, para não enfrentar, sorri para não chorar.
Tenho saudades de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo,
amigos que acabei perdendo. Mas continuo vivendo e aprendendo...

Martha Medeiros

Nota: Autoria não confirmada.

Tão liso está meu coração,
tão lisos, meus pensamentos,
que as lágrimas rolarão,
e os contentamentos.

Cecília Meireles
MEIRELES, C. Mar absoluto e outros poemas. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1945.

Um coração nobre não pode suspeitar que haja nos outros a baixeza e a malignidade que não existe nele.

Coloque o seu coração, mente, intelecto e alma até mesmo para seus menores atos. Este é o segredo do sucesso.

‎Fantástico: o mundo por um instante é exatamente o que o meu coração pede.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Estou um pouco desnorteada como se um coração me tivesse sido tirado, e em lugar dele estivesse agora a súbita ausência, uma ausência quase palpável do que era antes um órgão banhado da escuridão da dor. Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir.
Mas estou também inquieta. Eu estava organizada para me consolar da angústia e da dor. Mas como é que me arrumo com essa simples e tranquila alegria. É que não estou habituada a não precisar de meu próprio consolo.

Clarice Lispector
Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Nota: Trecho do texto Tanta mansidão.

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Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade. Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?

As pessoas me conhecem pelo que elas enxergam, mas não conhecem o meu coração.

Essa vida viu Zé, pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crônica "Zelador".

‎Meu coração surrado deu de arrancar o curativo, deu de cutucar o machucado...

Creio que fui abençoada com um coração meiguíssimo e em contrapartida com um pavio bem curto.

Sinto meu coração mais enfermo do que aqueles que definham sobre um leito de dor.

Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crônica "Zelador".

Você precisa ser criativo, ter coração forte. Você precisa tentar coisas que talvez não funcionem, e você não deve deixar ninguém definir seus limites, porque o seu único limite é a sua alma.

E o que eu deveria fazer, quando meu cérebro e meu coração me dizem pra esquecer, mas eu não esqueço? Bater a cabeça na parede até não lembrar mais.

Que suave é o ar!
Como parece
Que tudo é bom na vida que há!
Assim meu coração pudesse
Sentir essa certeza já.
Mas não; ou seja a selva escura
Ou seja um Dante mais diverso,
A alma é literatura
E tudo acaba em nada e verso.

Sem tempo pra ler, pra escrever, pra olhar pro céu, um olho nos jornais, outro no coração das pessoas. E tudo tão rebentado - ou arrebentando.