Mais que uma Mao Estendida
Uma tradição pode preservar sabedoria ética e, ainda assim, conter afirmações sobrenaturais que permanecem sem demonstração.
Quando uma crença sustenta a identidade de alguém, questioná-la pode parecer uma ameaça à própria existência, embora identidade e verdade não sejam a mesma coisa.
Uma comunidade pode oferecer pertencimento, consolo e solidariedade sem que todas as suas afirmações sobre a realidade sejam verdadeiras.
Não precisamos de uma promessa de eternidade para reconhecer a dignidade de uma vida que, por ser finita, não poderá ser repetida em sua singularidade.
O enigma da consciência não constitui, por si só, uma prova de que exista uma alma independente do corpo e destinada à eternidade.
Recusar uma resposta sem evidências não significa rejeitar todas as respostas possíveis; significa exigir que cada uma apresente suas razões.
O cético rigoroso não afirma que tudo é falso; recusa apenas conceder à crença uma autoridade que ela ainda não justificou.
Nenhuma identidade deveria depender da impossibilidade de rever as ideias que a sustentam; uma consciência que não pode mudar já começou a endurecer.
O direito de crer não transforma uma convicção particular em evidência obrigatória para a consciência universal.
Só existe uma peça que completa o quebra-cabeça do seu destino. Será que a peça que me sobrou era a que te faltava?
A impossibilidade atual de demonstrar uma hipótese não prova que toda demonstração futura esteja excluída.
Não conseguir refutar uma afirmação não obriga a realidade a confirmá-la nem transforma quem a enuncia em guardião do verdadeiro.
Entre o altar e o abismo permanece uma pergunta que não pertence a nenhum deles e que nenhuma autoridade pode encerrar por decreto.
A falta de prova não demonstra sempre a falsidade, mas tampouco fornece, por si mesma, uma razão suficiente para acreditar.
Uma hipótese metafísica pode ser intelectualmente coerente e permanecer, ainda assim, sem confirmação empírica.
Desabafo de um escravo sem correntes.
No ano de nosso senhor... , nos foi contado uma história de uma princesa que em seu coração tinha o desejo que todos os opressos fossem livres, ela até redigiu esse seu desejo em pedaço de papel para dar-lhe vida.
Alguns anos se passaram e esse desejo tomou rumo e forma diferente do que ela havia idealizado, podemos não ter mais terreiros de fazendas nem o estalar do chicote do feitor, mas não somos livres.
Liberdade destino de poucos ou ilusão de muitos, que acreditaram no desejo de quem fechava a grade da cemzala e prendia os grilhões e amarras...
Dias atuais, as fazendas tem outros nomes, os feitores outros senhores, os não libertos continuam os mesmos, serviços modernos, senzala sem grades e grilhões o estelar do chicote não se ouve mais, os castigos são outros, para o tronco não mas.
Quem justifica o que se faz❓❓❓
Hô liberdade onde estás ❓❓❓
Por Hameses Faraó do Egito (BJ)
O silêncio do universo não é uma mensagem cuja tradução já tenha sido entregue à religião, à filosofia ou à ciência.
Se o universo guarda uma verdade definitiva, ainda resta descobrir se a inteligência que a procura possui os meios para encontrá-la.
A coerência de uma ideia demonstra que suas partes podem ajustar-se entre si; não demonstra que o mundo tenha sido construído à sua imagem.
Prefiro a vertigem de uma pergunta honesta à segurança de uma eternidade cuja existência eu precisasse fingir conhecer.
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