Margarida Rebelo Pinto
Não se ama pelas qualidades. Nem por isto ou por aquilo. Ama-se simplesmente, e sobretudo ama-se apesar deste e aquele defeito.
"O meu esforço será sempre inútil porque, por mais que faça, acabarás por me escorrer por entre os dedos."
"Usamo-nos todos uns aos outros e chamamos a isso amor. E, quando já não nos podemos usar uns aos outros chamamos a isso ódio."
O que eu mais gosto no amor é que, quando é a sério, cabe tudo lá dentro. A paixão, o desejo, o pulsar das almas e a serenidade dos pensamentos, a vontade de construir outra vez o mundo à imagem e semelhança do que sentimos, a paz dos regressados e a poesia das folhas brancas que cada dia esperam a doçura das palavras e a certeza das ideias.
O amor é mais do que querer, desenhar, sonhar e amar. É partilhar a vida inteira, numa entrega sem limites, como mergulhar no mar sem fundo ou voar a incalculáveis altitudes. O amor é muita coisa junta, não cabe em palavras nem em beijos, porque se leva a sim mesmo por caminhos que nem ele mesmo conhece, por isso quem ama se repete sem se cansar e tudo promete quase sem pensar, porque o amor, quando é a sério, sai-nos por todos os poros, até quando estamos calados ou a dormir.
Quando há amor e mágoa, esta desaparece sempre primeiro. Se a mágoa prevalece é porque aquilo que existia não era amor verdadeiro. Perdoamos na medida em que amamos, já escrevi isto e não me importo de o repetir, porque é verdade. Perdoamos na medida em que amamos. E quando deixamos de amar alguém e remetemos o nosso amado para o esquecimento, convencidos de que nunca conseguiremos perdoar, o esquecimento acaba por ser uma forma de perdão.
"Decidir? Saberás tu algum dia conjugar esse verbo? Tu que nunca decidiste nada, que sempre te deixaste ir ao sabor da corrente."
"Abraçámo-nos nem sei durante quanto tempo, só sei que tudo parou ali mesmo, outra vez, mais uma vez. De repente estávamos de novo sozinhos, entregues um ao outro, o mundo era um outro lugar, como no dia em que nos conhecemos."
“Hoje olho para trás e não sinto nada. Nada vezes nada. Apenas uma sensação de náusea muito vaga e a certeza absoluta de que nunca teria suportado a sua presença na minha vida”
"Estas respostas vagas e tão imprecisas só me confundiram ainda mais. Não que ele não tivesse direito a elas, eu é que nunca as soube aceitar."
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