Mario Quintana- Brevidade da Vida
Hoje durante a minha caminhada
na Serra da Tiririca, entre árvores 🌳 🌴, plantas nativas 🌾🌿, flores 🌼🌺
e frutos 🥭🍌🍒🥑🥥 ...
oxigenei o meu olhar
com o ar puro da mata🌳🌳🌳
e a minha alma de silêncio e serenidade.
No caminho, voltando para casa 🏠
observei casas com muros altíssimos, câmeras de segurança em cada ângulo dos muros e nos portões... em todas!
Da mata aberta para os muros fechados,
a paisagem mudou, e com ela, o jeito de viver...
Lembrei de um tempo, onde as casas disputavam serem as que tinham o jardim mais bonito...
com varandas cheias de vasos pendurados com samambaia chorona, renda portuguesa, dólar, dinheiro-em-penca , lambari roxo e tantas outras espécies de plantas que pendem dos vasos... os canteiros do jardim com rosas vermelhas, amarelas, brancas, rosas🌹 ... dálias de todas as cores🌸... jasmim, margaridas, girassóis 🌻flores de todos os tipos e cores🌼⚘... era um verdadeiro arco-íris... cores e aromas...
As vezes, na ida para a escola, a gente "roubava" uma das flores para presentear a professora ... ou na volta para casa para agradar a vovó, a mãe, a madrinha ou a tia...
a família , quase que toda, morava na mesma rua ou bairro...
Onde foi parar o cenário de um tempo?
Nas cercas floridas dentro do recinto amarelado das memórias.
✍©️@MiriamDaCosta
E amanheço o meu olhar
respirando os versos molhados
que a chuva generosa escreveu
na pele da madrugada.
✍©️@MiriamDaCosta
A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira.
✍©️@MiriamDaCosta
É que das feridas
eu fiz canteiros férteis,
onde floresço versos
como quem transforma dor
em estação de primavera.
Reguei cicatrizes
com silêncio e insistência,
adubei perdas
com a coragem de permanecer.
E onde
antes sangrava,
hoje brotam palavras.
Porque a terra que fui
e que sou
não recusou a estiagem,
aprendeu a germinar
por si só.
✍©️@MiriamDaCosta
Ela se virou
e com o olhar bordado de poesia,
acariciou as teias de aranha do passado
e com as narinas da saudade
exalou toda a sua poeira de versos.
✍©️@MiriamDaCosta
Na Praia de Itaipu,
o mar não grita,
ele conversa baixo
com quem sabe escutar.
Aqui,
na Região Oceânica de Niterói
o horizonte verde
não é promessa turística,
é confidência.
Eles correm
como se o mundo
não tivesse muros e portão
como se a areia
fosse extensão do peito
e a liberdade
não precisasse de plateia.
O vento penteia o pelo,
a onda beija as patas,
e o tempo,
(Ah, o Tempo!)
desaprende a pressa.
Entre a restinga e a espuma
há um pacto silencioso:
coabitar é respeitar
o ritmo das marés.
Eles,
como eu,
amam a praia deserta.
E eu,
amo vê-los livres,
longe do ruído humano,
longe do excesso,
longe da invasão dos sem noção.
Na Praia de Itaipu,
até o silêncio tem corpo.
E a liberdade
anda de quatro patas
ao lado da minha alma. 🐾🌊
✍©️@MiriamDaCosta
No tremor das letras,
sou terremoto de palavras,
no tsunami dos meus versos.
Abalo sílabas,
desloco sentidos,
rompo diques de silêncio.
Não escrevo:
erupciono.
Não declamo:
transbordo.
Sou falha geológica
no solo raso do óbvio,
placa que colide
com a hipocrisia das margens.
E quando a maré baixa,
não sobra calmaria,
sobram ruínas férteis
onde germinam
novos alfabetos de fogo.
✍©️@MiriamDaCosta
Diante da parvoíce natural de algumas pessoas...
fica evidente a enorme vantagem
da credibilidade da Inteligência Artificial...
✍©️@MiriamDaCosta
Ode á Minas Gerais ❤🔺️
Minas Gerais
é tudo e muito mais,
é a terra de muitos “uais”,
onde já se lamentou tantos “ais”
e ainda assim, seguiu em paz.
É montanha que guarda segredo,
é fogão a lenha aceso cedo,
é café coado sem medo
e prosa que vence qualquer enredo.
É sino que ecoa na praça,
é fé que nunca se disfarça,
é o ouro que a história traça
na pedra-sabão que o tempo abraça.
É o barroco que ainda respira
em cada igreja que nos mira,
como as obras de Aleijadinho
que fez da dor arte que inspira.
É o canto que corta o sertão,
como a voz de Milton Nascimento
ecoando no coração
feito trem riscando a imensidão.
