Me Deixa que hoje eu To de Bobeira
Eu costumava pensar que a comunicação era fundamental, até que percebi que era tudo uma questão de compreensão. Você pode comunicar o que quiser, mas, quando não é compreendido, há silêncio e incompreensão.
Ocidente e Ocidente
quanto mais tempo eu leio como um curioso as obras da academia ocidental e à 'pesquisa', mais eu me torno hostil à intervenção da erudição ocidental branca nos assuntos dos povos colonizados.
não há necessidade de contribuições brancas, ocidentais, questionamentos ou análises em relação ao sul global, povos colonizados ou minorias étnicas.
acadêmicos e professores brancos fetichizam, estetizam e exploram em nome de sua educação, estudos e carreiras.
uma sala de aula ocidental facilitada por um acadêmico branco é um local de violência, não de revolução
Meu corpo me desagrada, cada vez que o vejo eu sinto repulsa, o tempo passa e por mais que digam que é lindo eu não o vejo assim, eu o vejo achatado como uma tartaruga, vejo desproporcional como a princesa Caroço, vejo tristeza pois sinto a necessidade de ser como as outras mulheres mas nunca sinto que m encaixo, sou sempre uma areia movediça me afundando aos poucos, a sensação é devastadora, ninguém me aceita da forma como eu sou, as pessoas pegam ódio de mim sem motivo nenhum e consigo saber de forma antecipada que as pessoas vão me odiar, que vão pedir pra escolher, que nunca vão querer me conhecer de verdade, sinto que todos sentem prazer em desviar meu valor, sentem prazer em solicitar que eu seja despriorizada, que eu seja diminuída, mas ninguém se interessa em me conhecer de verdade.
Eu tentei seguir, mas o vazio caminha comigo. Ele senta ao meu lado, dorme na minha cama, repete suas lembranças como uma oração torta. Seguir em frente, às vezes, é apenas aprender a carregar o peso sem deixar que ele nos destrua por completo.
O medo ensina geografia de meus limites. Se eu o enfrentar com cuidado, amplio fronteiras. Se cedê-lo sem luta, empobreço de coragem. Aprendo a lidar com ele como quem estuda mapa. E, aos poucos, bordo novas rotas em mim.
Sou um grito que aprendeu a cadência da respiração. A dor continua lá, mas eu aprendi a caminhar com ela.
Fiz da ausência um hábito, depois um vício e, por fim, meu próprio nome. Já não sei quem eu seria se o vazio me deixasse.
Sinto falta da ignorância de quando o mundo parecia gentil, antes de eu aprender a arte da desconfiança e o peso do silêncio.
Meu maior receio é a domesticação da dor, o dia em que eu parar de estranhá-la e passar a chamá-la de rotina.
A escrita não é para o mundo, é para mim. Se eu não colocar no papel, o que sinto acaba por me implodir.
Não ostento força, ostento permanência. Com tudo o que já me convidou ao fim, o fato de eu ainda estar aqui é meu maior feito.
Carrego um luto sem rito de passagem, uma perda invisível que me transformou em alguém que eu ainda estou tentando conhecer.
Habito o hiato entre quem eu fui e quem eu nunca serei. É um espaço desconfortável, mas é o único lugar onde sou real.
Nas madrugadas, as máscaras descansam. Sou apenas eu, meu cansaço e a verdade crua que o dia não suportaria ver.
Cansado de ser o pilar silencioso, mas consciente de que, se eu falar, o estrondo do meu desabafo assustaria a todos.
Sinto saudades de uma versão minha que talvez nem tenha existido, apenas a ideia de quem eu poderia ser antes de tudo.
Sou um caos que encontrou na poesia sua única forma de ordem. Sem os versos, eu seria apenas estilhaços.
Há dias em que o cansaço não é muscular, é um peso que vem de séculos passados, como se eu carregasse o luto de todas as versões de mim que morreram antes de florescer. A gente não envelhece apenas pelos anos, mas pelas despedidas que fazemos em silêncio diante do café frio.
O amor, quando chega para alguém como eu, não entra pela porta da frente com flores, mas infiltra-se como a umidade nas paredes, gelando os ossos antes de se tornar parte da estrutura. É uma dor bonita, um jeito de sofrer acompanhado por alguém que também tem medo do escuro.
Sou o resultado de todas as vezes que eu disse "está tudo bem" enquanto meu mundo interno estava sendo devastado por um tsunami de incertezas. A resiliência é uma forma de exaustão que aprendeu a usar maquiagem, uma força que nasce da total falta de opção.
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