Memória de Elefante

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A memória é pássaro que pousa em qualquer janela. Quando pousa, canta e revela céu. Algumas músicas me levam a lugares que nem sei nomear. Elas nascem de saudade e terminam em consolo. E eu as coleciono como quem junta estrelas.

Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.

Viver é equilibrar-se no fio da navalha entre a memória que nos prende e a esperança que nos puxa, tentando não cortar os pés enquanto caminhamos em direção a um futuro que nunca promete nada, mas que nos seduz com a possibilidade de um novo amanhecer.

Ao olhar uma estrela cintilante, não sei se seu brilho é verdade ou apenas a memória de uma luz extinta, que há muito deixou de existir. Talvez não seja ela que se perdeu, mas eu, que permaneço no lugar errado.

O regresso é miragem, um delírio da memória, a farsa de que ainda existe um ontem em nossas mãos.

Deus tirou-me do caos e deixou lembrança,
essa memória vira gratidão que não some,
o passado me lembra onde cresci e renasci,
gratidão vira mapa do meu novo começo.

Não peço para esquecer, peço forças para caminhar ao lado da memória.

O chá verde faz bem para a memória, embora eu não me lembre pra quê.

Mente = diferenciação + memória + controle

O ressentimento é a memória emocional que se recusa a morrer porque ainda espera vingança.

A consciência não é o acúmulo de dados, mas a arte de saber o que esquecer para que a memória possa, enfim, criar.

A memória não se refere ao passado, pois esse não existe, é uma ilusão. Só podemos nos fiar no momento e na nossa pequena bagagem.

A memória é as emoções. Quanto mais repetimos mais chance temos de encontrar uma resposta emocional, mais chance temos de lembrarmo-nos. Assim, com o tempo, tudo será lembrado.

“A memória não é um arquivo intacto; é uma narrativa viva que o presente reescreve todos os dias.”
A Mente Enganada — Nina Lee Magalhães de Sá

“Muitas vezes, não vemos a realidade; vemos a realidade filtrada pelo medo, pela memória e pela defesa do ego.”
Do livro O Observador Interior, de Nina Lee Magalhães de Sá.

Por enquanto vou guardando na memória todos esses pesadelos, para que um dia eu possa enfim desfrutar dos louros da vitória, com a honra e glória do meu Deus.

Na morte de um pai,
a memória insiste em
reconstruí-lo em detalhes,
as palavras, o sorriso,
o olhar, os gestos
— só para depois
deixá-lo partir outra vez.

Dá pra pintar um novo amanhã, mas as tintas e pincéis não podem ter memória...

"" Seria interessante se nossa memória pudesse voltar e apagar lembranças que não fazem bem e nem levam a lugar algum...

Um povo sem memória é um povo sem cultura.