Mais que uma Mao Estendida

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Eu descobri uma coisa simples que parece pequena, mas muda o rumo do meu dia inteiro, como quem muda a direção de um barco só girando levemente o leme. Eu acordo, ainda meio sonolenta, com aquele pensamento automático de já pegar o celular, ver o mundo, ver a vida dos outros, ver o que nem é meu… mas aí eu me lembro de mim. E paro. Só paro.

Fecho os olhos. E pronto, o espetáculo começa sem precisar de tela.

Tem o passarinho que canta como se estivesse anunciando alguma novidade urgente, que na verdade nunca chega, mas ele insiste. Tem o vento que bate nas folhas como se estivesse fofocando segredos antigos da terra. Tem um cachorro lá longe que resolve participar da orquestra sem ser convidado. Tem até o silêncio, que não é ausência de som, é um som mais profundo, mais honesto, quase tímido.

E eu fico ali, quieta, como se estivesse assistindo a vida sem interferir nela. Sem pressa, sem cobrança, sem aquela lista mental que vive me perseguindo. Só ouvindo. Só existindo. Só sendo.

É engraçado como a gente passa tanto tempo procurando paz em coisas grandes, caras, distantes… quando ela mora ali, encostada na manhã, esperando só que alguém feche os olhos e escute. Não é sobre ter tempo, é sobre escolher parar. Nem que seja um pouquinho. Nem que seja um minuto roubado da correria.

E quando eu abro os olhos de novo, o mundo continua o mesmo. Mas eu não. Eu volto mais leve, mais inteira, como se tivesse lembrado quem eu sou antes de virar obrigação.

Se eu pudesse dar um conselho, daqueles simples e teimosos, eu diria: faz isso também. Fecha os olhos de manhã e escuta. A vida fala baixo, mas fala o tempo todo. E quem aprende a ouvir… nunca mais se sente tão perdido.

LIBERTEM-SE DA ILUSÃO EMOCIONAL, PORQUE ELA É UMA PRISÃO...

Cada um de vocês pode se libertar disso. Isso não é amor; vocês amam a versão que inventaram da pessoa. Mas, se hoje fossem viver um romance, acabariam do mesmo jeito. Idealizamos aquilo que não existe mais ou aquilo que a gente acabou inventando.

Pensamos, choramos, a ponto de sentir tanta dor emocional que achamos que vamos enlouquecer. Eu passei muito tempo sofrendo assim; sonhava, mesmo sem querer pensava. É como se os ventos trouxessem memórias de nós e soprassem nos meus ouvidos, alcançando o subconsciente.

Poxa, foi aos 16 anos, e isso ainda perdurou por muito tempo.

Um dia, tive a coragem de escrever e contar tudo o que sentia, tudo o que me lastimava. Eu precisava me libertar! Nunca mais seríamos nada um para o outro, além de memória. Ele confessou também que, se fosse em outra época, talvez mais adiante, e se não tivéssemos ninguém, talvez seríamos perfeitos um para o outro e daríamos o amor que tanto não entendemos. Mas hoje nós dois seguimos nossas vidas, respeitamos nossos parceiros, e ambos resolvemos nunca mais entrar em contato.

Eu disse isso; já ele falou no silêncio. Nas desculpas por não ter percebido o quanto eu o amava, pediu perdão. Eu disse que não havia nada para perdoar e que desejava que ele fosse muito feliz em sua vida, porque ambos estamos sendo cuidados, e que assim permaneça.

Nunca mais chorei, nunca mais sofri, nunca mais pensei no que poderia ter sido. Escrever diretamente ao destinatário e abrir a alma me libertou. Nunca mais escrevi melancolias; hoje sou motivação. E, sim, ninguém esquece, a menos que soframos um colapso mental e percamos a memória. Mas a gente consegue, a partir disso, seguir a vida como se nunca tivesse se decepcionado durante todo esse tempo.

Espero que façam o mesmo e se libertem, deixando bem claro que já é passado e que tudo o que queriam era colocar para fora o que faz doer.

Eu lembro de mim como quem lembra de uma versão antiga de um aplicativo que travava toda hora, mas eu insistia em usar porque tinha apego à interface bonita. Eu ali, regando lembrança morta como se fosse samambaia de vó, achando que bastava um pouquinho mais de atenção, um pouquinho mais de pensamento antes de dormir, que aquilo ia brotar de novo. E olha que interessante, eu sabia. Lá no fundo, naquele cantinho que a gente evita acender a luz, eu sabia que já não tinha vida. Mas mesmo assim, eu insistia. Porque aceitar o fim exige uma coragem que, às vezes, a gente só descobre depois de se cansar muito.


