Me Perco dentro da Saudade
O tempo passando
O silêncio gritando dentro de mim.
Prefiro palavras que machucam a esse silêncio sem fim.
O sono que antes tranquilo
Rapidamente vinha a mim
Hoje não mais encontro,
A noite é longa , É quase sem fim..
Queria saber expressar
Tudo aquilo que me deixa assim.
Mas tudo é confuso,
não há palavras que possam fazê-lo enfim.
Há dores que não gritam, apenas respiram dentro de nós, esperando que um gesto mínimo lhes dê permissão para existir. São feridas que aprendem a pulsar devagar, como quem sabe que não será curado, apenas tolerado. E nessa convivência silenciosa, descobrimos que sobreviver também é uma forma de arte. Arte dura, crua, porém profundamente humana.
Há noites em que o céu parece fechado, mas é dentro de mim que a escuridão é mais espessa. Mesmo assim, procuro estrelas na memória. E sempre encontro uma: a da fé que não apagou. Porque Deus brilha mesmo quando não o vejo.
Sorrio por economia de forças, para que o rosto não quebre. Por dentro, há um mercado de lembranças em liquidação: tudo pela metade. Compro apenas o necessário, memórias que me sustentem até o amanhã, e guardo o resto numa caixa que só abro quando a noite me desafia.
Quando escrevo, coloco dentro das frases restos de noites mal dormidas, ossos de conversas, ossos de decisões que não deram certo. As palavras são coletores de destroços: reúnem, organizam, explicam, são a única arca que consigo construir contra o dilúvio diário.
A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.
Existe um lago dentro de mim onde as vozes se banham. Nenhuma delas sabe nadar direito, mas insistem. Quando me aproximo, o lago mostra minha face em pedaços. A água aceita o que chega, sem julgar. E eu aprendo que aceitar é também forma de oração.
Há um livro dentro de mim que não cabe em prateleiras. Ele tem páginas em branco e algumas escritas em lágrima. Às vezes releio a parte que traz consolo. Outras, treino as palavras que ainda não sei dizer. Escrever é aprender a traduzir a própria pele.
É dentro de um avião que mais percebemos nossa vulnerabilidade. Mas vale a pena ser vulnerável apreciando o espetáculo colorido de um por do sol.
Há quem passe...
Há quem fique...
E há aqueles que, mesmo distantes, permanecem dentro da gente, como se nunca tivessem partido.
Antes de se fazer morada em alguém, certifique-se de que você já construiu um lar dentro de si.
Amores passam, pessoas partem. Mas a paz de estar em si… essa permanece.
Tem gente que se muda inteira para dentro de um amor, e esquece a chave de casa.
Se desapegam de si para morar no outro. E quando são deixadas, nem sabem mais o caminho de volta.
Lá fora, o céu de inverno sorri em azul…
Aqui dentro, o cuidado floresce em silêncio e fé.
Deus está em tudo: no vento lá fora e na restauração aqui dentro.
Sem pressa, sem murmurar… só confiando.
Janice F. Rocha
Envelhecer é estranho. Por dentro, sigo sendo a mesma.. meus sonhos, meus risos e até minhas inquietações continuam com a mesma voz. Mas o corpo, esse mensageiro do tempo, insiste em contar uma história que eu não sinto ter vivido tão depressa.
As pessoas que não me veem há anos se espantam com minhas marcas novas, esquecendo-se das que o tempo também gravou nelas. Às vezes dói esse choque nos olhos alheios, como se só eu tivesse atravessado os anos.
Envelhecer, para mim, é aprender a acolher essas mudanças sem perder a essência. É reconhecer que há beleza nos traços do caminho, mesmo quando a saudade do rosto de antes aperta. É um exercício diário de amor-próprio: olhar no espelho e enxergar não apenas rugas, mas histórias, resistências e memórias.
Superar não é fingir que não doeu.
É aprender a colocar as coisas no lugar certo dentro da alma. O que é peso, a gente entrega a Deus; o que é lição, a gente guarda; e o que é amor, a gente deixa florescer outra vez.
Que cada um encontre, dentro de si, um pequeno refúgio de paz... um lugar onde só a voz de Jesus tenha espaço. É ali que descobrimos quem realmente somos:
filhos e filhas amados.
Muitas vezes, calamos o que sentimos para agradar o mundo. Guardamos a verdade dentro de nós e deixamos de ouvir a voz que realmente importa: a voz de Deus.
