Livre Pensar
Sobre me parecer com eles...
Por Luiza_Grochvicz.
Às vezes me perguntam: com qual filósofo você se parece?
E eu fico em silêncio.
Porque me parecer com alguém é sempre também uma forma de não ser ninguém por completo.
Mas se for preciso traçar espelhos, que sejam espelhos em águas agitadas — nunca nítidos, sempre em movimento.
Com Kierkegaard, compartilho a vertigem.
Aquela dor silenciosa de estar vivo, de ser livre demais, de pensar tanto que quase se dissolve.
A angústia dele não me assusta — ela me reconhece.
Como se a alma dele tivesse escrito cartas para a minha, antes mesmo de eu nascer.
Com Clarice, é o sangue da palavra.
Não escrevemos — sangramos.
Ela também sentia demais e dizia pouco, mas o pouco explodia.
Clarice escreve como quem ama o que não entende. E eu também: escrevo para encontrar o que nunca procuro.
Com Camus, compartilho o absurdo.
A beleza de estar num mundo que não faz sentido, e ainda assim levantar todos os dias.
Ele era o silêncio das pedras; eu sou talvez o sussurro do vento.
Mas ambos sabemos: é preciso imaginar Sísifo feliz, mesmo com o peso da pedra.
Com Beauvoir, é a liberdade.
O incômodo.
A recusa em aceitar que viver seja só obedecer.
Ela pensava com coragem, sentia com lucidez.
Me inspira a ser mulher sem rótulo, filósofa sem jaula, pensadora com pele.
Me pareço com todos, e ainda assim, sou outra.
Porque filosofar, pra mim, é tocar o invisível com palavras.
É doer bonito.
É pensar como quem ama demais.
Pensar por si mesmo é doloroso, exige coragem, mas é o único caminho para se libertar da ilusão de pertencimento a grupos que moldam sua mente sem que você perceba.
Podemos mudar de cidade, de carreira, de parceiro e até de ambiente; mas, se a nossa mentalidade não mudar, se não houver expansão interior, inevitavelmente a vida repetirá os mesmos padrões, apenas com novos cenários.
"A mente que só pensa, mas não age, é como um campo fértil sem chuva. Já a ação sem direção é como chuva sem propósito: molha, mas não frutifica."
Pensar na vida e na Velhice!
Quando Somos criado através da concepção (gravidez), não temos ideia do e que ser um ser humano, e no nascimento começamos mesmo sem saber o que e a vida a perceber de alguma forma isso, no decorrer da vida aprendemos o que e viver, seja da forma correta ou não, aprendemos que nem tudo são flores e nem tudo são espinho, que ser feliz depende de nós e que a mesmo quando somos criança, adolescente, jovens e achamos que a velhice nunca chegara, estamos enganado, devemos sempre pensar nisso e como passamos essas fases para chegar ao final que se pensarmos bem, nascemos precisando de cuidados e morremos precisando de cuidados.
Todos têm a Inteligência Artificial nas palmas das mãos; porém, o mais difícil ainda é ter inteligência cognitiva, pensar por si mesmo exige esforço.
O pensamento arranca o véu da ilusão: essa crença de que sou tão essencial ao grupo. Pensar requer esforço, é incômodo, mas traz a liberdade como recompensa.
De que serve amar os livros, se o amor não te move à leitura? De que serve ler, se da leitura não extraíres o sumo da ideia? E de que serve abstrair, se não fores capaz de decantar a essência silenciosa que a mensagem, velada, te oferece?
Reconhecer a dissonância cognitiva é um ato de bravura, é romper com as mentiras que contamos a nós mesmos para viver em paz com a verdade. Coerência não é ser perfeito, é ser honesto consigo mesmo.
Eu sigo princípios, não histerias. Eu respeito a verdade, não o teatro. Eu me conecto com a essência, não com a embalagem.
Para vivermos dias mais felizes, devemos cultivar o hábito de ouvir atentamente e refletir antes de falar, pois palavras ditas sem sabedoria podem gerar grandes problemas.
Tem ideias que não assustam por serem erradas, mas porque desafiam o que te fizeram acreditar como certo.