E eu me cansava. Me cansava de revisitar os mesmos diálogos como quem reassiste um filme esperando um final alternativo que nunca vem. Cada palavra dita virava material de estudo, quase uma tese emocional. Eu ampliava segundos como se fossem capítulos, transformava encontros curtos em histórias épicas, dignas de um diário que, coitado, carregava mais ficção do que realidade. E sim, as conversas existiram, os momentos aconteceram. Mas o que eu fiz com eles… ah, isso já era outra coisa. Eu peguei migalhas e montei um banquete imaginário.


E teve o dia do incêndio. Porque toda mulher intensa já teve um momento meio dramático de querer apagar a própria história como se fosse possível dar “delete” no que já foi sentido. Eu queimei aquele diário como quem faz um ritual de libertação, esperando que a fumaça levasse junto o que ainda pesava em mim. Não levou. Porque o problema nunca foi o papel, era o apego. Era a necessidade de continuar alimentando algo que já tinha acabado, mas que dentro de mim ainda encontrava espaço, palco, roteiro.


A dor, no fundo, era repetição. Não era nem sobre ele mais. Era sobre mim insistindo, revisitando, reabrindo uma porta que já estava fechada há muito tempo. Eu sofria não pela despedida em si, mas por não aceitar que ela já tinha acontecido. E é curioso como a mente é criativa quando o coração está resistente. Eu criava futuros inteiros com base em lembranças mínimas, como quem vê um trailer e já escreve o filme inteiro. Só que o filme nunca foi produzido.


Até que veio o ponto de ruptura. Não aquele bonito, cinematográfico, com trilha sonora e vento no cabelo. Foi um cansaço seco. Um basta silencioso. Eu escrevi. Mas dessa vez não foi para mim, não foi para o diário, não foi para alimentar a história. Foi para entregar. Para colocar um ponto final fora da minha cabeça. E quando eu fiz isso, algo mudou de lugar. Não foi imediato, não foi mágico, mas foi verdadeiro. Pela primeira vez, eu não estava mais segurando nada.


E aí veio a paz. Não aquela eufórica, não aquela de propaganda de margarina. Uma paz simples, quase tímida. De quem acorda e percebe que já não revisita mais o passado antes de escovar os dentes. De quem lembra sem doer. De quem entende que sentir não foi erro, mas permanecer presa naquilo teria sido.


Hoje eu olho para tudo isso com um respeito enorme por mim mesma. Porque não foi fácil sair desse ciclo quase poético e extremamente cruel. Mas eu saí. E sair não significou esquecer, significou parar de alimentar. Porque lembrança, quando não é regada, vira só memória. E memória não machuca, ela só existe.


E no fim, escrever foi a minha libertação. Não como fuga, mas como conclusão. Eu não escrevi para reviver, eu escrevi para encerrar. E quando eu finalmente parei de contar a mesma história, eu percebi que tinha espaço para viver outras.


Se você ainda está aí, regando o que já não cresce, talvez não seja falta de amor. Talvez seja só falta de coragem de aceitar o fim. Mas quando essa coragem chega, mesmo que cansada, ela muda tudo.

Escrever, para mim, deixou de ser um capricho bonito de quem gosta de palavras e virou uma necessidade quase fisiológica, tipo respirar depois de subir uma ladeira enorme no sol do meio-dia. Eu estava há tanto tempo inspirando o mesmo ar pesado, reciclado pelas minhas próprias memórias, que quando finalmente escrevi, foi como escancarar uma janela e descobrir que o mundo ainda tinha vento. E não aquele vento dramático de novela, não. Um vento simples, honesto, que não promete nada além de movimento. E, naquele momento, movimento já era tudo que eu precisava.


