Matei Voce dentro de Mim
“Se não penso no que penso, não penso; apenas aconteço dentro do pensamento de um ‘eu’ que nunca pensei.”
Quem poupa dinheiro acumula patrimônio; quem poupa os filhos da vida acumula um credor dentro de casa. Cada dificuldade evitada hoje cobra, amanhã, juros em forma de imaturidade, dependência, manipulação e ingratidão. Pais que confundem amor com proteção excessiva não criam herdeiros de valores, mas órfãos de caráter. Porque quem cresce sem o peso da responsabilidade jamais desenvolve a força para sustentar a própria existência.
“Não basta pensar para existir; muitos apenas repetem pensamentos que nunca nasceram dentro deles. Eu não penso, logo existo; eu penso, questiono e resisto, logo deixo de ser apenas uma existência e me torno consciência.”
"Dentro dos seus olhos eu vi refletir uma linda jovem de calça xadrez a sorrir.
Dentro do seu corpo eu sinto o universo em mim,
dentro do seu cheiro eu não quero partir
e ao seu lado tudo teve um fim."
A arrogância e a ignorância são características de quem está perdido dentro de si mesmo, está sempre armado sempre contra o mundo.
O INTERIOR
O céu,
o inferno,
ou o meio-termo,
estão dentro do próprio coração.
Antes de crer na grandeza do universo,
é preciso ponderar o que existe dentro da própria cabeça.
Fazem-se perguntas para as quais ainda não se está pronto para as respostas.
Criam-se expectativas que, muitas vezes, rasgam as próprias entranhas.
A vida boa é no passo do gado:
pastando, remoendo,
na sombra, vendo o sol se pôr.
A eternidade, a doce eternidade,
é assunto da crença de cada um.
Se não crê no inferno,
mas não destrua o céu dos outros.
Abandone de verdade todo tipo de ansiedade, ela é cruel, injusta e matadeira porque traz pra dentro de você somente o seu ruim da vida inteira.
Se muitos homossexuais com sua sensibilidade vivem escondidos dentro do armário, muitos heterossexuais com sua violência normativa são trancados atrás das grades.
Primeiramente quem consegue enxergar dentro de si a verdadeira essência humana, carrega sempre consigo as excelentes manifestações do olhar do outro
Precisamos ter mais transformações dentro de nós frente as mudanças que estão acontecendo ao nosso redor.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
Eu sei exatamente o que está acontecendo aí dentro agora. Sei que o vazio da casa parece ensurdecedor, que o celular virado para baixo na mesa pesa uma tonelada e que, toda vez que você fecha os olhos, a risada daquela pessoa soa como um deboche. Dá a sensação de que o mundo inteiro se uniu num complô invisível só para ver até onde você aguenta sem quebrar.É humilhante, eu sei. O pior da rejeição não é nem a ausência física; é o orgulho ferido. É a sensação de ter sido feito de bobo por quem você mais protegeu. Ver quem te quebrou seguir em frente, rindo, bebendo e postando fotos, enquanto você mal consegue digerir a comida, dá uma raiva que queima o peito. Você se pergunta: "Como alguém consegue dormir em paz sabendo o estrago que deixou para trás?"Mas escuta aqui, com toda a franqueza que ninguém teve coragem de te dizer até agora: engula o choro por quem não derramaria uma lágrima pelo teu velório.A verdade nua e crua é que essa pessoa não está rindo de você porque ela é superior ou mais feliz. Ela está rindo porque é rasa. Gente vazia faz barulho para macronizar a própria insignificância. O erro nunca foi seu por ter amado demais, por ter sido leal ou por ter entregado o seu melhor. O erro foi dela, que recebeu um banquete e preferiu comer migalhas no chão.Essa dor que está rasgando o seu peito hoje não é o seu fim. É o seu batismo de fogo. É o momento exato em que a sua inocência morre para dar lugar à sua armadura. O mundo não está contra você. O universo só teve que arrancar essa pessoa da sua vida com violência porque sabe que, se dependesse do seu coração mole, você nunca teria coragem de soltar. Foi um livramento fantasiado de tragédia.Chore tudo o que tem para chorar hoje. Lave o rosto. Mas guarde bem essa lição para o resto da sua vida: nunca mais dê a chave do seu valor na mão de quem não sabe o preço de nada. Daqui a alguns meses, quando a poeira baixar e a sua vida estiver reconstruída, você vai olhar para trás e perceber que quem realmente perdeu não foi quem ficou chorando no quarto. Foi quem perdeu você.Levanta a cabeça. O jogo ainda não acabou, e a vida tem um jeito muito bonito e silencioso de colocar cada um no seu devido lugar.
