Luis Fernando Verissimo Sonhos

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Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno

Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos.

Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu.

E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos.

Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.

Cansei de virar as páginas. Está na hora de mudar de livro.

Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. [...] Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e becos de mim.

Caio Fernando Abreu
Ovelhas negras

Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões.

E eu acredito no mecanismo do infinito, fazendo com que tudo aconteça na hora exata.

Atravessamos agostos que parecem eternos e, nos setembros, suspiramos quase leves outra vez: Meu Deus, passou.

Porque é tão mais fácil aturar a vida sabendo que tem você. Agora sem você, meu amigo, a coisa é feia. Realmente feia.

Nada é muito terrível. Só viver, não é? A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa.

No começo eu tentava te fazer me amar
Mas agora estamos juntos e posso confessar
Eu não gosto de cinema, eu não sei cozinhar
Nunca fui tão cavalheiro, jurei nunca casar
A carta que mandei não fui eu que escrevi
E o poema que te recitei num livro eu li
Não sou bom de futebol
E por você já chorei
Mas é de verdade estou te amando
Me apaixonei

Não eram um casal perfeito, daqueles de cinema. Brigavam muito, ficavam um tempo sem se falar e nesse intervalo ainda rolava uma guerra de indiretas, cada um querendo ser o dono da verdade. Mas no fundo eles sabiam que tudo era joguinho bobo de orgulho, e que por trás das caras fechadas e bicos não se aguentavam de saudade. Tudo bem se eles passavam uma imagem de cão e gato, mas uma coisa é certa… Eles se amavam mais do que qualquer coisa.

Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz.

Não sentia mais sua ausência porque eu também era ausência.

Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder.

Aquilo que não te acrescenta, em nada te fará falta.

Gosto de perceber que as dores são cada vez mais rapidamente superadas.