O curioso é que eu não escrevi esperando resposta. Nem dele, nem da vida, nem do universo conspirador que a gente gosta de culpar quando está carente. Eu escrevi para me ouvir. Porque até então, eu estava cheia de vozes dentro de mim, menos a minha. Era lembrança falando alto, era saudade fazendo discurso, era ilusão pedindo mais um capítulo. E eu, coitada, só anotando, achando que aquilo era verdade absoluta. Quando eu finalmente me escutei de verdade, sem maquiagem emocional, sem aquele filtro poético que transforma sofrimento em obra-prima… foi desconfortável. Mas também foi libertador. Porque ali não tinha mais para onde fugir. Era só eu comigo mesma, sem plateia, sem roteiro, sem desculpa.


E a tal da lucidez… ah, essa não bate na porta, não pede licença, não manda mensagem antes. Ela entra como quem já mora ali há anos e só estava esperando eu parar de fazer barulho para se manifestar. E quando ela chega, desmonta tudo. Derruba cenários, apaga luzes, desmonta personagens. Aquilo que antes parecia gigante, intenso, insubstituível… vira só o que sempre foi: um capítulo. Importante, sim. Mas não eterno.


E é aí que entra a parte que mais assusta e mais alivia ao mesmo tempo: esquecer não é apagar. Eu não virei uma versão fria, sem memória, sem história. Eu virei alguém que olha para trás sem sentir aquele aperto no peito que parecia um lembrete constante de que algo estava inacabado. Não estava. Nunca esteve. Eu só demorei para aceitar que já tinha acabado há muito tempo. A gente sofre mais tentando reescrever o passado do que vivendo o presente. Porque o passado, minha querida, não aceita edição. No máximo, interpretação.


E essa lembrança… a ceia na casa da avó. Olha que cena sutilmente dolorosa. Um convite que parecia simples, mas que carregava um mundo inteiro de significado. E eu recusando. Não por falta de vontade, mas por excesso de consciência. Eu sabia que não cabia ali. E olha a maturidade disfarçada de tristeza. Às vezes, crescer é exatamente isso: reconhecer onde a gente não pertence, mesmo quando o coração quer dar um jeitinho de se encaixar.


Aquele abraço final, as lágrimas sendo enxugadas com uma delicadeza quase contraditória… como se o gesto dissesse “eu me importo”, enquanto a realidade gritava “mas não o suficiente para ficar”. E tudo bem. Porque naquele momento, sem perceber totalmente, eu já estava me despedindo de verdade. Não só dele, mas da versão de mim que ainda insistia.


E a vida, com seu humor meio irônico, meio genial, seguiu. Quase dois anos depois, eu casei. Escrevi uma nova história. Mas dessa vez, não foi sozinha. Não foi baseada em suposições, nem alimentada por silêncios interpretados. Foi construída. Tijolo por tijolo, dia após dia, com alguém que estava ali de verdade, não só na minha imaginação.


E isso muda tudo.


Porque no fim, não foi sobre esquecer alguém. Foi sobre parar de sofrer por algo que já não existia e abrir espaço para o que podia existir. Eu não apaguei o passado. Eu só parei de morar nele.


E hoje, quando eu lembro, não dói. Não pesa. Não chama. Só existe. Como uma página virada de um livro que eu não preciso reler para saber que já entendi a história.


Se você ainda está respirando esse ar pesado, talvez esteja na hora de abrir sua própria janela.

Hoje sonhei com uma mulher negra e uma criança. Eu estava na África. Ela era artesã, e eu a chamava para vir para Barra do Corda, porque lá ela não tinha como vender nada, mesmo tendo muito talento.


Depois, sonhei com a vizinha daqui organizando um grande churrasco. Ela colocava convites do tamanho de duas folhas A4, pendurados em um cordão com prendedores de roupa. Estavam muito altos, praticamente na altura do céu.


Em seguida, sonhei com uma mulher árabe se escondendo de muçulmanos. Não entendi bem, já que era a mesma religião, mas ela tinha medo de que descobrissem que também era muçulmana. Eu a escondia.


Depois, sonhei com um homem que foi amarrado dentro de um carro e jogado em uma gruta cheia de outros carros, todos luxuosos.


No final, eu queria salvá-lo. Mas, de repente, eu era ele, tentando retirar as fibras que prendiam meu pé. Acabei me escondendo de uma pessoa que fazia parte de uma família muçulmana… e então acordei, kkkkk.

Deus não é um governante que distribui castigos, mas uma presença que sustenta a vida, uma força de amor que habita todos os seres. Nessa perspectiva, o mal não nasce de Deus, mas das escolhas humanas, da ignorância, da violência, da ganância e da falta de consciência.

