Mensagens de Silêncio
Existem acontecimentos que não combinam com as palavras. Foram feitos para o silêncio, porque não podem ser tocados na sua inteireza. Qualquer descrição seria uma forma de empobrecimento.
No silêncio que precede o estrondo, há quem fure os próprios tímpanos.
Os fatalmente entediados não admitem perturbações que não o ruído seco das pás com que, diligentemente, cavam as próprias covas; e caso olhássemos nos olhos dessa gente, veríamos estampada a fronte melancólica da covardia.
Aqui no meu quarto, olhando pro teto, ouvindo uma música, querendo afeto.
O silêncio da noite é um barulho intenso (dentro de mim)
Parece o vento que vem soprando,
Poeira sem fim...
Noite escura, barulho e vento,
é tudo imenso. É o meu pensamento.
O sax do Manu Dibango foi calado pelo Coronavírus. Na partitura do silêncio, a imprensa não emitiu sequer uma nota!
Sinto a minha alma a clamar por liberdade,
Por algo que me faça sentir especial.
E no silêncio da noite, solitário e perdido,
Encontro um pouco de paz e de solidão.
No meu íntimo há um mundo infinito de sonhos e desejos a me embalar, sinto-me um ser pequeno e limitado diante de tanta imensidão a me cercar.
Sou um fragmento de tudo o que existe, um grão de areia perdido na imensidão, mas ainda assim carrego em mim a chama da paixão que me move em direção a algo que a mim não parece são.
Então, deixe-me mergulhar no abismo, e encontrar a paz no nada, pois não há nada mais libertador do que a aniquilação de si mesmo.
No silêncio profundo da noite, onde tudo é mistério e sombra, minha alma de perde em devaneios, e meus pensamentos de desdobram.
Na profundidade do meu ser, sinto o universo inteiro.
Sou um oceano a transbordar, e não sei se quero ou se espero.
As palavras escapam de mim, como pássaros livres no ar. E eu me perco nesse labirinto, sem saber como voltar.
Mas é nessa imensidão de mim que encontro a minha verdade. E percebo que a vida é assim, uma busca sem fim, sem idade.
Eu sou o que sou, sem definição, sou a soma do que vivi.
Mesmo que a vida seja escuridão, é preciso olhar além do que se vê. A beleza está nas coisas simples, que as vezes não sabemos ver. É preciso olhar com os olhos da alma para verdadeiramente viver.
E hoje eu escrevo essa poesia, com a alma cheia de você.
Desculpa quando eu sumo
Isso é o contrário do que eu queria fazer
Desculpa quando eu silencio
Faço isso quando aqui dentro tudo fica inquieto demais para saber o que falar
A minha aparente inconstância
É a prova de que você permanece aqui
O verbo das minhas entrelinhas
O silêncio que ensurdece
A calmaria da minha loucura
A ebulição dos meus pensamentos
Estranho querer falar quando só me resta o silêncio
Estranho esperar sem saber até quando
Estranho te sentir mesmo não estando
Estranho o que essa falta sussurra, ou melhor, grita aqui dentro
Estranho ser o contrário do que desejo
Estranho a falta dos minutos nossos
Estranho o que permanece sem nunca estar aqui
Não precisamos revidar as ofensas, ficar em silêncio é a melhor coisa a se fazer, mesmo que o instinto o leve à raiva ou às lágrimas.
Isso é ter maturidade e paz de espírito.
Não deixe que pessoas tóxicas te contamine.
O silêncio é o remédio certo para curar a alma ferida. Faz desaparecer tudo aquilo que já não faz mais sentido, te deixando mais forte.
É algo libertador.
Metade que Respira em Silêncio"
Eu sinto um nome que nunca ouvi,
um toque que nunca me alcançou,
mas que arrepia a alma...
como vento que dança antes da chuva.
Não é ausência, é espera...
Não é saudade, é presságio...
Há um coração batendo ao avesso do meu,
na mesma frequência de um sonho que insiste.
Sei que existes, embora a pele ainda negue.
Teus passos erram rotas que o destino disfarça...
mas tua procura é uma prece que escuto
nas entrelinhas do silêncio do mundo.
És verso que me falta no poema...
sombra que se encaixa na luz do meu riso...
eco do que sou quando fecho os olhos
e confio que o amor tem memória.
Um dia, teu olhar vai tropeçar no meu,
não como acaso, mas como retorno.
E saberemos, sem perguntar,
que enfim, encontramos o caminho de casa.
"O Preço do Amor"
Recebeste em silêncio o calor do meu colo...
Nas noites sem sono, eu vesti tua dor...
Meus braços foram teu primeiro consolo...
E minha vida, teu mapa de amor.
Dei-te o tempo que o mundo não dava...
Fiz do meu peito abrigo e guarida...
Com lágrimas minhas tua febre baixava...
Cada cuidado, uma parte da vida.
Mas eis que o tempo virou o espelho...
E os dias dourados se foram no chão...
Agora cansada, suplico um conselho:
Preciso pagar-te por um coração?
Se não há salário, não há gentileza...
Se não tem valor, não sobra afeto...
Sou só tua mãe — sem mais nobreza,
Na velhice, teu olhar ficou discreto.
Ah, filha querida, onde está tua alma?
Trocastes o amor por um contrato frio?
Esqueceste da fonte, da estrada, da calma,
Do leite ofertado nos dias vazios.
Talvez um dia o mundo te ensine,
Que afeto comprado tem prazo a vencer.
E quem vende o tempo por um “me convine...”
Não sabe o que é realmente viver.
Há solidões que nenhum bom dia virtual consola...
Carinho que chega só por tela é silêncio disfarçado de mensagem.
Silente contemplação
Há quem me dera o silêncio,em silente contemplação.
Cujo o mais alto som que eu já quisera ouvir, fosse a minha respiração.
Silente Jeito de amar.
Há! este amor calado em meu peito,
que em silêncio achou um jeito de lhe falar.
Deveras, o amor não tem defeitos,
na cumplicidade dos olhos silentes,
se fez revelar.
O amor não se explica,
complicado fica,
quem tenta explicar.
É uma ardência no peito,
um sorriso sem jeito,
ao tentar se expressar.
É assim que te amo,
e ao passar-se os anos,
assim vou te amar.
Autor Cícero Marcos
