Matei Voce dentro de Mim
Me atrasei. Cheguei tarde demais para o beijo, não consegui a pole position para o seu bem querer. Mesmo estando lá quase todo o tempo, foi minha ausência quem você fez valer. E permanecemos sós, mesmo ao alcance de perdoar.
Foi fria, a tal da noite quente, usada de pretexto para dormirmos separados. E o desejo de não mais me sentir distante vai se afastando, à medida em que estico os braços e, com a ponta dos dedos, te toco — e minh’alma continua sozinha.
Gosto de presença, de casa cheia, de roda em praça. Gosto de gente quente, que liga, que chama, e que, mesmo quando tem que ir, deixa um até logo que convence. Até logo! Estou indo, mas continuo aqui.
E lhe bateu à porta um grande amor, que, através de olhos de vidro, fora informado da inconveniência de sua presença. Foi embora o amor, ser grande em outras portas adentro.
Percebo agora, que morrer de amor não é nada poético. É, é verdade, é verdade sim! O tempo passa, e chega a hora de ir. E ela vai. Mas nunca por completo!
Andei me reencontrando com velhas amigas perdidas, palavras que driblavam o discurso, deixando falas inacabadas. Voltaram, de aparência mudada, formando novos pares. Vieram em títulos, rimas de poemas — reinventaram suas próprias definições. Vieram completar balões e permiti-los voar, libertando a mim, de mim mesmo.
Por que colocar pra fora é uma necessidade? Por que virar poema, desenho, música, por que externar arte? Por amor? Para ser amado? Por amor. Para ser amado!
Vagando em uma quarta-feira qualquer,
separada pelo abismo de outros dias de feira, que, desprezíveis, prefiro nem citar, vejo aquele ônibus que, aos domingos, me transporta por entre realidades,
onde embarcam sonhos e saudades que amadurecem durante a viagem e desembarcam como vontades.
Esse ânimo que me dá de largar tudo e pegar esse ônibus pra te amar. Seja nas quartas, ou em todos os outros dias que houver, serei sempre meio, partido, inteiro apenas quando nós.
E dá-se a partida, o motor ligado vibra.
E meu corpo, junto, se alegra:
parto agora dessa odiosa rotina e deixo pra trás esse lugar onde não há você.
Parto-me pra junto de ti, onde volto a me montar, dessa vez, feliz.
Acredito que a felicidade é uma dádiva frágil, e que quando se perde essa luz, nada mais faz sentido nem o ouro, nem o brilho, nem o poder.
De pés no chão a professor
Fui criança de pés descalços,
sonhando com horizontes distantes.
Entre cadernos simples e risadas,
aprendi que o saber abre caminhos.
A vida me moldou em silêncio,
com desafios, quedas e recomeços.
E em cada passo, em cada lição,
crescia também minha paixão.
Hoje, ao entrar em sala de aula,
carrego comigo aquela criança.
Sou professor — fruto da esperança,
carregando no peito ainda o sonho de criança.
Lembro-me da primeira escola, e também da primeira professora,
Era um mundo novo e imenso,
mas cabia inteiro na palma da mão,
entre letras trêmulas e números tímidos,
nascia o sonho, brotava a paixão.
Mas, como nem tudo são flores
Veja bem a situação,
Me entrou na mente
Que ali não era o meu lugar,
E a escola naquele ano deixei de frequentar.
Mas como o destino estava traçado
Para a escola voltei,
carregado de histórias, sonhos e esperanças
de quem passou a acreditar na educação
É sentir que cada lição do passado
me preparou para estar aqui, presente.
Não esqueço de uma frase que minha mãe sempre falava “ quero ver um filho meu formado”
era um sonho costurado com amor,
era a esperança de dias melhores.
Para aquele menino de pés no chão
Não era só um diploma,
Mas a oportunidade de transformar a vida com dignidade.
Com isso me fez perceber que a vitória não era só minha e sim dela também.
Hoje me vejo um homem realizado,
Bem vestido e bem calçado,
Mas jamais esquecerei do meu passado
De um menino de pés no chão,
De um sonho de uma mãe profetizado,
Do barro nasceram meus passos,
do estudo, a esperança cresceu.
E hoje, com orgulho e amor,
o menino tornou-se professor.
Maurilio de Jesus.
Estão no nível de ousadia tão grande, a pessoa compra um "pega ladrão na internet" é extraviado em outro estado, você vai na loja e não lhe vendem nada que possa lhe proteger, pois querem continuar a invadir a casa enquanto todos dormem.
Era uma vez um menino que sonhava em versos
E descobriu que o mundo é um moinho,
Moendo sonhos em chão de giz,
Transformando flores em espinhos.
Aprendeu que ser sensível demais
É carregar uma cruz de vidro,
Que a vida corta quando toca,
E que o amor pode ser um vício.
Pediu socorro nas madrugadas,
Quando o silêncio pesava mais,
E percebeu que nunca seria suficiente
Para ninguém, nem para si jamais.
O tempo passou como lágrimas na chuva,
Transbordando em noites sem dormir,
Até que aprendeu a deixar fugir
Tudo o que um dia quis construir.
No final, restou apenas paciência
Para os adeus que ninguém escutou,
E a certeza de que algumas dores
São grandes demais para quem as guardou.
Você não sabe o peso que carrego,
Nem eu sei mais onde encontrar
O que perdi no meio do caminho
Entre o querer e o desistir de amar.
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