Uma das razões pelas quais tantas pessoas culpam Deus pelo sofrimento é que elas partem da seguinte pergunta: "Se Deus é bom e poderoso, por que permite tanta dor?" Essa questão é tão antiga que existe desde os primeiros filósofos e teólogos da humanidade. Não é necessariamente uma falta de compreensão, mas uma tentativa humana de encontrar sentido para tragédias, doenças, guerras, injustiças e perdas.

Existe uma pergunta que atravessa séculos e continua ecoando dentro da mente humana: se Deus existe, por que existe tanta dor no mundo?
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda que quase ninguém tem coragem de fazer: se recebemos a liberdade de escolher, por que insistimos em entregar a culpa das nossas escolhas para Deus?

Você está construindo uma vida que admira ou apenas sobrevivendo dentro de uma rotina que aprendeu a aceitar?

Quantos dos seus sonhos são realmente seus e quantos foram implantados por uma sociedade que nunca perguntou o que você queria?

Você está gastando seu tempo criando uma história da qual se orgulhará no futuro ou apenas colecionando distrações para esquecer o presente?

Existe uma teoria silenciosa que atravessa a vida de muitas pessoas sem nunca ser dita em voz alta: para encerrar um grande amor, é preciso escrevê-lo.
Escrever tudo.
Sem filtro.
Sem orgulho.
Sem tentativa de parecer forte.
Apenas a verdade crua de tudo aquilo que ficou preso no peito durante anos.

Existe uma dor muito particular quando os nossos algozes são justamente aqueles que deveriam ter sido os nossos protetores.

Quando o sofrimento vem de estranhos, a ferida machuca. Mas quando vem daqueles que nos deram a vida, a dor atravessa camadas mais profundas da alma. Porque uma criança nasce acreditando que seus pais são um abrigo. Ela não nasce preparada para enxergá-los como ameaça.

Por isso, durante anos, muitos filhos carregam culpas que nunca foram suas. Crescem acreditando que mereceram os gritos, os castigos, a humilhação, a rejeição e a violência. Aprendem a duvidar de si mesmos antes mesmo de aprenderem a confiar em quem são.

Os verdadeiros algozes não deixam apenas marcas visíveis. Eles constroem prisões invisíveis dentro da mente. Fazem a vítima questionar o próprio valor, a própria capacidade e até mesmo o próprio direito de existir em paz.

E talvez seja essa a parte mais cruel de todas.

Porque os abusos terminam em um determinado momento, mas os ecos deles podem continuar vivendo dentro da pessoa por décadas.

Entretanto, existe algo que os algozes jamais conseguem controlar completamente: a capacidade humana de reconstrução.

Eles podem ferir uma infância, mas não conseguem determinar um destino.

Podem espalhar medo, mas não conseguem impedir o nascimento da coragem.

Podem tentar destruir a autoestima, mas não conseguem apagar para sempre a luz que existe dentro de alguém.

Chega um momento em que a vítima olha para trás e compreende uma verdade libertadora: sobreviver já foi uma vitória. Mas reconstruir-se é uma revolução.

Foi nesse instante que os algozes perderam.

Perderam quando a criança assustada se transformou em uma adulta consciente.

Perderam quando o medo deixou de comandar as decisões.

Perderam quando os ciclos de violência não foram passados adiante.

Perderam quando a pessoa escolheu a paz em vez do ódio.

Porque a maior derrota de um algoz não acontece quando sua vítima o enfrenta.

Acontece quando sua vítima deixa de pertencer ao sofrimento que ele criou.

Existem pessoas que passam a vida inteira tentando destruir outras. Mas a verdade é que ninguém consegue destruir uma alma que decidiu renascer.

E talvez a maior prova de força não seja sobreviver ao inferno que nos deram.

Talvez seja construir um lar dentro de nós mesmos depois de ter passado a vida inteira sem ter tido um.

No dia 28 de julho de 2024, vivi uma situação que jamais vou esquecer.


Eu estava em casa, muito doente, sem imaginar que meu corpo estava entrando em colapso. O que mais tarde descobri era que eu estava com septicemia, uma infecção generalizada gravíssima, que já estava levando meus órgãos à falência.


