Mel
Se alienar não é se proteger.
Não saber o mal, não faz com que ele não exista.
Saber o mal é a única forma de se proteger dele.
A verdade é autossustentável, não precisa se defender. Seu silêncio é a resposta; o tempo não a esmoece, antes, a estabelece.
Quanto mais sublime for sua experiência mais ela deve ser preservada.
Cada vez que contada a quem não merece seu brilho, mais ela o perde.
Guarde a melhor parte para o correto destinatário.
Contradições (im/ex)plícitas
Conheço pessoas que precisam de validação pública para se sentirem existentes.
Não sabem que: aqueles buscam aprovação de homens desagradam ao Criador?
(...)
Conheço pessoas que buscam alcançar validação máxima para se sentirem eficazes.
Não sabem que: aqueles que atingem aprovação da maioria acabam com o mesmo fim que elas?
(...)
E os peçonhentos falam muito do que não sabem.
Justamente, por não saberem.
Criam, na lacuna de seu alvo, aquilo que gostariam que ele fosse,
o pior que têm dentro si, para aliviar sua própria ignorância.
A massa não respeita aquilo que consegue facilmente.
Sem o desgaste para alcançar o que almejam, desmerecem o valor daquilo que é gracioso.
A massa desrespeita aquilo que não é de mérito próprio.
Sem a imposição de força para alcançar seu intento, diminuem a beleza de uma ação de graças.
(...)
Quando o perdão é dado rápida e prontamente, ocorre permissão para uma nova falha.
A mente humana mediana não consegue compreender o valor do ágape;
antes o assimila como uma licença para errar continuamente.
(...)
Limites são divinos e devem ser estabelecidos.
Sem eles é concedido o desrespeito.
E, sem respeito, resta a vã repetição desvaliada.
Quanto mais alguém exige atenção para provar seu valor, mais revela que ainda não o encontrou dentro de si.
Vivemos a era dos perfis cheios e das mentes vazias: muita exposição, pouca substância; muita aparência, pouco conteúdo. Afinal, é mais fácil construir uma imagem admirável do que desenvolver uma mente admirável.
Não confunda visibilidade com valor,aprovação com respeito e exposição com relevância.
Quanto mais escassa a é profundidade dos pensamentos,maior a necessidade de transformar o trivial em vitrine.
O grande engano do nosso tempo é acreditar que ser visto é o mesmo que ter valor.Que receber validação ( curtida)é o mesmo que ser respeitado e desejado. Confundir simpatia e educação como flerte e/ou interesse.
Uma chama ilumina um ambiente por um instante,um farol orienta gerações. Ambos são vistos mas apenas um tem propósito significativo.
Visibilidade não é valor, só porque você é visto(a) não quer dizer que seja significativo. Qualquer pessoa pode chamar a atenção por alguns instantes,mas nem todas tem a capacidade e qualidades suficientes de segurar a atenção ao longo do tempo.
Portanto, não confunda validação com respeito,visibilidade e exposição com relevância. Pois a relevância nasce do impacto da utilidade e do significado,e se você não tem utilidade nem significado para o outro,não faz diferença o quanto seja visto (a) ou não.
Inveja é hostilidade contra a felicidade alheia.
É o atestado de inferioridade que a pessoa invejosa dá a si mesma.
O espelho reflete quem você acredita ser. As escolhas dos outros refletem quem você realmente representa na vida deles.
Quem não renuncia ao próprio egoísmo dificilmente constrói vínculos profundos. Relações verdadeiras exigem consideração, reciprocidade e a capacidade de, em alguns momentos, colocar o bem do outro ao lado dos próprios interesses. Onde só existe espaço para si mesmo, o afeto acaba sendo substituído pela tolerância conveniente que consequentemente se transforma em antipatia cínica.
"A manutenção de vínculos por conveniência fundamenta-se no autoengano de que gestos intermitentes preservam a integridade relacional. Essa ilusão de controle falha ao desconsiderar que a assimetria e a falta de reciprocidade crônica são facilmente decodificadas pela outra parte. O principal revés para o agente negligente é a severa perda de credibilidade interpessoal. Ao instrumentalizar o outro por meio de uma intermitência conveniente, o agente destrói sua própria reputação emocional, tornando-se incapaz de gerar respeito, admiração, ou de ser validado em interações futuras. A constatação subsequente é puramente factual: quem abdica da constância em nome do utilitarismo condena-se à falência relacional, restando-lhe apenas o desmantelamento de um falso capital social sem valor para o alvo da conveniência."
Interações humanas legítimas operam sob uma lógica simbiótica, na qual o benefício mútuo e a interdependência transparente fortalecem ambos os agentes. O vínculo baseado na conveniência unilateral mimetiza o comportamento parasita. O conveniente atua como um hospedeiro dissimulado: ele drena o capital emocional, social ou material do outro sem oferecer contrapartida equivalente, mascarando sua exploração por meio de um mimetismo afetivo superficial. Contudo, ao contrário dos sistemas biológicos isolados, o parasitismo social carrega o ônus da decodificação; cedo ou tarde o hospedeiro adquire lucidez sobre a assimetria do nexo, o parasita perde sua ancoragem, culminando no desmantelamento definitivo de sua falsa simbiose.
