Me Perco dentro da Saudade

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A ingratidão é uma das lições mais duras da caminhada. Ela nos obriga a olhar para dentro e entender que amar é correr o risco de não ser amado de volta. Que servir é, às vezes, ser esquecido. Que fazer o certo pode gerar ofensa em quem ainda não compreende o amor sem interesse.

Você não está exagerando… só está sentindo sozinha aquilo que já pesou demais por dentro.

A traição não nasce da falta de algo no outro. Ela nasce de um vazio dentro de quem não quis sustentar o que tinha.

Há infernos que não queimam por fora… mas consomem por dentro.

Entre quedas e recomeços, Deus vai formando algo novo dentro de você.

Existem encontros que parecem destino… e mudam tudo dentro da gente.

Perdoar não é esquecer... é lembrar sem se quebrar por dentro.

A gente aprende a sorrir por fora enquanto carrega tempestades por dentro.

O que não é dito não desaparece... apenas cresce dentro de quem sente.

Não precisa virar esquecimento… o que foi vivido encontra outro lugar dentro de nós. Vira cicatriz, daquelas que já não doem, mas guardam, com delicadeza, a lembrança de que um dia foi real… e, de algum jeito, também foi importante.

Com o tempo, o que foi dor se acalma e encontra um lugar de descanso dentro do coração.

Carrego dentro de mim batalhas que ninguém viu, mas cada uma delas moldou meu peito como ferro aquecido, não pedi para ser forte, fui obrigado pela vida, e mesmo assim aprendi a amar no intervalo das dores, sou testemunha da minha própria ressurreição diária.

O amor verdadeiro não sufoca, ele expande, ele abre espaço dentro do peito, e transforma feridas em
janelas, quem ama cura.

A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.

Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.

​Minha mente é um calabouço, frio, escuro e esquecido. Aqui dentro, o tempo é relativo, um nó entre o passado e o presente. Tudo é confuso, há mais perguntas que respostas. Não sei quanto tempo faz, nem se a liberdade é uma promessa real. Enquanto o fim não vem, vou aceitando esse estado de sobrevivência.

Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.

A esperança é uma teimosia quase sagrada que insiste em existir mesmo quando tudo dentro de você já desistiu.

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.


- Tiago Scheimann