Procurei atendimento na UPA de Barra do Corda, Maranhão. Mostrei os exames que tinha em mãos, expliquei o que estava sentindo e deixei claro que havia uma suspeita séria do meu quadro. Mesmo assim, recebi uma injeção e fui mandada de volta para casa. Disseram que o que eu tinha era ansiedade.


Mas não era ansiedade.


Enquanto eu tentava sobreviver, meu organismo estava travando uma batalha silenciosa contra uma infecção que avançava rapidamente.


Voltei para casa sem a cirurgia que precisava e sem a urgência que a situação exigia. Passei aquela noite em uma condição extremamente grave, sem saber se veria o dia seguinte.


Foi então que Deus usou outras pessoas para mudar o rumo da minha história.


No dia seguinte, meu sogro entrou em ação. Através de um contato que ele possuía, conseguiu mobilizar ajuda para que eu finalmente recebesse a atenção necessária. Graças a essa intervenção, fui encaminhada para uma cirurgia de emergência.


A cirurgia aconteceu a tempo.


Os médicos constataram a gravidade do meu estado. Eu estava com septicemia e falência de órgãos. Quando penso em tudo o que aconteceu, não consigo deixar de refletir sobre o quanto estive perto da morte naquele período.


O mais impressionante é que, algum tempo depois, retornei à mesma unidade de saúde. Durante o atendimento, me perguntaram quais eram minhas alergias. Respondi normalmente e informei tudo com clareza.


Ao receber a receita médica, resolvi ler antes de sair.


E ali estava prescrito justamente um medicamento ao qual eu havia informado ser alérgica.


Naquele instante, um filme passou pela minha cabeça.


Se eu não tivesse lido a receita, o que poderia ter acontecido?


Esses acontecimentos me ensinaram que ninguém deve abrir mão de acompanhar o próprio tratamento. Ler receitas, conferir exames, fazer perguntas e buscar esclarecimentos não é desconfiança. É cuidado com a própria vida.


Hoje, olhando para trás, sinto gratidão por estar viva. Gratidão a Deus, ao meu sogro e às pessoas que cruzaram o meu caminho naquele momento tão crítico. Porque a verdade é que, sem essa ajuda, talvez eu não tivesse a oportunidade de contar esta história.


E isso é algo que nunca esquecerei.

25 de junho de 2026 14:13


Hoje finalizei uma etapa importante que vinha adiando há algum tempo: cuidar dos meus dentes. Ontem comecei o tratamento e hoje concluí tudo. Parece algo simples quando contado em poucas palavras, mas quem já passou horas em uma cadeira de dentista sabe que existe muito mais nessa experiência do que apenas abrir a boca e esperar terminar.


Faço tratamento com a mesma dentista há muitos anos. Ela é uma profissional incrível, daquelas pessoas que transmitem confiança apenas pelo jeito de falar. E talvez seja justamente essa confiança que me faz voltar sempre, porque, sinceramente, ir ao dentista é um verdadeiro teste de resistência.


Existe um momento em que a boca simplesmente começa a cansar. No início você acha que consegue ficar ali tranquilamente, mas depois de vários minutos com a boca aberta, os músculos parecem pedir socorro. Você tenta relaxar, mudar um pouco a posição, respirar fundo, mas logo percebe que ainda falta bastante tempo.


Para quem tem dentes sensíveis, como eu, a experiência ganha um nível extra de desafio. Aquele jato de ar que para muitas pessoas parece inofensivo, para mim é quase um choque elétrico atravessando o dente. É uma sensação tão rápida quanto intensa. O corpo inteiro se contrai em uma fração de segundo.


E então vem aquele instrumento que raspa os dentes. O som. Meu Deus, o som. É impressionante como um simples ruído consegue provocar tanto desconforto. Não é apenas ouvir. Parece que o barulho atravessa a cabeça inteira. A cada raspagem, eu já ficava esperando a próxima, como quem sabe que um pequeno incômodo está prestes a chegar novamente.


Enquanto estava ali, pensei em como algumas coisas importantes da vida são exatamente assim. Nem sempre são agradáveis durante o processo. Às vezes cansam. Às vezes incomodam. Às vezes fazem a gente querer que tudo termine logo. Mas o resultado compensa.


Quando me levantei da cadeira e vi tudo concluído, senti aquela satisfação silenciosa de quem enfrentou algo desconfortável e saiu melhor do outro lado. Não foi apenas sobre dentes limpos ou tratamento finalizado. Foi sobre lembrar que cuidar de nós mesmos nem sempre é prazeroso, mas quase sempre é necessário.


