Me Disseram
É muito fácil pensar coisa ruim, eles disseram. É preciso coragem tanto para permanecer lutando e mais ainda para dizer que seu tempo acabou. Pode ser considerada uma atitude egoísta, mas na realidade todos são assim, é a sobrevivência.
É uma ação planejada, ninguém me forçou a isso. Eu decidi que o meu tempo havia acabado. Depois de todos os acontecimentos ocorreu a primeira vez que não senti medo de ver o que tinha do outro lado, ainda que eu pudesse me arrepender e ir para um lugar pior, eu aceitaria o risco.
Uma certa vez me disseram:
"Aqueles que te amam de verdade são os que fazem de tudo para te ter sempre por perto".
Após isso, percebi que muitos dos que diziam que me amavam, na verdade, só diziam.
Disseram que minhas crenças no amor, verdade, ética, autoconhecimento são iguais a uma “língua morta”. Em síntese que estou remando num barco furado em pleno alto mar. Se assim for, se apenas eu acreditar nestas virtudes, afundarei feliz, certa que defendi o meu direito de crer no que eu desejar.
Desassossego cruel
É viola,
Restam , apenas restos...
Dizem que fui, e não me disseram quem.
Dizem que fui, e não me disserem onde..
Não me lembro de nada.
Uns disseram que enlouqueci..
Outros disseram que nunca existi..
Desassossego cruel, no acordar, nos vejo embriagados,
Dois loucos, na pura melancolia...
Parece tudo piorar, pior, nem bebo..
Anormal,
Sinto o amargo no sal...
Não sei se estou vivo ou em estado de coma,
Eu sinto que existo, mas não me vejo de pé e nem deitado na cama..
Fel, doce loucura sem cura...
Viola sangrenta, me corta e se põe a comigo chorar...
Tento me reprimir e você me espreme..
O par não é mais par, se tornou ímpar..
Tento achar um santo remédio que cura esse tédio...
Até que o vocabulário insano não e mais fiel..
Quem te inventou viola? Quem?
Décadas se passaram, e você me acompanha...
Quem te ensinou a ser assim? Quem?
Você sabe que sou contra o ódio, e você está em mim , e quer sempre está no pódio...
Quê ódio!
Rasgo os pontos da poesia, e você exclama, mimada, se joga na lama...
E de repente você chega com cara de santa, e me serve tristeza como sobremesa...
Quem te ensinou essa proeza? Quem?
Autor:Ricardo Melo
O Poeta que Voa
Desculpas...
por todas as vezes que lhe disseram frágil demais,
não o suficiente, quando sempre foi forte demais.
Desculpas...
por cada vez que um de nós, os "eles", prometeu amor,
mas entregou apenas dor; prometeu rosas,
mas deixou espinhos e feridas sem pudor.
Desculpas...
por todas as lágrimas que já teve que limpar do rosto,
quando fizeram transparecer tristeza,
onde apenas merecia ter um sorriso exposto.
Desculpas...
por cada vez que lhe roubaram o direito de escolher,
quando disseram onde estar, o que vestir e como viver.
Desculpas...
por todas as vezes que diminuíram sua luta e sua glória,
como se seu brilho fosse acaso, e não parte da história.
Desculpas...
por cada vez que tentaram silenciar sua voz,
quando tudo que queria era apenas ser ouvida,
mas lhe fizeram engolir palavras que mereciam ser ditas.
Desculpas...
pelos olhares que não eram de admiração, mas de ameaça,
pelos passos apressados na calçada,
pelas ruas desertas, pelo medo constante,
quando ir e vir deveria ser um direito e não um risco alarmante.
Desculpas...
por cada vez que duvidaram dos seus sonhos,
quando tudo que precisava era apoio para seus planos.
Tentaram convencer-lhe de que seu lugar era menor,
quando a igualdade deveria existir desde o primeiro amanhecer.
Desculpas...
por todas as batalhas que travou sozinha,
não porque quis, mas porque faltou apoio até dos "eles" da própria família.
O mundo deveria ter sido mais justo, menos cruel,
nunca cabia a você esse papel.
Desculpas...
por cada "não" que foi ignorado sem hesitar,
por cada mão que ousou tocar sem sequer perguntar,
por cada "sim" que lhe arrancaram pelo medo,
por cada vez que sufocaram seu desejo.
Desculpas...
por cada sonho que tentaram calar,
por cada medo que lhe ensinaram a carregar,
por cada sonho abafado, por cada um deles não realizados.
Desculpas...
por cada lágrima que você não quis derramar,
mas que o mundo injusto a fez chorar.
Hoje não basta apenas parabenizar,
é preciso mudar, reparar e respeitar.
Sempre me disseram que eu sonhava demais. Mas foi justo por sonhar demais que eu consegui chegar onde cheguei!
Disseram que eu não poderia fazer algo, e fiz!Não passei a acreditar em mim mas passei a desacreditar nos outros!
Pessoas que a tempos eu não via, me disseram que eu tivera mudado por completo. De certa forma concordo com cada um deles, no passado eu ainda podia ver a luz do sol, hoje em dia já nem sei oque é direita ou esquerda, meus olhos se perderam na escuridão.
“Já me disseram: “Quem desiste na verdade nunca quis”. Mas eu discordo. Existem dois tipos de desistências. Uma é simplesmente por falta de interesse. A outra é por cansaço. A gente desiste daquilo que não vale mais a pena. A gente desiste do que não nos acrescenta. Pelo menos é assim que deve ser. Ninguém é obrigado a insistir em algo que não lhe faz bem. Nem sempre desistir é sinônimo de fraqueza. Pelo contrário. As vezes desistir é sinônimo de coragem”
Me disseram pra sempre ir em busca da Vitória, independente o que aconteça. Hoje eu faço isso, vou atrás dela.
Primeiro, disseram que não haveria mais guerrilhas.
Acreditei e, com as botas, abandonei sonhos revolucionários.
Em seguida, disseram que terminara a luta armada.Tornei-me, pois, violento pacifista.
Depois, disseram que a esquerda falira,
E fechei os olhos ao olhar dos pobres.
Enfim, disseram que o socialismo morrera,
E que uma palavra basta: democracia.
Então, nasceu em mim,
A liberdade de ser burguês.
Sem culpa.
O cúmplice com o comparsa, disseram tudo o que não se deu.
Veio o tempo e a verdade, e a justiça prevaleceu
Bem, se disseram que eu sou um rato e você uma ratazana, não há que se tentar provar o contrário, além do mais, pra quê?
PASSARINHOU
Ela passarinhou, me disseram todos.
Que estranho, pensei comigo...
Teria cantado muito, voado alto,
Alcançado a liberdade ou quiçá
A fortaleza da sua fragilidade?
Ela passarinhou, insistiram todos,
E eu não compreendia.
Ela passarinhou porque exagerou no voo,
Migrou no clima, descobriu o bando
E a overdose.
Morreu assim:
Frágil,
Dependente,
Na gaiola do falso dourado,
Na prisão do livre entorpecente!
Guria da Poesia Gaúcha
