Luis Fernando Verissimo poemas Sonhos
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Quando pretender ajuizar alguém
Coloque-se em frente dum espelho
E verá que o vidro é frágil
Os arquétipos são manequins
Que não são capazes
De se vestir a si próprios
Dispersando a voz nos versos
Construímos bocados de vento
E algumas sementes aladas
Conjugar os verbos em todos os tempos
E como fazer tonalidades
Com lápis de cor
Antes que as mãos fiquem trémulas
Grava as memórias
Na pedra dura da tua terra
A bitola para todas a s coisas
São dois olhos estereoscópicos
E um coração tridimensional
Mais que o som das palavras
O brilho dos olhos
Revelará o código do pensamento
Mirando o espelho estanhado
Sinto que é apenas vidro
Tentando guardar a minha sombra
Alterno o lenho e o sangue
Depois construo uma jangada
E perco-me nos arcos do mar
Declinando os cinco sentidos
Como se fossem verbos meus
Conjugo o sol e o tempo
No etéreo do meu corpo zenital
Fazendo a vertical do lugar
Reduzo o todo a um ponto
Podemos forjar os metais
Ritmando as pulsações do fogo
Mas apenas o ferro criará alma
Nunca penses que dobraste um bambu
Ata bem o seu colmo
Ou sentirás o seu coice
Só os poetas livres
Detêm a arte alquÍmica
Para fabricar o ouro das palavras
Aprende a decifrar os gestos
Que acompanham as palavras
E descobrirás as ideias ocultas
O homem é feito com a chama
Do lume do lugar onde nasceu
Por isso esse chão o reclama como cinza
Esperando os deuses ou a chuva
O homem vira-se para o céu
Esquecendo o seu lugar no chão
A memória é um desfiladeiro
Por onde correm as águas
Na ausência das chuvas
Usando a paleta das cores
Só um poeta saberá
Pintar a transparência do silêncio
Poderás oferecer uns binóculos a um ignorante
Mas ele irá continuar a ver
Apenas as pontas dos sapatos