Me Deixa que hoje eu To de Bobeira
Caí tantas vezes que aprendi a medir a altura do chão. Levantei com precisão, passo a passo. Hoje caminho sem medo do vão.
O que tentei esconder virou força para mostrar, transformei vulnerabilidade em alavanca, hoje exponho o que me fez inteiro.
Cada recomeço me fez mais inteiro, as quebras costuraram-me com nova trama, hoje sou a soma de todas as reconstituições.
O desprezo alheio virou combustível discreto, usei-o para polir minha determinação, hoje ele alimenta minha calma.
Quando a sorte faltou, inventei processo, o processo substitui a sorte com hábito, hoje sou fruto dessa construção.
A pressão afinou meu caráter, a pressão não me quebrou, me acertou, hoje tenho menos sobra de vaidade.
Hoje, um “bom dia” soa quase herético, a gentileza desperta olhares desconfiados, o afeto provoca incômodo. Chegamos ao ponto em que ser humano é resistência, e a ternura, um ato de coragem.
A resistência que exibo é resultado de escolhas, escolhi não ceder ao conforto da desistência, hoje levo a bandeira do feito.
No enfrentamento me tornei criador de saída, saída é arte de enxergar alternativa, hoje desenho rotas onde os outros veem muralha.
Meus limites foram redesenhados pela prática, hoje sei até onde posso rasgar sem perder a trama, a ousadia ganhou contorno seguro.
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