É memória da Inconfidência,
é chama viva da resistência,
como o sonho de Tiradentes
ardendo em silêncio e consciência.
Minas não se explica, se sente,
é mansa na fala, forte na mente,
é doce no queijo, firme na gente,
é lar permanente.
Ter origem mineira é bão dimais, sô!
É carregar no peito um sol
que nasce atrás das montanhas
afogueia rio, vale e cachoeira até as entranhas
e, no coração, nunca se põe.
Minas é terra sofrida
de gente boa, calma e querida
que come quieta e tem sabedoria
diante do mundo e de sua agonia.
Minas é trem bão dimais sô!
É o jeitin caipira da vó e do vô,
no fogo a lenha, o pão de queijo, o cafezin
a broa de milho, tudo quentin!
Minas Gerais
é tudo e muito mais,
é a terra de muitos “uais”,
onde ainda se lamenta tantos “ais”
e ainda assim, segue em paz.
✍©️@MiriamDaCosta
Façam calçadas!
Asfaltem as ruas!
Cimentem os quintais!
Derrubem árvores
aqui e ali,
até que o “ali” não exista mais.
Invadam serras e matas
com condomínios luxuosos
ou barracas medíocres,
a ganância,
não distingue acabamento.
Aterrem manguezais,
beiras de rios,
lagunas e lagoas!
Avancem até a beira
dos mares e dos oceanos,
como se a maré obedecesse
escritura humana.
Mas lembrem-se:
a terra precisa respirar.
A água precisa fluir.
Não reclamem
quando a água visitar a sua sala
sem pedir licença.
Não reclamem
quando a terra,
cansada de sustentar excessos,
desmoronar sobre os seus projetos.
Você não viu.
Você não se importou.
Você derrubou,
aterrrou e invadiu.
Um dia
a Natureza reaverá
cada centímetro desapropriado.
A Natureza tem leis.
O ser humano as infringe
até que a sentença chegue.
E nessa hora
não há Santo,
não há Deus,
não há Jesus
que dê conta
de tanta insensatez.
O ser humano é insaciável
e irresponsável.
A Força da Natureza
é implacável.
✍©️@MiriamDaCosta
Acreditar no que é falso
ou desacreditar do que é verdadeiro?
Ou (melhor ou pior ainda)
desconfiar de tudo
e não levar fé em nada?
Eis a questão em tempos modernos,
onde é fácil a manipulação e criação
de imagens, vídeos, expressões faciais
e voz com a ajuda da IA.
O paradoxo nosso de cada dia está servido!
Não é apenas o risco da mentira,
é o risco da erosão da confiança.
Quando tudo pode ser fabricado com ajuda de IA, surge um fenômeno perigoso que estudiosos chamam de dividendo do mentiroso: mesmo diante de provas reais, alguém pode dizer “é IA!” , e pronto, instala-se a dúvida.
O perigo maior talvez não seja acreditar no falso e nem desacreditar do verdadeiro,
é desistir da busca pela verdade.
Porque quando desconfiamos de tudo
e não levamos fé em nada, nasce o cinismo.
E o cinismo é terreno fértil para qualquer tipo de manipulação.
Se confio demais, sou ingênua.
Se desconfio demais, me isolo.
Se não confio em nada, me anestesio.
Acreditar ou não acreditar?
Eis a questão!
Confiar, uma opção.
Desconfiar, a solução.
✍©️@MiriamDaCosta
No calendário é (ou seria…) verão 🌞
mas o sol parece uma promessa
que não assinou contrato com o céu.
Já nem me lembro
da última vez
em que estendi as roupas lavadas
no varal do quintal,
onde o vento fazia carinho
e o sol beijava as roupas
até deixá-las com perfume de tarde.
Faz tempo. 🌞
Tempo de nuvens espessas, 🌧
de chuvas que não pedem licença,
de previsões que mudam de humor
como quem muda de roupa,
e ironicamente
a roupa é que não muda de lugar.
Agora estendo tudo no varal do porão,
entre paredes
e uma claridade tímida
que entra pelas frestas
como quem pede desculpas.
É verão no papel, mas por aqui
as estações parecem suspensas.
E enquanto as roupas
demoram a secar,
eu penso que talvez
haja dias assim também na alma,
dias de porão,
em pleno verão.
✍©️@MiriamDaCosta
Ode à Lua Cheia ❤🌕
Óh Lua Cheia!
Guardiã ancestral das marés
e dos segredos e versos
que a noite, em silêncio,
costura, remenda e borda
nos tecidos da alma.
Teus raios prateados
não invadem,
acariciam.
Escorrem mansos
sobre telhados adormecidos
e nas trilhas notâmbulas
de pensamentos e inspirações
das almas poéticas insônes.