Eu sei exatamente o tamanho do estrago que está aí dentro agora. Sei que o barulho dos teus próprios pensamentos sufoca qualquer tentativa de respirar, que olhar para a tela desse celular apagado te dá náuseas e que, no instante em que deitas a cabeça no travesseiro, o eco daquela indiferença parece um tapa na tua cara. É uma solidão violenta. Dá a nítida impressão de que a vida escolheu você para ser o alvo de uma piada de mau gosto.A humilhação engasga, eu sei. O que destrói a gente por dentro não é só o ponto final; é a covardia do processo. É a sensação agonizante de ter sido descartado como um rascunho por quem trataste como obra de arte. Ver quem te quebrou seguir a vida intacto, blindado, esbanjando uma felicidade barata em redes sociais enquanto mal consegues forças para levantar da cama, gera uma revolta que queima o estômago. A gente se prende na pergunta: "Como alguém consegue seguir tão leve depois de carregar o peso de ter destruído outra pessoa?"Mas escuta aqui com atenção, porque o que eu vou te dizer agora ninguém tem a coragem ou a hombridade de falar: pare de sangrar por quem não moveria um dedo para te estancar.A verdade mais brutal é que essa pessoa não está rindo porque venceu ou porque é imune à dor. Ela faz barulho porque é oca. Gente superficial precisa de plateia e de aparências para esquecer a própria miséria interna. O teu erro nunca foi a tua entrega, a tua lealdade ou o tamanho do teu peito. O erro foi o endereço. Ofereceste profundidade para quem só sabe viver no raso, e quem só sabe nadar em poça d'água sempre vai se assustar com a imensidão do mar.Essa dor que parece que vai te matar hoje não é o teu caixão. É o teu despertar. É o exato segundo em que a tua ingenuidade é enterrada para que a tua maturidade possa nascer. O mundo não virou as costas para ti. O destino só precisou arrancar essa pessoa da tua história com força, porque sabia que o teu coração, orgulhoso e teimoso, jamais aceitaria soltar por vontade própria. Foi um livramento bruto, disfarçado de desastre.Chore o que tiveres que chorar agora. Deixa sangrar até cansar. Mas grava essa lição na pele para o resto dos teus dias: nunca mais permitas que quem não conhece o teu valor determine o tamanho do teu preço. Daqui a algum tempo, quando a tempestade passar e recolheres os teus pedaços, vais olhar para trás com os olhos limpos. E vais perceber que o verdadeiro prejuízo não foi de quem ficou com o peito rasgado na arena. Foi de quem perdeu o direito de caminhar ao teu lado.Sustenta o teu peso. A história não termina no capítulo da queda, e o tempo tem uma paciência cirúrgica para devolver a cada um o troco exato do que plantou. Lembre-se de que o mundo gira.
A pele bonita é só um papel de presente que o tempo rasga sem pressa, mas o que vem dentro é o que fica; a vida só nos perdoa quando entendemos que um rosto lindo pode até encher os olhos, mas é o coração bonito que limpa as nossas lágrimas e nos acolhe quando o mundo nos deixa em pedaços.
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