Me Deixa Viver
Eu não quero passar despercebida por essa vida, não quero implorar amor, viver de detalhes baseados no meu último relacionamento falido, eu quero o lado bom que ainda não vivi, eu quero o lado certo da cama e entre ela, estar no meio dos seus braços e abraços...
Eu quero sentir que as BORBOLETAS estão em seu devido lugar, e não apenas sobrevoando sobre mim, eu quero o beijo doce que eu MEREÇO desfrutar...
E diante de tanto querer... eu descobri que eu nasci para me AMAR e estou pronta, para o amor enfim se aproximar.
Aceito a vida não como ela é, pois existe muito para ser mudado, mas aceito as maravilhas de viver. E tonar-me dia a dia... Um ser melhor.
Eu optei por ser feliz, optei por não ir contra a minha sensibilidade em viver nesse mundo. Não importa o que eu faça ou o que eu seja, eu não preciso assumir nada, mas negar um amor que avassala dentro de sí, é terrível, pois o tempo vai passar... E as lembranças apenas ficam no lugar de quem deveria estar.
Não quero ser pobre! - Meu espírito é rico demais para eu viver o resto da minha vida apenas sonhando.
... se o real
sentido do viver
é o aperfeiçoamento dos Seres;
então, unanimidades serão fatores
improváveis - porquanto na diversidade
das ideias o que possibilita que a
'roda do autoconhecimento'
continuamente gire; e cada Ser
vivente compartilhe o que já
alcança e vive!
... por vezes,
a arte de viver manifesta-se
como predição de um risco - outras vezes,
como invulgar devoção transmutada num
inestimável sacrifício - e ambos, riscos
e sacrifícios, alternando-se como
tributos e atributos enriquecendo
nossas cotas de
virtudes!
... somente
uma persistente e honesta
exposição às circunstâncias
do viver, permite que
valiosos lastrosse criem,
perpetuem-se!
... o desejado bem viver
é um processo, uma conquista,
nunca uma condição gratuita do Ser!
Certamente uma direção, um compromisso
avesso a um destino previamente prescrito,
infundado - sobretudo uma resposta,
uma obtenção suscitada por um
eficaz e aguerrido ingrediente:
a capacidade em gerir
próprias emoções
e talentos!
... como
demonstrou Jesus, o Cristo:
somente colocando nossas
'mãos na massa' do pleno viver, é
quepercebemos não somente a sua
consistência - mas, toda ciência e
autoestima que nos
propicia!
... penso
não ser mais tão difícil
perceber o quanto temos trocado
a 'arte de viver' - suas nobres
sutilezas;tão distintoslegados -
por umpunhado de descortesias,
abusos - refutando seus
vastosbenefícios
eporquês!
... a razão
do viver não se resume
a uma busca desenfreada
por nossa felicidade - contudo,
em perceber-se útil - visto que,
vem desse senso de utilidade
o que nos possibilita
habitualmente
felizes!
PASSAR E VIVER:
A perda da presença na contemporaneidade.
Vivemos uma época de velocidade e multiplicidade de estímulos; é cada vez mais difícil distinguir entre simplesmente “passar pela vida” e verdadeiramente “viver”. A diferença não é meramente semântica: trata-se de modalidades profundas de existência que modelam sentido, memória e identidade.
Passar pela vida equivale a ser arrastado pelos acontecimentos: rotinas, reações automáticas, acumulação de experiências sem reflexão. A sensação de que “o tempo passou e eu não” nasce daí não por falta de eventos, mas por ausência de integração. Viver, ao contrário, pressupõe presença reflexiva: observar o que ocorre, extrair significado, transformar percepção em mudança interna. Filósofos existencialistas já chamaram atenção para a urgência dessa presença; a modernidade acrescenta a distração em massa, que pulveriza a atenção e empobrece a memória afetiva.
