Me Deixa Viver
"Homem e mulher são como flores, muito fácil de cuidar, mas quando alguém deixa de regar, o relacionamento morre."
Solta o fardo, apaga a luz,
deixa de lado o que te conduz.
A vida não é só conta e medida,
é o pulsar da alma, a paz permitida.
Não se cobre tanto, não se exija o mar,
basta o silêncio de apenas estar.
"Evangelho de Fariseu?"
Dizem que fazem o IDE,
Que vão atrás dos de fora,
Mas deixam se perder —
Os que estavam dentro, desde o início.
"Se ele não vier até mim,
Não irei até ele", dizem friamente.
Incrível. Que evangelho é esse?
Evangelho de fariseu… indiferente?
Nem chamam de fraqueza a dor que carrego,
Chamam de imaturidade. Chamam de birra.
Como se feridas profundas
Fossem apenas dramas de quem não lida.
Mas só quem sangra,
Sabe o peso de continuar.
Às vezes, fugir é sobreviver —
Não é medo… é tentar respirar.
E ainda que eu não quisesse sair,
Não tive escolha…
Pedi ajuda, clamei apoio,
E ouvi: “Estou do seu lado” —
Mas o fim… o senhor já sabe.
Promessas jogadas ao vento,
Palavras sem presença.
No momento mais escuro,
Só o silêncio fez companhia.
Enquanto uns pregam multidões,
Outros morrem em silêncio.
Quem vai por eles?
Ou será que… só contam os que aparecem no templo?
“Há uma prudência silenciosa na alma que reconhece quando um lugar deixa de ser escola de virtudes e passa a tornar-se campo de desgaste. O espírito disciplinado não se apega ao que corrói, nem insiste onde a razão já advertiu sobre o dano. Afastar-se, nesses casos, não é fraqueza, mas exercício de governo interior, é uma escolha serena de preservar a própria integridade, como quem guarda a chama da lucidez contra ventos que apenas consomem e não edificam.”
“Quando a existência se orienta pela vocação, o tempo deixa de ser força de desgaste e passa a ser instância de legitimação.”
Tem momentos em que insistir deixa de ser força
e começa a virar desgaste.
A gente fixa o olhar em algo como se ali estivesse tudo
como se, alcançando aquilo,
o resto finalmente se organizasse por dentro.
Mas nem tudo que chama
é feito para permanecer.
E há um limite silencioso
entre persistir
e se perder de si tentando.Às vezes, o que falta não é mais tentativa.
É direção.
É entender que nem todo desejo precisa ser sustentado
até o esgotamento.
Que nem tudo que não veio
precisa ser esperado até cansar.
Existe um tipo de sabedoria
que não está em segurar,
mas em soltar o foco
antes que ele nos prenda.
Redirecionar também é escolha.
Também é cuidado.
Porque enquanto a gente insiste no que não responde,
outras possibilidades passam
discretas, vivas, possíveis.
E a vida não pede que a gente queira menos,
mas que a gente queira melhor.
Que a gente aprenda a mover o olhar,
a ajustar o caminho,
a trocar de direção sem sentir que falhou.
Às vezes, não é sobre abrir mão.
É sobre se devolver.
DEIXA IR (nova versão)
Há instantes em que o destino fala mais alto que o desejo.
Queremos tanto, esperamos tanto,
e quando enfim chega, já parte…
tão breve, tão fugaz quanto um sopro de vento.
Ah, que mistério é a vida, que loucura é o tempo.
Se está saindo, deixa ir.
Se não soube permanecer, deixa ir.
Se não soube cuidar, deixa ir.
Deixa ir, deixa ir…
Permite-se chorar, sofrer, lamentar,
mas não se aprisione ao que não quis ficar.
Porque a lógica é simples:
se partiu, é porque nunca foi raiz,
talvez nem deveria ter sido chegada.
Para ficar, é preciso o mais profundo dos sentimentos:
amor.
E se não há amor,
apenas deixa ir.
Abrir mão das antigas certezas cria o intervalo perfeito de presença, onde você deixa de ser quem era e começa, em silêncio, a se tornar quem veio para ser.
