Me Perdoa mas eu Tentei
Uma tristeza
Eu era tão feliz.
Você a razão da minha felicidade.
O dia amanheceu.
Tudo tão triste.
Nublado.
Não há sol.
Só nuvens escuras a cobrir o céu como um véu.
Véu negro que tudo esconde... que não dilui a dor... que faz desaparecer toda forma de amor.
Com você foram-se as cores do dia.
Foi-se pra bem longe toda a alegria.
Tudo virou nostalgia.
O tempo, em protesto, não se fez de rogado.
Parou e ficou do meu lado.
Olha pra mim com olhos de terror... me diz:
“Não se machuque... não se afogue nesse copo de culpa... estou com você... serei um momento em que te farei feliz.”
Esforço-me, então, pra sobreviver.
Quero essa felicidade prometida viver.
Da solidão
A solidão era tudo o que eu tinha.
Mantinha um grito sempre aprisionado em minha garganta.
Queria chorar.
Deixar as lágrimas meu rosto lavar... minha alma acalmar.
Uma inundação...
Que tudo de ruim levasse pra bem longe de mim. E que essa dor tivesse fim.
Enfim!
Pensamentos loucos
Falas de amor...
E eu a me perguntar: como falar o que sinto?
Sinto tua falta do amanhecer ao anoitecer.
Procuro-te pelas ruas da cidade.
Não te encontro.
Pergunto-me: onde estarás?
Estás em mim a pensar?
Lembras de nossos beijos?
De nossa troca de carinho.
Das milhares de vezes que dissemos te amo?
É amor?
Ou apenas um indicativo de amor.
Somos apenas uma falta que completa a falta do outro?
Eu sei...
Tenho pensamentos loucos...
Felicidade
Como eu queria a felicidade encontrar.
Nela fazer meu ninho e pra sempre nele me aninhar.
Ter dias de sol e calor...
Tudo de bom na medida certa.
Pôr fim a toda dor.
Doce ilusão sonhar com isso meu coração.
Ninguém é feliz o tempo todo.
A felicidade vem em ondas.
Vivemos fragmentos de felicidade.
Felicidade X frustração...
Que se repete num ir e vir...
Feliz é quem consegue dos fragmentos de felicidade totalmente usufruir.
Borrões do destino
Há dias em que eu sei tudo o que passa em mim.
Sei dizer sim.
Tudo é tão claro.
Minha mente é de uma lucidez tão lúcida que me fascina.
Há dias que tudo não passa de um enorme borrão.
Vivo a mais completa alucinação.
Sou apenas uma voz inaudita.
Presença maldita no meio da multidão.
Aos poucos viro pó.
E sigo, no meio da multidão, aos atropelos...
Completamente só.
Caminhos frios, decadentes, turvos.
Viro a esquina.
Do pó ressurjo.
Qual Fênix... me refaço de passo em passo.
Aos borrões do destino não me curvo.
Ah! Eu poderia ter te amado...
Minha vida seguiu sempre por linhas tortas.
Me equilibrava eu nelas como uma viva morta.
Teu olhar... tuas palavras... teu carinho.
Encontrei em ti um lar... um ninho.
Foi muito aconchego.
Foi...
Agora vejo que olhei tudo com olhos de pura esperança...
Esperança de que nas minhas andanças haveria amor reservado pra mim.
Que eu teria o sossego de um abraço enfim.
Enfim.
Fim.
Me enganei.
No ziguezague da sua vida eu só era uma rua sem saída.
Você deu a volta... e voltou...
Voltou pro seu lugar de conforto.
Hoje só consigo acreditar, olhando pra mim, 'que pau que nasce torto morre torto' (muito triste isso).
Eu só queria minhas vias tortas endireitar.
Ah! Como eu poderia te amar.
Siga em paz!
Sei de tudo o que você é capaz.
Abstinência
Há um vazio de mim mesmo
Rondando por aqui…
Algo que eu não costumava sentir.
Acabaram-se as prioridades.
Tanto faz igualdade ou desigualdade.
Um buraco no meio peito.
De esponja sou feito.
Não sei se falta em mim
O que sobra em você.
Dói em mim algo que não tenho…
Como é possível?
O coração dispara se penso em você.
Falta-me o ar se penso em você.
O que falta em mim…
Você pode devolver pra mim?
A tranquilidade do meu coração.
E mais… ele completo, por favor,
e… ainda, deixe-me sempre com ar por perto.
Essa abstinência de você está me matando.
Essa abstinência de mim, me dilacerando.
Essa dor fantasma está me consumindo.
Sinto-me sumindo… o coração… a mão… o braço…
De pouco em pouco… vou-me despedaçando em mil pedaços.
Sigo... eu consigo
Só tenho de continuar respirando
Tal náufrago tenho de continuar tentando.
Ondas me submergem.
