Mensagem Religiosa

Cerca de 114561 mensagem Religiosa

O Estado laico não declara que todas as religiões são verdadeiras; declara que nenhuma pode ser juridicamente obrigatória, deixando em aberto a própria questão metafísica que o agnosticismo se recusa a encerrar artificialmente.

Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?

O homem deseja certezas porque o desconhecido lhe parece um tribunal sem juiz; então inventa deuses, teorias e sistemas para preencher o silêncio.

Nenhum Estado, religião ou maioria deveria transformar uma pessoa em instrumento de uma finalidade que ela própria não poderia racionalmente reconhecer.

O agnosticismo não é a religião da dúvida; é a disciplina intelectual de não transformar ignorância em certeza.

Entre afirmar que Deus existe e afirmar que Deus não existe existe um território silencioso onde a razão pode simplesmente admitir: ainda não sabemos.

A religião frequentemente promete respostas onde a filosofia encontrou perguntas, e talvez seja precisamente essa diferença que explique sua força.

O medo constrói deuses com a mesma matéria com que constrói prisões: a necessidade humana de encontrar segurança diante do desconhecido.

A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.

A ciência não destrói Deus; apenas se recusa a colocar uma hipótese metafísica onde uma evidência empírica é exigida.

Entre o dogma religioso e o dogma cientificista existe uma fronteira preciosa: a humildade epistemológica.

O agnóstico não necessariamente duvida de Deus; duvida da pretensão humana de possuir uma resposta definitiva sobre Deus.

A ciência não deveria ocupar o lugar da religião, assim como a religião não deveria ocupar o lugar da ciência. O espaço entre ambas pertence à liberdade intelectual.

O agnosticismo não é o culto da dúvida; é a recusa de transformar desconhecimento em certeza.

O Direito deveria desconfiar tanto do poder que invoca Deus quanto daquele que invoca a ciência para escapar do debate público.

O trabalho não apenas ocupa as mãos: ele disciplina o espírito, afasta o tédio, contém o vício e transforma a necessidade em dignidade.

A dúvida inquieta o espírito, mas a certeza absoluta o aprisiona; entre ambas, a razão constrói sua liberdade.

A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.

O homem inventou deuses à sua imagem e, depois, passou séculos perseguindo aqueles que tiveram a insolência de desenhá-los de outra maneira.

A religião pode oferecer sentido à existência; o perigo começa quando alguém pretende converter esse sentido pessoal em legislação universal para consciências alheias.