A vida tem muitas cadeiras de dentista. Situações que exigem paciência, resistência e confiança no processo. E talvez a verdadeira maturidade esteja justamente em entender que nem tudo que nos faz bem será confortável enquanto acontece.

Vivemos uma época curiosa. Nunca houve tanta facilidade para acessar informações, opiniões e diferentes pontos de vista. Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil consumir conteúdos que transformam pessoas em inimigos umas das outras.


Basta abrir as redes sociais para encontrar alguém dizendo que homens não prestam. Logo depois, aparece outro afirmando que mulheres são interesseiras. Em seguida, surgem discursos que tentam convencer as pessoas de que o amor verdadeiro não existe, que a fidelidade é uma mentira ou que todo relacionamento está condenado ao fracasso.


O problema não está apenas na existência dessas opiniões. O verdadeiro perigo surge quando alguém começa a consumi-las diariamente sem questionamento. A mente humana funciona de maneira muito mais influenciável do que gostamos de admitir. O que ouvimos repetidamente tende a parecer verdade, mesmo quando não existe nenhuma evidência concreta na nossa própria realidade.


Muitas pessoas passam a enxergar traições onde não existem. Começam a desconfiar de parceiros que nunca deram motivos para desconfiança. Interpretam gestos comuns como sinais de manipulação. Criam conflitos baseados em histórias de desconhecidos na internet. Aos poucos, deixam de viver a própria vida para viver dentro de narrativas criadas por pessoas que sequer conhecem sua realidade.


É importante compreender que experiências individuais não representam a humanidade inteira. O fato de alguém ter sofrido uma decepção não significa que todos irão sofrer a mesma decepção. O fato de um relacionamento ter fracassado não significa que todos estão destinados ao fracasso.


A internet recompensa conteúdos que provocam emoções intensas. Raiva, medo, indignação e conflito geram visualizações. Quanto mais as pessoas brigam, comentam e compartilham, mais esses conteúdos se espalham. Nem sempre o que recebe mais atenção é o que possui mais verdade.


Enquanto isso, existe uma parcela silenciosa da sociedade formada por homens e mulheres que continuam construindo relacionamentos saudáveis, respeitosos e duradouros. Essas histórias raramente viralizam. Não porque sejam menos reais, mas porque a paz costuma gerar menos engajamento do que o conflito.


Talvez uma das maiores demonstrações de maturidade na era digital seja desenvolver a capacidade de filtrar aquilo que consumimos. Nem toda opinião merece espaço na mente. Nem todo discurso merece influenciar nossas decisões. Nem toda experiência alheia deve ser transformada em regra para a nossa vida.


Antes de acreditar que o mundo inteiro é exatamente como alguém descreve em um vídeo de poucos minutos, vale a pena olhar ao redor e observar a realidade com os próprios olhos. Porque cada pessoa tem uma história. Cada relacionamento tem suas particularidades. Cada vida possui desafios e conquistas que não cabem em generalizações.


O amor não desapareceu. A confiança não desapareceu. O respeito não desapareceu. O que muitas vezes desaparece é a capacidade de enxergá-los quando passamos tempo demais ouvindo pessoas que lucram com a divisão, o ressentimento e o conflito.


A pergunta é simples: você está construindo sua visão de mundo a partir da sua própria realidade ou a partir do barulho produzido por pessoas que nem sabem que você existe?

"O futuro não é uma certeza absoluta. Ele é apenas uma hipótese."

O futuro é uma hipótese. E justamente por ser uma hipótese, ele ainda pode nos surpreender.

A morte é a única certeza, enquanto o futuro é apenas uma possibilidade.

O ROCK TÊM MUITO SENTIMENTALISMO, QUE SAI DA ALMA. A PEGADA É SEMPRE UMA LETRA REFLEXIVA E MELANCÓLICA, A ENERGIA É BAIXA. EU AMO ROCK. MAS, SEI DISSO!!! SE QUISER LEVANTAR A VIBE SÓ OUVIR UMA ELETROHOUSE OU CHARLIE BROWN JUNIOR. OS ROCKS QUE COSTUMAMOS OUVIR, SÃO REALMENTE DESABAFOS DA ALMA, O QUE SEMPRE TRAZ UMA ENERGIA BAIXA E REFLEXIVA.