Nada à vista.
Mas também não há lugar pra ir.
Perambulo.
Na próxima esquina o escuro.
Nada do outro lado do muro.
Ruas desertas.
Sentidos em alerta.
Titubeio... vacilo... hesito
Ondas de frio me submergem.
Lembranças me consomem.
Por que o amor vem... e some?
Visões de oásis...
Sonhos vãos?
Nada é em vão...
Sigo.
Um porto seguro...
Alguém trará amanhã consigo?
Amanhã o sol vai nascer...
Quem sabe o que a maré vai me trazer?
Sigo...
...
consigo!
Porque eu quero paz
Todos queremos paz... mas nos armamos até os dentes.
Há muros de proteção cada vez mais altos cercando nossas casas, reforçamos nossas portas. Impomos paz com força... e só conseguimos mais guerra, mais desavenças. Há tantos conflitos acontecendo.
Você sabe que um conflito sempre é a materialização de uma emoção? Pois é... se quisermos que a paz reine, precisamos, antes de tudo, gerenciar bem nossas emoções. Precisamos manter nosso espírito tranquilo em meio às tempestades... nada vai ajudar a gerar paz se no momento de um conflito nos descontrolarmos, se nos abalarmos quando o chão desaparece de debaixo de nossos pés.
Joguemos sementes de paz ao vento. Cultivemos a paz, sejamos solidári@s, altruístas, tolerantes, complacentes. Saibamos sentar e ouvir o outro... emanemos paz... com nossas palavras, nosso timbre, nossas ações, nossas reações... coloquemos abaixo os muros da indiferença. Exalemos paz... pois “quando em seu coração reina a paz, da menor casa um palácio se faz” (Ditado popular).
Silêncios inexprimíveis
Eu escrevi silêncios inexprimíveis...
eu gritei, te sacudi, tua cabeça bati...
tudo isso só por amor a ti.
Tu te fizeste silêncio
e não me ouviste,
minha dor não sentiste
e partiste...
e me partiste.
Onde andas tu
hoje em dia?
O silêncio ainda é tua companhia?
Os gritos ecoam
desde aquele dia...
Se tu nunca tivesses sido
eu ainda saberia o que um dia foi alegria?
Uma vida pra chamar de minha...
não, não tenho.
E olha que eu me empenho
faço planos, traço metas,
estudo tudo,
vivo a esquematizar.
Eu mesma a me guiar,
o timão na minha mão,
minha estrada a trilhar...
não importa como acabar.
Mas o destino... ah! o destino!!
Total desatino
me faz perder a razão...
pegou minha vida de jeito
e segura bem forte com as duas mãos.
Eu projetando.
E o destino jogando.
Eu implorando.
E o destino nem ligando...
desde o início saiu ganhado.
Um caminho plano...
E eu nos planos sempre tropeçando.
Pra você eu guardei
Pra você eu guardei
um amor inteiro
e nem notei...
Dias e noites chorei...
Me descabelei.
Um amor inteiro.
Um tiro certeiro.
Era pra ser de janeiro o janeiro.
Não chegou nem a fevereiro ;(
Do jeito que você quiser
Minha vida quero viver
bem do jeito que eu quiser...
sem nenhum controle -
descontrole total...
ela é minha afinal.
Quem manda nela sou eu -
eis um fato beeemmm real!
Beleza, amigo...
segure as rédeas na sua mão,
escolha você a direção...
siga na mão..
ou na contramão...
Você é o piloto
sua própria vida pode pilotar,
seu próprio ar a própria hélice girar,
e deixa o mundo a rodar, a rodar, a rodar
e você com ele se toentar.
My friend,
Você pode espernear,
gritar... se rebelar,
descartar, desacreditar...
resistir...
mas há Alguém que - se Deus quiser -
não vai de você desistir...
vai insistir...
vai deixar você rodar, rodar, rodar...
até tontinho ficar
e cair.
Daí, irmão...
a solução cairá na sua mão...
seus olhos irão se abrir
e você saberá o que é sorrir.
perdão vai encontrar,
vai descansar...
Então, pode rodar, e rodar, e rodar...
se Deus quiser, o caminho de volta
Ele vai lhe mostrar...
Se Deus quiser,
eternamente você vai viver.
Sem você
Você.... sempre você
Lá... em algum lugar...
bem longe daqui.
Eu... sempre eu...
Aqui... no mesmo lugar...
bem perto daqui.
Você e eu
cada um com o que é seu...
você que não é meu,
meu coração que é só seu.
Ando na corda bamba,
procuro de cá pra lá,
não sei mais aonde buscar
um ponto de apoio pra me segurar.
Eu, perdida...
num canto esquecida,
desiludida...
só quero viver em paz minha vida.
