Mario Quintana- Brevidade da Vida

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Neoliberalismo: novo liberalismo sem a sabedoria e a eficiência do velho, mas com a falta de compostura que caracteriza a acumulação primitiva do capital e as pilhagens depois que a terra foi arrasada e a ética morreu, o que permite taxas de acumulação diretamente proporcionais à barbárie usada.

Diplomacia: arte milenar de continuar falando de paz quando a guerra já devastou tudo e só resta fazer as contas dos estragos, das perdas, das mortes e das terras que serão roubadas pelo vencedor.

Futebol: tentativa de resolver com os pés o que não foi possível com as mãos.

Música sertaneja: gênero escolhido por pessoas que sempre viveram na cidade, mas ganham dinheiro suficiente para comprar uma fazenda em Goiás.

Rede social: ambiente tecnológico associal em que nenhuma conexão humana prospera.

O tempo não perdoa.

Seria possível contar a história das forças armadas no Brasil como a história dos golpes de Estado fracassados ou bem-sucedidos.

Os militares brasileiros parecem se atrapalhar com as armas sem guerras para combater. Assim, no tédio das casernas, sonham com poderes políticos.

Toda tese pode ser defendida. Tudo dependerá da capacidade retórica do argumentador.

Fatos não existem crus no mundo jurídico. Só interpretações.

Um dos problemas de se envelhecer é ter de fazer o normal como extraordinário. Por exemplo, levantar os braços, amarrar os sapatos, coçar as costas, abaixar-se e caminhar.

O mundo se divide agora em duas categorias: os que fazem academia e os que não fazem.

Jovens saem correndo quando chega um velho contador de histórias. Têm pressa de não escutar o que talvez venham a viver.

A elite empresarial e financeira deixou-se seduzir por um capitão dispensado do Exército por tentar um golpe contra seus superiores e o colocou na presidência da República. Foram quatro anos de vexame, culminando com a tentativa de golpe para não devolver o poder depois de derrota em eleições livres e limpas.

A geopolítica, a mais cínica das visões de mundo, divide o planeta em três grandes áreas de influência: chinesa, russa e norte-americana.

Países como o Brasil, que não têm poderio militar para defender a integridade do seu território, existem por assentimento internacional.

Estamos vivendo uma revolução tecnológica e outra comportamental. A ideia de viver para trabalhar já não convence.

Eis uma das distorções da democracia: o mais visível passa a ser confundido com o mais preparado.

Best-seller: obra lida por quem nunca abre um livro.

⁠Pode existir cidadão quando o homem passa de pessoa a consumidor e de indivíduo a figura virtual?