Mensagem de Saudade
simples mas real, doce e inusitada calmaria,
envolve o instante no passado não muito distante.
Perfeitas ilusões despertam meu agreste com saudoso sabor.
O palavras sem sentido que alegam o amor.
não existem palavras ou sentimentos,
não existem razões nem vontade,
nada existe além de um talvez,
e é tudo tão vazio que, nem a razão,
nem o sentimento serão capazes de conjugar esse verbo que não existe.
dor sem sentido, sentimento vazio,
de uma saudade que se perdeu . .
Há algo que não se altera ao longo do tempo, nas coisas
que realmente nutrem minha alma.
Anseio pela conexão que vai além do físico e do emocional,
pelos momentos raros e desprotegidos em que os corações se conhecem além das palavras.
Saudades curtas.
Via WhatsApp, recebi um breve vídeo de cerca de um minuto, registrando na praia, a beira do mar, casal de idosos, bem idosos, que brincam de chutar a água para molhar o outro, como crianças/adolescentes, uma cena de um lirismo, cumplicidade e carinho que emociona, ratificando que: amor não tem idade!
"As vezes pensamos que a dor do luto nunca vai passar. É que a gente tenta se acostumar a viver com ela, mas sempre que relembramos nossa história, é como se a ferida fosse reaberta e a dor se torna mais intensa, quando na verdade precisamos entender que elaborar o luto é esperar até que Deus venha cicatrizar nosso coração, encerrando esse sofrimento."
Uma boa lembrança não pode afagar um ente querido, mas serve como lareira a queimar a lenha da saudade
O saudosismo é uma sensação tão poderosa, ao ponto de projetar na existência humana, uma extrema necessidade de acreditar em uma realidade paralela onde o esquecimento, a morte, a dor e o sofrimento não existam, por mais que isso seja uma vã e tola ilusão do eu. Os pressupostos de pós-vida são muletas Metafísicas de subterfúgio de sentido existencial, fruto do desespero mediante o desamparo e separação dos entes que amamos.
Quisera
Quisera não poder,
Amar-te como te amo agora,
Quisera não te perder,
Em nenhuma hora,
Nem por um segundo,
Quisera eu te deixar,
Mas fazes parte de outro mundo,
E devo a teu amor renunciar.
Quisera eu ser o motivo,
De tua felicidade,
Mas nem vi teu sorriso,
Pra mim restou à saudade.
Quisera eu que o brilho,
De alegria em teus olhos,
Fosse para mim,
Restou-me apenas,
Lágrimas de carmim,
E um coração partido,
Mortalmente ferido.
Autor: Agnaldo Borges
23/09/2014 - 22:45
SINTO FALTA I
Sinto falta de muita coisa ou de quase nada,
Sinto falta do que era simples, inocente,
Sinto falta do que não entendia
e de contos de fada,
Sinto falta da poesia,
Do sol poente.
Sinto falta de Castro Alves a Manoel Bandeira,
Sinto falta de Gonçalves Dias a Tom Jobim,
Sinto falta dos frutos de minha goiabeira,
Sinto falta da inocência que chegou ao fim.
Sinto falta de poemas e versos,
Que um dia fiz e hoje perdidos ou dispersos,
Sinto falta de amigos, de minha mãe e de meu pai,
Sinto falta de sonhos e tenho saudades que do coração não sai.
Autor: Agnaldo Borges
24/04/2005
APENAS
Deixe-me apenas te abraçar,
Num breve espaço de um momento,
E sentir teu coração pulsar junto ao meu.
Deixe-me apenas te amar,
Num breve espaço da imortalidade,
E sentir teus lábios junto aos meus.
Deixe-me apenas te demonstrar,
Num breve espaço de uma vida,
O quanto te quero entre meus braços.
Deixe-me apenas fazer ondas em teus cabelos,
Num breve espaço de um segundo,
E torne-se meu mundo.
Deixe-me apenas entrar em teu coração,
Num breve espaço da eternidade,
Pra nunca mais existir em mim a saudade.
Autor: Agnaldo Borges
27/06/2017 – 19:00
AMOR
O primeiro amor é inocente,
O último amor é maturidade.
O primeiro amor é tímido,
O último amor é valente.
