Machado de Assis Contos Curtos Saudades
Amor...
Nunca foi posse.
Nem orgulho e nem propriedade.
Quem ama de verdade.
Sabe o valor da igualdade.
Amor é união, felicidade e parceria.
Quem ama não cobra, não exige e não reivindica.
Quem ama sente a leveza,
a cumplicidade e a gentileza.
Amor é profundidade, construção e cuidado.
Ame e se ame!
ADEUS
O que eu te fizera, amor
Para que me deixasses?
O que posso fazer para que voltasses?
Não pude rir tuas alegrias
Nem ao menos conhece-las
Por longos anos de dias.
Chorei as tuas tristezas
Que também não sei se seria
Nunca soube quem eras,
nunca tive certeza!
Fui feliz contigo.
Meu corpo fiz-te por abrigo
Mas não o quiseste por sua casa.
Fui alegria, melancolia, talvez!
Só sei que sou triste desde que
Tu partiste.
APARÊNCIA
Eu não sou os outros
Não me trate como se eu fosse
Eu só sou eu sozinha no meu quarto
E dentro da minha cabeça
Não me julgue pela aparência
Eu posso ser melhor
Ou pior do que você imagina
Não me engane
Pois eu vivo me enganando
Posso parecer fria
Mas sou muito sensível
Nunca julgue uma mulher pela aparência
Eu penso assim a tempo de nascer, a tempo de florescer e a tempo de partir... Não somos sementes pra sempre. A vida continua e não a parada pra determinar o tempo O que existe é seguir em frente na alegria de nunca desistir. O que foi errado basta perdoar e não se lamentar o que passou não volta mais o que tem é seguir e frente... Não desanimar e prevalecer na força que te move que é o amor... O amor de Deus é impulso pra seguir em frente!
Shirlei Miriam de Souza
Música silente
Postas mãos...
brancas, taciturnas,
alvas feito Jasmim
na primavera...
Noturnas!
Nenhum toque de gaita,
à boca se desenhou.
Era o fim... Porque a canção se cansou.
Nenhum sopro... Nem tom.
Borboletas azuis pousam na tela,
voando dos pincéis, outrora em suas mãos,
e agora, voam pelos ares em procissão...
Tudo silente, emudeceu
A canção se cansou e dentro da gaita se recolheu.
Tristeza de criança
Criança, eu queria estar contigo nas ruas da sua infância.
Correr os campos e jardins com flores.
E dar-te os olores
que a vida te negou.
Queria trocar nossos sapatos,
talvez gostasse mais dos meus.
As minhas roupas (das sobras também), te daria.
Mentiria... Por um sorriso de quem ganha um novo presente...
E você nunca saberia que eu houvera trocado meu riso
pelo teus tristes olhos, contentes!
Fim
Faltam-me palavras para o adeus.
Eu sei... Nunca fui prioridade.
Mas sei o qto te amei.
E a cada vez se distanciando vai,
longe dos sussurros meus, pedindo que fique,
e olhe nos olhos e não se torne em saudade,
esse amor que foi só seu.
Ouça, por favor, os meus ais!
Oh, quanto me ferem os Abrolhos,
quando tenho milhas a caminhar,
chorando. Que fatalidade!
Ou então fechar a cortina para não enxergar a direção...
Se é o caminho do Sempre ou o de volta, regressando.
Maldito amor
Maldita a hora
em que te fiz "meu amor...
" Que lancei-te "flor"
e no firmamento um canto desesperado
e te marquei
"O sempre"
da minha
pobre vida,
mas que tornou esse canto,
gemido da minha dor.
Maldito! Maldito pecado
onde minha alma sufoquei
e quase a matei
por ter -te tanto amado.
Por isso Maldito serás,
e pela eternidade
por sobre minhas lágrimas, caminharas.
Teu riso jamais
terás por paraíso.
Por que se um dia me amaste,
tua dor terás por teu único resgate.
Maldito amor!
PRINCESA DO ACASO
Quisera eu ,
oh princesa do acaso!
Coroar-te com os mais Finos diamantes,
tua tiara enfeitada de rendas e véus
por sobre a fronte.
Quisera depois, depois,
oh realeza! deixar em tua última cama,
um nobre ramalhete de flores exuberantes,
os brancos jasmins a perfumar essa partida!
Nesse momento em que não se tem guarida...
Tudo é belo, mas triste!
É... esse dia existe:
A noiva fora encontrar seu amado,
enquanto a tudo assistimos, consternados.
Flores de hera
Por ti, na primavera
Caminhei na chuva
Em busca das flores de hera.
Mas sobre ti me enganei...
Tal qual a hera, que não produziu flores
Nem mesmo no fim da primavera.
Esse amor infértil
Também nunca me ofereceu nada
A não ser anoiteceres e madrugadas.
Nunca sozinho um ninho fez para sua amada.
