Medo de Mim
Alguns chamam de sorte, eu chamo de bênção: é ter um Deus que me ama sem medidas, cuida de mim nos detalhes, me sustenta nas quedas e transforma cada dia comum em prova viva do Seu amor fie
Quando o “você” morreu em mim…
Foi em uma tarde azul de nuvens-pássaro
Constantei, de repente,
Que morreu em mim aquela distância,
Aquela ânsia
E aquela saudade,
E o você que me torturava…
E eu sorri menino,
De um riso que se desprende em meio ao medo.
Escapa o sorriso, e o coração se vê livre
De qualquer algema que tenha um nome.
E a cabeça pergunta como, onde, quando e por quê,
E o corpo só quer dançar e voar nesses momentos,
Com aquelas nuvens-pássaro
A bailarem com o vento…
Quando a saudade encosta no ombro, eu finjo firmeza para não desmontar, mas tem um pedaço de mim que não dorme só pra te esperar.
Eu não sei exatamente o que sinto.
E talvez esse seja o sentimento.
Há algo em mim que observa a vida
como quem encosta a testa no vidro
e não entra.
Penso demais.
Sinto antes de entender.
E quase nunca entendo.
Carrego uma estranheza mansa,
uma lucidez que cansa,
como se existir exigisse
atenção o tempo todo.
Às vezes sou profunda demais
para momentos rasos.
Às vezes sou simples demais
para explicações longas.
Não é tristeza.
É consciência.
Essa percepção silenciosa
de que a vida acontece
enquanto eu me pergunto
o que exatamente está acontecendo dentro de mim.
E sigo.
Não porque sei para onde,
mas porque parar
seria sentir ainda mais.
Como eu amo amar.
Mesmo quando amar cansa.
Mesmo quando amar dói
mais em mim do que no outro.
Amo amar porque sentir
me faz existir.
Porque o amor, mesmo quando falha,
me prova viva.
Amo amar com excesso,
com entrega,
com essa coragem quase ingênua
de quem ainda acredita.
Às vezes amar me esvazia.
Outras, me sustenta.
Mas nunca passa em vão.
Se amar é risco,
eu aceito.
Prefiro o coração cansado
de tanto sentir
do que intacto
por nunca ter tentado.
Como eu amo amar
mesmo quando amar
é ficar
sem ser amada.
As sensações que viajam comigo, na mochila às costas, cheia de mim, essas eram pertença minha e ninguém as podia roubar.
Dois gestos singelos, prefaziam o verbo manuscrever. E soltaram em mim, a beleza da escrita à mão e a memória intacta de sonhos, pensamentos de vida registados no papel.
Você é assim, um sonho pra mim. E quando eu não te vejo eu penso em você, desde o amanhecer até quando eu me deito.
Pode ser pela bebida, e minhas memorias, mas não sinto a vida vindo de mim.... Curioso, a parte ruim que está em mim, fala até no subconsciente.
Reflexo
Como posso deixar de te amar
Se tens olhos somente para mim?
Chego perto de ti e sorrio
Tu sorris.
Faço caras e bocas
Todos os tipos de trejeitos
Alegrias, tristezas
Mostro-te as minhas rugas
e incertezas
E tu, imitas-me.
Dou-te as costas
Vou-me embora
Tu, nem tá aí.
Como posso deixar de te amar?
Se volto mais velha e sorrio
Tu sorris.
Certamente, a misericórdia mais difícil de alcançar é a que eu preciso dar a mim mesmo. Enquanto eu não perdoar o homem que fui, estarei punindo o homem que devo me tornar.
Quando te amei...
Amava ver a forma que me via em você
Amava ver que havia um pouco de mim em você
Amava sentir orgulho de quem seríamos juntos
Meu amor era genuíno
Era doce
Queria te dar o céu
A lua
Mostrar como eram lindas as cores das estrelas
Mas...
Descobri no seu lado sombrio que eu não me via mais ali
Descobri nas mentiras que não havia nada de mim ali
Descobri que não seria bom nosso futuro baseado em um amor unilateral.
Quero seu gosto, seu cheiro, mas não posso mais ser sua.
Meu corpo te pede, mas minha alma grita por socorro
Meu coração sente falta, mas minha mente me guia.
Um dia te amei
Mas te deixo ir
Parei de ver meu reflexo em você.
