Luz
Tudo acaba um dia, as lágrimas secam, e o choro cessa com o tempo. Se fosse real não existiria dor, ausência,mentiras, seriam dois inteiros se complementando, transbordando em um mar de sentidos e sentimentos, que inevitávelmente os levariam ao amor sem fim.
Não importa de onde vem sua beleza,se é de dentro ou de fora, saber a diferença entre uma e outra, com certeza é mais importante.
Ventos que levam amores
Ainda podem trazer outros melhores.
Não existe nada que o tempo não conserte
E se sentimentos se foram
Saber buscar em si mesmo outro melhor
Se faz totalmente necessário
Ainda que no processo surja uma lágrima ou outra.
Só ame quem te ama, é a maior máxima dita por todos. Mas, isso não te impede de amar seu próprio amor.
Aceite que seu amor as vezes vai ser só seu, indivisível, imutável e infinito. E outras vezes será um fragmento de coisa alguma por vários motivos...
Sentado ao lado da Cruz o Coração sangrou, mas ao ser tocado pelo Espírito Santo a alma renasceu para Luz Divina...
ALADO ALÍVIO
Iberna à caverna
Volta ao escuro
Homem em apuros
Sossega e reflete
La fora o que fez
Com a beleza da Luz
Será que condiz?
Roupante de mestre
Retorna aprendiz!
Abaixa o nariz
Sede exigente
Ajoelha a mente
Olhando pra cima
Iluminado da Cruz
Poderoso Conduz
Bem aventurados
Esforço e cautela
Pra passar a pinguela
Estreito equilíbrio
Sopesando alívios
Pra voar se preciso!
À FLOR DA CASCA
A semana passou e as atividades foram muitas.
Agito no trabalho e na família, seguindo em frente, sem lamentação.
A vida nos dá provas de que só vale a pena quando movimentada, cada um no seu ritmo, mas nunca parados.
Com isso, os cabelos vão branqueando mas a alma há de manter a energia da juventude.
Na carona de Fernando Pessoa: “Quem ama não tem calma”.
A prudência é sempre salutar, mas, demasiada, inibe o progresso.
Na “beleza” da calmaria, geralmente, se escondem os perigos.
O velho provérbio malaio já advertia: “Não pense que não há crocodilos só porque a água está calma”.
Teimo em querer discordar da afirmação de Woody Allen: “Oitenta por cento do sucesso é aparecer”.
O verbo aparecer significa, no português: o ato de se mostrar, de se exibir!
Porém, o que se vê nem sempre é transparente, do latim “transparentia”, que significa conhecer através da luz.
Ousaria devolver o percentual e reportar que oitenta por cento dos holofotes iluminam a casca e relegam a essência!
Balzac disparava: "Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir".
"O homem medíocre é uma sombra projetada pela sociedade; é, por essência, imitativo e está perfeitamente adaptado para viver em rebanho, refletindo as rotinas, prejuízos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade" (José Ingenieros).
Erros? São um risco pra quem age, mas a boa intenção de propósito já me basta.
Para sentir a justa medida, nunca traduzida, é necessário conhecer, buscar, experenciar, enfim, emocionar-se.
“Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”, dizia o sábio Albert Einstein.
Por fim, encerro parafraseando Goethe: “A felicidade mais elevada é aquela que corrige os nossos defeitos e equilibra as nossas debilidades”.
Alfredo Bochi Brum
SOBRE O ENTULHO
Enquanto há gritos e desespero
Bombas e explosões
Orações prum globo mais sereno
Longe da escuridão
Que os escombros sejam amenos
Força e reconstrução
Naqueles exemplos Nazarenos
Luz e Evolução!
PENUMBRA
No brilho da sua vaidade
Tudo vai ficando opaco
Ao que muito se deslumbra
Quase beira à insanidade
Em Narciso o seu retrato
Qualquer luz vira penumbra.
MIL PLATÕES
Transpôs gerações a perspectiva
Monóculo de única "verdade"
Nas correntes da acomodação
Ninguém a duvidar das projeções
Eram as sombras ali sempre vivas
Incrédulos de outras realidades
Atrofiavam as chaves da razão
Até um desgarrar das ilusões
Embora encandeado pela luz
Venceu barreiras, provou liberdade
No inefável ampliou a visão
Carecia partir tais emoções
Julgarão insano o que ele conduz?
Pra ignorância o sol ainda arde
Conhecer por si é a libertação
Socraticamente em mil Platões!
Que o espírito do renascimento nos faça valorar a preciosidade de uma vida útil e que deixe rastros de luz a iluminar o caminho de novos ciclos!
ASPEREZA
E a língua é uma grosa
Só vê o que não presta
Lixa arranhando o outro
Não serve pruma prosa
Sem luz nem numa fresta
Jamais será encontro!
O QUE SOBROU
Quando nada mais resta
Buscar rumo sem pressa
Pro tino abrir a fresta
Clarear o que não presta
Serenar as arestas
Redefinir as metas!
Deitei e sonhei
Sonhei que era feliz
Tinha a casa perfeita
Na cidade perfeita
O emprego perfeito
A família perfeita
Os amigos perfeitos
Feitos para mim
Acordei e me deparei
Com problemas e dificuldades da vida
Levantei e me animei
Cai e me reergui
Parti para a batalha
Tornei meu sonho realidade.