Essa distinção mobiliza três eixos: atenção (capacidade de permanecer no instante), narrativa (a construção de uma história que dá sentido às experiências) e ética do aprendizado (usar o contato com o mundo para reformular escolhas). Quando a atenção falha, a narrativa racha: memórias perdem detalhes, afetos empobrecem e o sujeito se torna mero espectador de sua própria vida. A consequência mais grave não é apenas tristeza, mas uma erosão progressiva do caráter: escolhas repetidas sem compreensão não educam o interior.
Exemplos concretos
Considere o trabalhador que passa horas em tarefas mecânicas sem refletir sobre finalidade; ou a relação amorosa em que os parceiros acumulam convivência sem escuta deliberada. Ambos acumulam “tempo vivido” sem que o tempo se torne aprendizado. Em contrapartida, pessoas que praticam a reflexão regular mesmo breves momentos diários de atenção plena e análise convertem acontecimentos em pontos de virada pessoal.
A vida plena exige investimento: presença, reflexão e a disciplina de transformar experiência em sabedoria. Não se trata de romantizar cada instante, mas de recuperar a capacidade de aprender com aquilo que nos atravessa. Só assim deixamos de ser presenças fugazes e nos tornamos agentes do próprio destino.
II — Aprender com a vida: um mapa psicológico para o autoconhecimento
Introdução
Aprender com a vida é, antes de tudo, uma operação psicológica. Implica reconhecer padrões, aceitar falhas e transformar sofrimento em possibilidade de crescimento. A psicologia contemporânea oferece ferramentas para que a passagem dos anos se traduza em amadurecimento e resiliência.
Desenvolvimento
O processo de aprendizagem vital envolve três momentos: reconhecimento, processamento e integração. O reconhecimento é aceitar que uma experiência teve impacto (alegria, perda, frustração). O processamento exige que se nomeie a emoção, se analise o contexto e se busque compreensão evitando defesa automática ou repressão. A integração é a etapa transformadora: a experiência altera crenças, comportamentos e estratégias de enfrentamento.
Dois mecanismos clínicos são cruciais: a metacognição (capacidade de pensar sobre os próprios pensamentos) e a reatribuição de sentido (recontar um evento com foco em aprendizado). Pessoas que percorrem esse caminho reduzem sintomas de ansiedade e arrependimento. Psicoterapias baseadas em narrativa e em atenção plena oferecem protocolos práticos: diários reflexivos, reavaliação de episódios-chave e exercícios de exposição emocional assistida.
Ilustração prática
Imagine alguém que repetidamente falha em relacionamentos por medo de intimidade. O primeiro passo é reconhecer o padrão (reconhecimento). Em seguida, mapear crenças (ex.: “se me aproximo serei rejeitado”) e testar hipóteses através de pequenas ações (processamento). Por fim, incorporar novos relatos pessoais "aprendi que posso confiar progressivamente" e ajustar comportamentos (integração).
O resultado é que a história pessoal muda, e com ela a qualidade da vida.
Aprender com a vida é uma prática psicológica: avaliamos, trabalhamos e integramos. Trata-se de uma técnica de humanidade que todos podem cultivar. A transformação não exige heroísmo: exige metodologia diária, coragem para revisitar o passado e disciplina para reescrever o futuro.
III — Transformar passagem em sentido: práticas éticas e exercícios cotidianos.
Introdução
A diferença entre ter a vida como passagem ou como sala de aprendizagem é, muitas vezes, prática mais do que teórica. Este artigo propõe exercícios concretos e um pequeno código ético para transformar rotina em terreno de crescimento.
Desenvolvimento — Princípios éticos.
1. Presença deliberada: priorizar momentos onde a atenção é inteira (conversas, refeições, trabalho criativo).
2. Responsabilidade interpretativa: assumir que a interpretação dos fatos está sujeita a revisão; não culpar o externo sempre.
3. Curiosidade compassiva: investigar erros sem autocondenação, mas com compromisso de mudança.
4. Reciprocidade transformadora: fazer com os outros o que se espera de si mesmo aprender em comunidade.
Existem duas vidas, uma que vivemos das quais a realidade é o professor e a outra sonhamos viver, e que nem sempre acabamos de vive-la.
