Memória
Só existe o hoje. O passado é memória, o futuro é incerteza. Cada dia, ao despertar, temos a chance de moldar nossa jornada com escolhas conscientes e ações significativas. O presente é um presente, um momento único para viver, aprender e crescer. Ao focarmos no agora, construímos nosso caminho com intenção e propósito. Pequenos passos diários, somados, definem nossa trajetória e nos aproximam de nossos sonhos. A vida é efêmera, e é no presente que reside a verdadeira potência da transformação. Viver intensamente o hoje é a chave para um futuro brilhante e uma existência plena.
''Pois a memória é o estômago da mente...
Para ali vão as comidas mais variadas: umas saborosas e de digestão fácil, outras amargas e impossíveis de serem digeridas.''
Eu vou pausar o frame
Do teu sorriso em minha memória,
Pois ele será o oásis de todos os sorrisos.
Ainda vou te fazer mergulhar
De alma em meu mar.
Te fazer querer viver
Todas as suas sete vidas comigo,
Como se uma só
Não fosse o suficiente
Para tanta história.
Se memória fraca é parte da felicidade, o que acontece se esquecermos quem somos e perdermos a personalidade? O passado ajuda a sermos melhores, não cometendo os mesmos erros.
Dentre as doenças do ser humano, uma das que mais me assustam é a da falta de memória de gratidão, ao longo da vida de uma pessoa,você faz mil ações boas para ela, mas se depois de tantas boas, você fizer uma que for ruim, será marcado e julgado pela exceção...
O IRREPETÍVEL
Há acontecimentos na vida que não admitem reedição.
Por mais que a memória tente rearrumar as peças, por mais que o coração procure réplicas, por mais que o desejo se vista de esperança, certos encontros pertencem a um único instante do universo, e jamais regressam com a mesma força.
Não porque falte coragem.
Não porque falte amor.
Mas porque o caos — esse dramaturgo secreto — escreveu um enredo que não se repete.
Há amores que não voltam porque não nasceram para durar: nasceram para revelar.
Há paixões que nos atravessam como relâmpagos — belas, breves, devastadoras — e deixam em nós uma claridade que nenhuma rotina suporta.
E, ainda assim, tentamos.
Tentamos reescrever a história.
Tentamos transplantar a emoção de um corpo para outro, como quem tenta acender uma fogueira com cinzas frias.
Tentamos encaixar um novo rosto no formato exato do antigo.
Tentamos repetir o gesto, o riso, o perfume, o tremor, como quem repete feitiços que perderam o encanto.
Mas o coração não aceita imitadores.
O que nos marcou não foi apenas a pessoa — foi o instante.
A circunstância.
O invisível.
Aquela interseção secreta entre tempo e alma, onde algo se abriu dentro de nós e nunca mais fechou no mesmo lugar.
É inútil reinventar o que foi único.
O universo emocional não admite plágio.
Há feridas que só aquele corpo sabia curar.
Há abismos que só aquela voz sabia atravessar.
Há silêncios que só com aquele olhar faziam sentido.
Há vertigens que só aquele toque despertava.
Transferir esse sentimento para outro contexto é como tentar mover uma constelação inteira para outro céu.
Nenhum encaixe funciona.
A geometria do amor é exata demais para ser manipulada.
Talvez seja essa a beleza brutal da experiência humana:
nem tudo é reaproveitável.
Nem todo amor é reciclável.
Nem toda paixão sobrevive à tentativa de repetição.
O que vivemos uma vez, vivemos uma vez apenas.
E é justamente essa precariedade que faz do instante um milagre.
Não caberá em outro corpo.
Não caberá em outra história.
Não caberá em outra tentativa.
O máximo que podemos fazer é honrar a verdade do que sentimos — e seguir.
Não como quem busca substituições, mas como quem reconhece que há acontecimentos que são portas: abrem-se uma vez e nunca mais se repetem no mesmo lugar.
E talvez seja assim que o caos nos ensina:
não para que reconstruamos o que acabou,
mas para que aceitemos que o irrepetível também é uma forma de eternidade.
Tem uma memória treinada aquele que estuda, revisa e exercita-se com atividades mnemônicas e capacidade cognitiva; isto é, preenche parte do seu tempo em busca da cultura falada e escrita, com desafios mentais e práticas constantes para o seu crescimento acadêmico e intelectual em prol do seu desenvolvimento artístico, interpessoal e social, aumentando as suas habilidades de interagir, de dialogar, trabalhar e solucionar problemas para o seu amplo conceito social de comunicação, instrução, cooperação e participação na sociedade em que vive.
O CANTO E A MEMÓRIA
O canto do pássaro só dói no ouvido que insiste
que as lembranças antigas não passarão, só passarinho.
O pássaro não muda, na realidade, o tom do assobio; Quem muda é a memória, que tinge de cinza aquilo que, por natureza, é lindo.
Nunca faltou, nem faltará, beleza ao canto; Falta coragem para amar de novo, sem o medo do antigo desencanto.
" O que é apenas visto passa. O que é verdadeiramente amado permanece na memória afetiva, no silêncio das horas, na delicada permanência do sentir. "
A beleza, para mim, tem textura de memória antiga. Não brilha como notícia, mas como utensílio bem usado. Os objetos bem amados enchem a casa de sentido. E a simplicidade neles é dignidade. Viver é rodear-se de coisas que contam nossa história.
"A coerência é a paz de quem não precisa de memória para sustentar uma mentira, nem de espelhos para validar sua beleza."
Era noite e o mundo pesava
nas costas de quem tenta ouvir
corações doentes.
Desfiando palavras gentis,
busquei nos recados secos
algum sinal de quem amou.
Mas, em vez da voz que acolhia,
vieram silêncios e madrugadas mudas,
palavras de quem já não lembra
o amor que curava o meu cansaço.
Penso se o tempo soubesse parar,
se eu tivesse escolhido o silêncio
no momento da dor,
teria guardado pra sempre
aquele “Oi amor” que, só de chegar,
fazia tudo leve,
em um mundo onde peso era somente saudade.
Meu erro foi querer entender,
quando a resposta já era ausência.
Agora, tudo o que restou
foi a vontade
de ter ido mais cedo
para morar no abrigo breve
de uma última memória feliz.
Soneto de Nenhuma Dor
Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma,
Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
Nenhum sorriso não quer dizer tristeza,
Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto.
Nenhuma dor me traz a solidão,
Nenhuma ausência me faz sentir sozinho,
Tanta paixão me deu nenhum amor,
A solitude amplia meu caminho.
Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde,
Nenhuma verdade me faz refém do medo,
Nenhum perdão me ameniza a mágoa.
Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde,
Nenhuma saudade tem o gosto azedo,
Nenhuma agrura me arranha a alma.
