Mais que uma Mao Estendida
Quem precisa invalidar uma causa para defender outra, pode acreditar em qualquer coisa, menos que tenha uma causa legítima para acreditar.
Porque causas verdadeiras não precisam nascer da demolição das demais.
Elas se sustentam pela própria densidade moral que carregam, pela coerência entre aquilo que dizem defender e aquilo que estão dispostas a preservar no mundo.
Quando alguém sente a necessidade de ridicularizar, desumanizar ou apagar a dor alheia para que a sua bandeira pareça maior, talvez não esteja defendendo uma causa — esteja apenas disputando território no mercado das indignações.
A legitimidade de uma luta não se mede pelo volume com que ela silencia as outras, mas pela capacidade que tem de existir sem negar a dignidade de quem também luta.
Afinal, o sofrimento humano não é um campeonato, e a justiça não deveria depender de quem consegue gritar mais alto ou cancelar mais rápido.
Há quem transforme causas em trincheiras identitárias, onde o objetivo deixa de ser reparar injustiças e passa a ser vencer adversários imaginários.
Nesse terreno infértil e inóspito, qualquer argumento serve, qualquer distorção vira estratégia, e qualquer verdade inconveniente é descartada como traição.
A causa vira instrumento — e instrumentos, nas mãos erradas, raramente constroem algo que mereça ser chamado de justo.
Talvez a maturidade de uma sociedade comece quando entendermos que defender algo não exige destruir tudo o que não seja idêntico a nós.
Pelo contrário: as causas mais nobres costumam caminhar lado a lado, porque reconhecem na dor do outro um espelho possível da própria dor.
No fim das contas, quem precisa diminuir o mundo para botá-lo dentro da própria causa, talvez nunca tenha lutado por justiça — apenas por pertencimento.
E pertencimento, quando substitui a verdade, aceita qualquer narrativa que preserve o grupo… mesmo que sacrifique a honestidade da caminhada.
Para
os que tentaram
muito menos do que meus erros, sempre serei uma pessoa de
Muita Sorte.
Para os que sempre ousaram muito pouco, meus tropeços sempre parecerão atalhos.
Para os que não arriscaram, meus erros soarão como privilégios.
E assim nasce a ilusão da sorte: ela costuma ser confundida com a coragem de tentar.
Serei sempre “uma pessoa de sorte” aos olhos de quem não viu as noites mal dormidas, as portas fechadas, as dúvidas que quase me fizeram desistir.
Porque quem observa de longe, só enxerga o resultado, raramente o preço.
A sorte, quase sempre, é apenas o nome elegante que se dá à insistência.
Meus erros não foram atalhos dourados; foram caminhos pedregosos que escolhi atravessar.
Cada falha carregou constrangimento, aprendizado e cicatriz.
Mas também carregou movimento.
E há uma diferença brutal entre cair caminhando e permanecer intacto por nunca sair do lugar.
Talvez seja mais confortável acreditar na sorte alheia do que encarar a própria omissão.
Afinal, admitir que alguém chegou mais longe porque tentou mais exige coragem para rever as próprias escolhas.
Se me chamarem de sortudo, aceitarei com serenidade — mas saberei, em silêncio, que minha maior sorte foi não temer errar em público, aprender em silêncio e continuar tentando quando seria muito mais fácil parar.
Porque, no fim, a Sorte costuma abraçar quem insiste em encontrá-la pelo caminho.
Um ser humano deve ser capaz de mudar uma fralda, planejar uma invasão, carnear um porco, pilotar um navio, projetar um edifício, escrever um soneto, puxar o saldo de contas, construir um muro, encanar um osso, confortar os moribundos, cumprir ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, carregar estrume, programar um computador, fazer uma refeição saborosa, lutar com eficiência e morrer corajosamente. A especialização é para os insetos.
Hoje, ao cuidar do jardim
Eu pensei assim:
Será que vale a pena plantar uma flor
Se não tenho nenhum amor
A quem ofertar?
Porém, outra pergunta sempre vem:
De que me valeria amar alguém
Que eu não tivesse junto a mim
E se acaso
Estando ao abrigo do peito
O amor acabasse?
Amores sem qualidade
Fatalmente são de outro jeito
E nunca tem respeito e nem propósito
Precisa botar atenção
No prazo de validade
Pois, se insistir em durar mais
Ele Jamais vai ser como eu quis
Às vezes, de tanto querer
E tanto fazer, mesmo estando distante
Não dura um instante mais
De que me valeria fazer tanta coisa
Quando o mais importante eu não fiz
A gente precisa entender
Que semente de amor
Difere de plantar flor
A flor cresce se a semente presta
Mas amor é diferente
e fere sem crescer direito
Mesmo que a semente seja bem cuidada
de instante em instante
Não tem jeito
A vida passa
E não acontece nada
Que traga a graça da flor
Só nasce dor
E um morrer sem viver
Sem ter uma flor pra chorar por mim
E então eu pensei assim:
Pra nascer uma flor qualquer
É melhor nem plantar um jardim
Edson Ricardo Paiva
Deve ser muito triste
Ser uma bonita flor que se abre
Sem abelhas a acolher
E nem olhares a apreciá-la
Veleiro sem mar
Uma estrela, cujo brilho nada alcança
Ser uma ilha no meio do nada
Às vezes não há lugar nenhum para ir
E vidas que se vão
Sem jamais ter havido
Um abrigo de abraço
Um laço sequer
Nenhum ponto onde voltar
Nada melhor
Deve ser muito triste viver desse jeito
Pense em você mesmo num lugar assim
E depois olhe ao redor
Procure entender
A dor que você não sente
Essa dor existe
E muito provavelmente
Deve ser uma dor muito triste.
Edson Ricardo Paiva
Vamos acorda!? Mas uma página do livro da vida deve ser escrita hoje e só você pode escrever a sua história.
Balzac, fundou um jornal, que se desfez como um sinho. Então, com uma risota alegre, pôs-se de novo a escrever.
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