Livro

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— Não é isso. Há algumas pessoas... algumas pessoas que o universo parece ter escolhido para destinos especiais. Favores especiais e tormentos especiais. Deus sabe que todos nós somos atraídos pelo que é belo e quebradiço; eu já fui, mas algumas pessoas não podem ser consertadas. Ou se puderem, seria apenas por um amor ou um sacrifício tão grandes que destruiriam o doador.

Zacarias ficou um silêncio por um longo momento. Depois sua voz, gentil em sua mente, disse: "o mapa lhe diz que seu filho ainda está vivo. Se o der para a Clave, não acho que irá ajudá-los muito, além de mostras que ele está viajando rápido e é impossível de ser rastreado. Eles já sabem disso. Guarde o mapa. Eu não irei falar sobre isso por enquanto.
Maryse olhou para ele impressionada."
— Mas... você é um servente da Clave...
"Como você, fui um Caçador de Sombras uma vez. Como você, vivi. E como você, havia aqueles que eu amava o bastante para colocar o bem-estar deles antes de qualquer outra coisa – qualquer juramento, qualquer débito."
— Você... — Maryse hesitou. — Você alguma vez teve filhos?
"Não. Sem filhos."
— Sinto muito.
"Não sinta. E tente não deixar o medo por de Jace devorar. Ele é um Herondale, e eles são sobreviventes…"

— Você sabe muito sobre os Herondale. E, de todos os Irmãos do Silêncio, você parece o mais humano. A maioria deles nunca demonstra qualquer emoção. São como estátuas. Mas parece que você sente as coisas. Se lembra de sua vida.
"Ser um Irmão do Silêncio é ter vida, Clary Fray. Mas se você quer dizer que eu me lembro da minha vida antes da Irmandade, sim, eu me lembro."
Clary tomou uma respiração profunda.
— Você já amou? Antes da Irmandade? Havia alguém por quem você teria morrido?
Houve um longo silêncio. Então: "Duas pessoas," disse Irmão Zacarias. "Há memórias que o tempo não apaga, Clarissa. Pergunte ao seu amigo Magnus Bane, se você não acredita em mim. A eternidade não faz o pesar ser esquecido, apenas o torna suportável."

— Às vezes — falou Robert — você escolhe com quem quer ficar quando ainda é muito jovem, aí você muda, mas a pessoa não muda com você.

"Mais magro", sussurra o velho cigano de nariz carcomido
para William Halleck quando ele e sua esposa Heidi saem
do tribunal. Apenas estas duas únicas palavras, carregadas
pela doçura enjoativa do hálito dele.
"Mais magro". E antes que Halleck possa recuar, o velho
cigano estica o braço e acaricia-lhe a face com um dedo
retorcido. Os lábios dele entreabrem-se como uma ferida,
exibindo alguns cacos de dentes que despontam das gengivas
como lápides quebradas. Cacos de dentes enegrecidos e
esverdeados. A língua do velho se esgueira por entre eles e
então desponta, para lamber os amargos lábios sorridentes.
"Mais magro "

⁠"Jesus, como se fosse chefe, fala em linguagem direta aos escoteiros de como devem viver para serem felizes."

interpretar o ato de concordar e silenciar, é mais fácil que viver.

Só existe ofensa quando há um ofendido.

O caminhar e o olhar são firmados em um vazio similar ao vazio de sua vida.

Em cada defesa do indefensável é estruturada a densidade do ar a ser respirado.

quando o pensamento é muito forte, acaba sendo exteriorizado pelo corpo

Um mesmo corpo em várias experiências de corpos, a realidade humana aí está.

a oposição de um mundo ao seu redor é o firmamento de uma realidade distante de seus sonhos.

(...) o pouco contado por meio da mecanização do tempo, não faz sentido no valor do prazeroso instante

(...) tudo é estruturado em um novo tom: na contínua mudança a realidade dança com todos.

Conquistar o direito de estar em um local é uma necessidade para a sobrevivência, dançar onde todos estão dançando, também.

O corpo oferta movimento ao mundo.

Em meio aos sons e movimentos do mundo, as imagens explodem em sua existência.

Ah, a solidão! Quanto tempo a tive por companheira e amante fiel. Onde quer que fosse, lá estava ela, plácida e inesgotável em sua sedentária vida. Desde os meus quinze anos de idade, quando a conheci, jamais pude separar-me dela. Minha alma gêmea, intocável e irretocável... Pertenço a esta dama de corpo e espírito!

Sociedade! Palavrinha vulgar e peçonhenta. Aparelho ridículo de frustrações... sisteminha inibitório que nos vigia, doutrina-nos e esmaga-nos. Não existe individualidade, não existem sistemas que nos deixem uma mínima brecha para o total imperialismo do nosso livre-arbítrio.