Óh! Lua Cheia!
Há algo de misterioso em ti
que convoca o íntimo,
como se cada raio teu
abrisse uma fenda secreta
dentro da alma.
Sob tua presença redonda e plena
os lobos solitários
uivam,
os poetas sonhadores
despertam,
os amantes sedentos
se embriagam
nas juras de amor e paixão
que brilham no crepúsculo.
Óh! Lua Cheia!
Espelho branco do mistério,
quantas confidências humanas
já repousaram no teu silêncio?...
És bússola das águas,
farol dos navegantes,
cúmplice das inquietações
de quem olha o céu
procurando respostas
que só o silêncio sabe ofertar.
Óh! Lua Cheia!
Tão inteira,
tão calma,
tão distante
e ainda assim...
tão próxima
do âmago humano.
✍©️@MiriamDaCosta
A guerra
é a maior demonstração
de falência da racionalidade.
É quando a palavra
é substituída pelo projétil,
o argumento pela pólvora,
a diplomacia pelo luto.
É o ápice
da inteligência técnica
e o abismo
da inteligência ética.
Porque pensar
é construir pontes.
Guerrear
é dinamitar margens.
Quando a razão
adoece,
quem sangra
é a humanidade.
A guerra
é a resposta imediata
dos parvos.
E no fim,
sempre no fim,
resta a pergunta
que poderia ter sido feita
antes do primeiro disparo...
✍©️@MiriamDaCosta
Entre os files de Epstein,
a lista de Vorcaro,
os drones rasgando o céu
do Oriente Médio,
como pássaros de metal
que desaprenderam a pousar,
entre as balas perdidas,
que no Rio sempre encontram um corpo,
as fake news que se espalham
nas redes sociais,
como epidemias digitais,
os escândalos,
os feminicídios,
os homicídios
e os golpes
que atravessam o Brasil
e o mundo afora,
como uma sucessão interminável
de feridas abertas,
eu permaneço.
Permaneço aqui,
entre a caneta
e as páginas brancas.
Como quem insiste
em acender uma faísca
no meio da tempestade...
E vou consumindo versos
entre a Serra da Tiririca,
a Lagoa de Itaipu
e o Oceano Atlântico,
onde o verde
ainda entoa a esperança
e o vento ainda sabe
pronunciar silêncio.
Mas a verdade é outra!
Não sou eu
que consumo a poesia.
É ela
que lentamente
me devora e nutre.
✍©️@MiriamDaCosta
Penso, logo existo.
Em pensar, insisto.
De insistir, não desisto.
De não desistir, persisto.
Em persistir, me consisto.
No consistir, existo.
Em existir, resisto.
É tudo um imprevisto,
esse grande misto
onde é previsto
um rimar nunca visto
e eu me revisto.
✍©️@MiriamDaCosta
Às vezes sinto
que vejo o mundo
como uma enorme lixeira
transbordando...
de excessos,
de ruídos,
de mentiras mal recicladas...
um aterro de consciências,
onde se empilham
mentiras em decomposição
e vaidades com cheiro de podre...
Um lugar onde
se descartam princípios
como embalagens vazias,
onde a ética
é jogada no fundo do saco
junto com restos de conveniência...
O ar
anda pesado de hipocrisia,
e os urubus da esperteza
sobrevoam satisfeitos
esse banquete de decadência...
E eu,
catadora de sentidos,
com o estômago da alma embrulhado,
reviro os escombros humanos
procurando,
entre latas amassadas de caráter
e plásticos rasgados de moral,
algum vestígio ainda vivo
de Humanidade.
✍©️@MiriamDaCosta
Sou poetisa do tudo
e pensadora do nada
neste mundo de excessos
de uma humanidade em carências.
✍©️@MiriamDaCosta
Olhai os lírios pelos caminhos
por onde vais.
Eles não gritam,
não disputam espaço
com o caos do mundo.
Apenas estão ali,
silenciosos,
inteiros,
abertos ao sol
e às intempéries.
Enquanto os homens
correm atrás de urgências
que nunca terminam,
os lírios
simplesmente florescem.
Não perguntam
quem és,
de onde vens
ou para onde vais.
Oferecem sua beleza
sem cálculo,
sem testemunhas,
sem esperar aplausos.
E talvez seja por isso
que ainda resistem
à pressa das cidades
à estiagem
e à dureza dos tempos.
Por isso,
quando o peso do mundo
tentar endurecer teus passos,
olhai os lírios
pelos caminhos por onde vais.
Talvez eles te lembrem
em silêncio
que a vida
não foi feita apenas
para ser suportada
mas também
para florescer.
✍©️@MiriamDaCosta
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