Você, meu porto seguro,
meu céu, meu ar... meu tudo...
a batida do meu coração...
foi embora, tirou meu chão,
me deixou
completamente sem direção...
e, na partida, descoloriu minha vida.
Perdida e descolorida.
Vivo pra te amar
Eu sei, você sabe,
mas não custa reforçar...
este texto é só pra mais uma vez dizer
que vivo pra te amar.
Eu sei... você sabe,
mas uma vez mais vou falar.
decidi sempre te amar
antes mesmo de te conhecer.
Decidi... está decidido,
antes mesmo de você me querer,
só de você quero viver
nada fui antes de você ter acontecido.
Pé na estrada
Pé na estrada...
é madrugada,
uma longa caminhada,
não paro por nada...
eu chego lá,
o primeiro passo acabei de dar...
não sei qual é o segundo,
só sei que há um mundo
me esperando,
vou caminhar,
todas as amarras vou soltar
nada me prende
nem me surpreende
se você, no fim de tudo,
estará lá a me esperar.
Meu choro
Não choro, não, não choro...
Mas nem sempre fui assim,
houve épocas em que eu morria,
morria de pena de mim.
Eu chorava,
as lágrimas não controlava,
deixava-as correr pelo rosto,
mostrava todo o meu desgosto.
Hoje eu engulo meu choro...
não choro.
Prendo minhas lágrimas
com força dentro de mim...
e sorrio, sorrio sim.
Às vezes, não consigo todas controlar
e uma consegue escapar...
e eu finjo 'é apenas um cisco'
a me machucar...
Sabe o que é trágico?
Meu choro? Não...
Meu fingimento? Não...
O trágico é todo mundo acreditar...
que um cisco está a me maltratar...
Não há sequer um movimento no ar...
Sempre alguém se oferece pra soprar,
do meu olho o cisco tirar...
... assopra, e assopra, e vê o cisco sair (?)
junto com outra lágrima dos olhos cair...
Pandemia
E eu continuo batendo na tecla de que o bom seria escrever só sobre o belo, o que nos alegra e conforta o coração, falar de coisas leves... das borboletas... das flores... de sons e sabores maravilhosos mas...
Os dias estão aí para mostrar que há o outro lado...
dias maus...
o mundo parece estar estilhaçado - já escrevi isso outro dia... parece que faz tanto tempo.... mas foi mais ou menos anteontem.
e quando escrevi pensei: o fim dos dias maus está logo aí...
e esse logo aí que não chega.
notícias de morte não param de chegar... Covid... mortes de causas naturais... acidentes... e, ainda, há aqueles que tiram vidas... como está comum isso. Não quero me acostumar a abrir o Whats de manhã e achar normal que mais alguém... ou mais alguéns se foram...
mas quem sou eu?
nesse Universo enorme... sou um pontinho tão pequenininho, só não sou invisível porque sou visível... mas me sinto invisível... e jogada de lá pra cá ao sabor das ondas... faz tempo que não sinto meus pés pisando o chão com segurança.
tanta coisa empacada. Até planos que eram tão comuns fazermos, hoje parece que não há lógica em fazê-los. Nossas vidas, nossas decisões, nossos futuros - nada está sob nosso controle.
na verdade sei que é meio ilusão achar que minha vida pode estar totalmente em minhas mãos... que quem tem bem forte preso nas mãos o timão sou eu... não é bem assim, né?
mas eu tinha a ilusão e isso já me ajudava bastante... ter ilusão... era um sentimento que me ajudava bastante... acho que isso é uma grande ilusão... também.
e fim... por hoje.
Cuide-se... use máscara... evite aglomerações... lave muito bem as mãos... e vamos que vamos ❤
Por que voltou?
Não fez nada pra evitar
que triste eu fosse ficar.
Um dia partiu.
Meu coração partiu.
Estilhaçado,
chorou desesperançado.
Não fez nada pra evitar
uma dor que eu não queria sequer relembrar.
Meu maior castigo?
Não foi você partir…
Foi você voltar.
Longínquo tempo
Longínquo tempo.
A neve cobria a estrada.
Meus passos ficavam marcados.
Eu andava apressado.
Corria e ria…
Não sentia o frio que cortava meu rosto e mãos descobertos…
Não importava se era o frio da neve ou o calor do deserto.
Tinha você por perto.
Hoje estou só.
Não chove, nem venta.
Não neva também.
As ondas espreguiçam-se languidamente pela areia…
Uma vela lá longe tremuleia…
Ando.
Vagarosamente.
Não deixo marcas na areia.
A água do mar se encarrega de tudo apagar.
Não quero mais marcas.
Comecei a ter medo.
Já não sorrio… não rio mais.
Minha alegria ficou perdida há tanto tempo…
Minha alegria está tão lá atrás.
Há um tempo iniciei a saga de esconder…
E assim, confesso, tenho conseguido sobreviver.