Nem derramou pétalas sobre nossa cama desarrumada.
Porém, tal qual as flores de hera!
Nem um ramo me oferecia.
e nunca, nunca, a mim, tentou ser primavera.
Eu sou
Sou a estrela -do -mar ou o mar das estrelas....
A moça da torre, na janela vendo o domingo passar.
E quem será ela?
E o domingo passa com as donzelas
nuas nas ruas e com as feias em trajes ultrajes.
Eu sou. E o que sou nunca vais saber.
Eu sou sua gota sorvida às margens,
as margens da vida, do seu próprio morrer.
Eu sou a estrela -do- mar ou o mar das estrelas.
VOU DAR UM TEMPO
E quando eu chorar
Vou dar um tempo
Um tempo de as lágrimas
Secarem.
Mas se for inverno
E a chuva cair
E as lágrimas não fugirem
A terra vai alagar.
Pode ser que ninguém vê
Porque talvez a terra
Esteja dentro de mim, de você.
Ou que o barro seja nós!
Pode ser que alguém se afogue
Nesse barro da infinitude.
Vou dar um tempo
Quando eu chorar
E pode ser que a terra esteja
A me habitar, ou aí dentro de você.
Se eu não der meu tempo
Vou me afogar.
AMOR NO ESPELHO
Eu me busquei em ti
mas não encontrei,
Pobre amor! pobre de ti!
E assim como se olha
em um velho espelho guardado.
Tornaste meu desconhecido
nem mesmo nos olhos, vi,
a sombra de uma saudade.
Oh, tamanha dor vivi,
por se tratar como estranho
o tempo dos versos escondidos.
Preterido, então, meu amor...
(Que fatalidade!)
Guardas para ti o velho espelho: o tempo,
para contemplar e os teus desvelos
e o retrato de teus lamentos!
LINHO FINO
A poesia é um eterno bordar em linho fino.
O linho são os papeis,e a caneta a agulha
e a tinta as palavras.
E bordaremos e bordaremos...
Até que um dia alguém nos tome
a agulha e a linha e os sonhos e a inspiração.
.
Todos os dias vejo pessoas que acreditam no próprio potencial, investem em si mesmas, e acreditam ser coisas que na verdade não são.
E todos os dias, vejo pessoas que são aquilo que acreditam que nunca poderão ser.
E o mundo não se encarrega de dizer o quanto elas são incríveis.
Ele apenas as põe para baixo, e as faz acreditar que não são suficientes.
Madrugada
A noite se vai,
A madrugada cai
As pessoas se recolhem
em suas casa
As crianças deixam seus brinquedos
e adormecem cansadas
As luzes das ruas se acendem,
A cidade fica isolada
O sereno e a relva molha
O gramado da praça
Os andarilhos se agitam
num canto da praça
Eu me encontro encostada
num cantinho da janela
de minha casa
Onde vejo tudo calada
PALÁCIO AZUL-TURQUESA
Oh, palácio azul turquesa!
Quanto tempo olharei para
Os teus vitrais
Sonharei com tuas fartas mesas
de banquetes ancestrais?
Quando ouvirei ao longe, Schumann
o menino que sonhava no jardim
Eu, pianista solitário, em busca
de um olhar a tocar em mim?
E verei as meretrizes belas,
Embaixo das suas marquises?
E meus sonhos a voar
Feito pássaros nas tuas janelas!
Oh, palácio azul turquesa...
Quando pintarei os teus vitrais?
Quando sentarei a tua mesa?
Naquele dia, o aroma estava diferente dos demais.
O sol podia ser notado por detrás da janela,
os pássaros, o vento e tudo o que era captado pela visão não era mais visto, era apreciado!
Naquele dia as vozes eram claras e doces, a gravidade era nula e seus pés não tocavam o chão, estava elevada.
Naquele dia tudo era graça, manhã, tarde, noite... os momentos não mais passageiros, agora, imortais.
O bálsamo era pura resiliência e, antes de encontrar qualquer âmago... ela havia encontrado a sua essência, no lugar mais secreto do mundo, dentro de si.
Cada vez que o aprecio, sou tomado de tamanha inspiração.
O olhar, a voz, a presença carregada de si.
De modo que acabo mais próximo de um bem maior, que me faz transcender.
A minha inspiração vai além do outro, das coisas, do espaço, ultrapassa o tempo, minha essência e, me encontra diante do espelho.
Hoje sou mais, não que os outros,
não mais que o tempo,
não mais que meus mestres,
não mais que meus pensamentos.
Hoje sou mais e, não mais do que o livro que lí,
não mais que a música que ouvi,
não mais que os códigos que saboreei,
não mais que os lugares que avancei.
Hoje sou mais e digo como o sol, sou mais do que
Se podia ver do meu eu no pretérito,
não que ele seja, hoje, inexistente.
Mas está transladado em mim
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