O primeiro amor é saudade,
O último amor é ausência.
O primeiro amor é vontade,
O último amor é vivência.
O primeiro amor é passageiro,
O último amor é o condutor.
O primeiro amor é guerreiro,
O último amor é pacificador.
O primeiro amor é memória,
O último amor faz história.
O primeiro amor é paixão,
O último amor soma a razão.
O primeiro amor é sofreguidão,
O último amor é compaixão.
O primeiro amor é sonho,
O último amor é risonho.
O primeiro amor é tudo isso,
O último amor também.
O primeiro amor é nada disso,
O último amor vai além.
O primeiro amor é indescritível,
O último amor é incrível.
O primeiro amor é pra sempre,
O último amor é pra agora.
O primeiro amor explode,
O último amor sacode.
O primeiro amor são todas as horas,
O último amor todos os segundos.
Autor: Agnaldo Borges
15/08/2017 - 02:07
Sou
Como filho que um pai perdeu;
Como irmão sem irmão;
Como amigo que já viu outro partir;
Como cônjuge abandonado por seu par;
E o coração assim do peito se desprendeu,
E ficou o gosto amargo da desilusão,
De não poder ver nenhum de seus rostos mais sorrir.
E o que mais doeu,
O que mais dói,
É esse sentimento que corrói,
Chamado saudade,
Que é o misto de carinho e amizade,
Ternura e cumplicidade.
E o que é essa tal de saudade que me causa dor,
Na resposta de uma criança descobri,
E assim veio a esperança e ternamente sorri,
E deixo a dica:
Saudade é o amor que fica.
E o que é o tempo?
E o que é o tempo?
É aquele momento dum beijo que me tira o fôlego
e se eterniza no coração!
Mas também são as horas de sofrimento em solidão,
que me deixa triste e trôpego.
O que é o tempo?
São as horas corridas
em folguedos e alegrias!
Mas também são os minutos transcorridos pela ansiedade
entre a tua partida e a tua chegada
Minha amada!
O que é o tempo?
É a saudade que teima em ficar,
Pois o amor sofre com a distância e com a ausência,
Pois ele só sabe e pode duas coisas: amar e perdoar.
O que é o tempo?
Pode ser linear ou ciência,
Talvez eu não o saiba conceituar.
Apenas sei que ele passa, passará.
Mas eu continuo a te amar.
Autor: Agnaldo Borges 04/03/2018 - 22:51
DEPOIS DA CURVA, HÁ UM RIO
Pouco importa o sol ardente,
O rosto molhado e a garganta seca;
Pouco importa a poeira da estrada,
Os pés descalços e as pedras no caminho;
Pouco importa o andamento sem fim,
As pernas cansadas e o quase parar;
Pouco importa as quedas sofridas,
Os laços desfeitos e o tempo perdido;
Pouco importa o pensamento distante,
A saudade no peito e a incerteza constante;
Pouco importa se a vida é dura,
Os sonhos são muitos e o tempo é pouco;
Depois da curva, há um rio.
Após longos anos de ausência, perguntei ao meu velho avô:
- O que aconteceu por aqui? Por que nossos campos já não são mais belos?
Com a mesma simplicidade de sempre, ele respondeu-me, sem demonstrar qualquer espanto:
- Não houve nada, meu filho. Foi você que cresceu tanto, que já nem consegue mais ver as coisas que antes sentia.
O frio que vem de dentro
Aqui está bem frio.
Faz uns três anos que não ficava assim.
Mas não é a esse frio que me refiro.
O meu vem de dentro —
de uma saudade,
de uma ausência...
É a falta de algo que nunca tive,
não nesta vida...
e nem sei dizer em qual deve ter sido,
mas meu corpo sente —
e não desiste.
Fui dormir,
e meu peito queimava gelado,
se expandindo por todo o corpo,
me deixando gélida.
E não há edredons,
nem cobertores que me aqueçam,
até que eu durma
e, finalmente, o esqueça...
Um dia pode ser que veja perdidos em algum canto pela casa, pela Internet ou até mesmo pela vida as minhas frases escritas e jamais ditas. Meus poemas escritos e jamais vividos, meus sonhos sonhados e que não puderam ser mais realizados.
