Medo de Mim
Viver…
é como um trapézio no ar:
tem seu auge,
tem sua queda,
e, entre um e outro,
o medo de não alcançar o próximo impulso.
Helaine machado
Mesmo que o vento sopre contrário,
mesmo que o medo sussurre baixo,
mesmo que o mundo duvide —
ainda assim, voe.
Helaine Machado
Valeu por ouvir
quando minha voz era só silêncio,
quando minhas palavras se escondiam
no medo de não ser entendida.
Valeu por ficar
mesmo quando eu não sabia ficar em mim,
quando tudo em mim era confuso
e ainda assim você não foi.
Helaine machado
MEDO
Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.
Brusque é o elo entre o passado que honra e o futuro que não tem medo — firme como o aço, leve como o tecido que ela transforma.
EduardoSantiago
“O medo da injeção no adulto é a filosofia da dor reduzida a um ponto: pequeno o bastante para atravessar a pele, grande o suficiente para revelar quem realmente somos.”
A angústia de morte, na maioria dos casos clínicos, não é medo do fim biológico: é a antecipação tardia de uma vida que foi ensaiada, mas não habitada. O que aterroriza não é a cessação — é a suspeita, que se impõe com força crescente, de que não houve começo verdadeiro; que o sujeito passou a existência inteira num modo de adiamento que se disfarçou de prudência. Quando essa percepção se consolida, o silêncio que se instala não é vazio: é a recusa da linguagem diante daquilo que excede a elaboração, daquilo que, ao emergir, já não cabe em palavras porque nunca foi vivido em atos.
"O medo do fim muitas vezes é o medo do vazio que fica. Ficamos nos perguntando: "Quem serei eu sem essa pessoa?" A resposta é alguém novo. Alguém que carrega as cicatrizes como medalhas de experiência e que tem agora um terreno limpo para construir algo diferente."
Se a sua moralidade depende do medo de um inferno ou da promessa de um céu, você não é ético; você é apenas um mercenário emocional.
O individualismo moderno é o medo de se perder no outro, disfarçado de autonomia, quando na verdade é apenas solidão com nome de grife.
Desejamos o que o outro deseja porque temos medo de descobrir que, no fundo, o nosso desejo original é um abismo sem fundo.
Se a moral fosse filha do medo, ela desapareceria na ausência de vigilância; mas o amor a mantém mesmo no silêncio.
