Medo de Mim
Para mim, um dia feliz é: tu e eu anoitecermos na mesma cama.Para mim, uma vida feliz é: tu e eu amanhecermos na mesma existência.
Há um labiríntico vazio a impedir que eu regresse a mim.
Sinto-me mortalmente vivo porque sinto a ausência viva e imortal de alguém. É uma espécie de loucura aromática, enlouquecer vagarosamente como os aromas de paixão entre a Primavera e o Verão. É uma despedida ao raciocínio, adentra-se na escuridão luminosa da rotina onde sou túnel sem fim. Tento ler as entranhas dos dias, mas não consigo, não sei ler o inventário das sonâmbulas horas. Quando chegam as profundas e desesperadas madrugadas, finjo que estou a dormir para não ser injusto com a lua, muitas vezes, foi quem decifrou as minhas lágrimas. A vida é um compromisso sob a inevitável observação da morte. E quem consegue morrer antes da morte, aprendeu a genial sabedoria do Amor. Todos somos labirínticos quando se trata de descobrir a própria capacidade de amarmos e sermos amados.
Joni Baltar
TORMENTO
As horas passam,
Só não passa essa vontade,
Que permanece em mim.
O tempo passa,
Só não passa esse desejo,
Que insiste em ficar aqui.
Horas e tempo passam,
Vontades e desejos existem,
Cada vez maiores dentro de mim.
Horas e tempo,
Vontades e desejos,
Que me tormentam assim!
UM VERÃO EM MIM
Um indômito verão há em mim
E nele a poesia extasia
Entre as chuvas inesperadas
E os mormaços sufocantes
Eu lavo a alma
Mantenho a calma
Neste misto veraneio
Brinco, danço e canto
Celebro a vida
Encharco-me de fantasias
E se houver ventania de tristeza
O calor a transforma em alegria
Inda que seja tarde
eu chorarei por você.
Inda que seja tarde
eu chorarei por mim mesmo.
Mesmo sendo tão cedo
e na impossibilidade de me aceitar sem teu amor...
Eu morrerei por nós dois.
Você pode até discordar de mim
Mas penso que mesmo o dinheiro sendo meu, ganhado com meu esforço;
Não me dá o direito de gastar duzentos e oitenta mil dólares, só para dar um passeiozinho no espaço; com tantos irmãos nosso morrendo de fome, sem ter o que comer. Não me é permitido comprar uma obra de arte de doze milhões de dólares ou uma coleção de carros importados, com tantos sem moradia, sem saúde, sem educação, vivendo a margem da miserabilidade. Essas gordas quantias não iam resolver o problema do mundo, mas com certeza aliviaria a vida de muitos. Tudo para satisfazer o meu ego. Para alimentar minha soberba e ostentação. Como nós seres humanos muitas vezes somos milionários de bens materiais e miseráveis de Espírito. Pense nisso!
Passei parte da minha vida procurando a felicidade.
Quando descobri que ela morava dentro de mim...
Já era tarde!
As renúncias e as decepções doeram, mas o tempo mostrou que Deus tinha coisas melhores para mim.
— Jucelya McAllister
