Linhas
A Fronteira Invisível da Minha Paz
Eu traço linhas no ar,
fios de seda tecidos com "não",
invisíveis ao olho faminto,
mas firmes como raiz na terra seca.
Antes, o mundo invadia,
tsunami de pedidos e dramas alheios,
meu peito um porto sem âncora,
ondas que levavam o silêncio embora.
Agora, ergo muralhas de silêncio,
portais guardados por voz serena:
"Não hoje", "Não mais",
ecoando como sino em névoa.
Não é egoísmo, é jardim fechado,
onde florescem rosas sem espinhos,
e o vento sopra leve, sem pressa,
acariciando o que resta de mim.
Aqui, na fronteira invisível,
encontro o espelho sem rachaduras,
a paz que brota quieta,
como rio que escolhe seu leito.
E quem ousar cruzar sem convite,
encontrará apenas o reflexo da própria fome –
pois minha paz é soberana,
inabalável, eternamente minha. Leila Boás /01 /2026
Pula a janela
Visualiza
no buraco da agulha
o vestido das linhas
Vê no espelho
a falta vazia
de ausência e solidão
Sente o que contagia
Mergulha
receptivo e aberto
à utopia
e e a razão brilha bela
A carga se esvazia
e a alma, liberta,
pula a janela
Linhas do teu rosto
Leveza dos instantes
Navego no horizonte do teu rosto
Abraço a singularidade dos teus traços
Rascunhos dos meus escritos
Significativo tecimento onde conduz minhas poesias.
As tuas linhas magnéticas
Me capturam a todo instante.
O teu abraço, de amor imantado,
Atrai todo o ferro de meu sangue,
Todo o sangue de meu corpo,
E todo o corpo do meu ser.
Linhas do teu toque
Linhas intensas
Navego no horizonte aconchegante
Significativo toque
Demasiado dos gestos
Atiras tuas demonstrações sobre minha pessoa.
Despi a minha alma, em meio à tempestade para me cobrir com o suor do teu corpo, em linhas finas e suaves das leis da gravidade, que reflectiam a silhueta prefeita do teu perfil, deixei-me embebedar pela doçura dos teus lábios que sussurravam suavemente o meu nome.
Escrevemos em linhas imperfeitas, para manifestarmos o desejo dos muitos humanos, que pretendem falar do seu coração, mas, não são ouvidos, pretendem traduzir a harmonia do seu sentimento, mas, não são tidos, nem achados.
Já percebeste que seu futuro brilha mais que teu medo?, hora essa que minhas linhas de queimação estão mais uma vez chamando a atenção.
“Nascemos como folhas em branco. Crescemos, e as tintas que preenchem nossas linhas não são iguais. Amadurecemos, arrancamos algumas páginas e reescrevemos outras. Morremos, e deixamos nossa história eternizada no livro da vida.”
O Último Relato de uma Alma Ausente
Se estas linhas te alcançam, entenda o meu fim:
Não é que o sopro cessou, ou que o sangue parou de correr,
É que o meu verdadeiro eu sucumbiu dentro de mim,
Cansado de tantas guerras que ninguém pôde ver.
Meus sentimentos partiram há muito tempo atrás, Deixando apenas um corpo oco, uma carapaça vã.
Onde existiu amor, hoje a desilusão é o que jaz,
Em uma mente atormentada que teme o amanhã.
Talvez eu tenha partido em doses de álcool e remédio,
Ou talvez tenha morrido no vácuo de uma escolha qualquer.
Nada faz sentido quando o mundo se torna esse tédio,
E o teu perfume é uma lembrança que o tempo quer varrer.
Tentei acreditar em uma salvação para a alma, Fui hipócrita ao buscar luz no meio do meu breu.
Mas o peso mental roubou de vez a minha calma,
E o que você lê agora já nem ao menos sou eu.
Morri da pior forma: em silêncio e na dúvida,
Sendo cinzas de um incêndio que ninguém tentou apagar.
Resta apenas esta sombra, solitária e desprovida,
De uma vida que se foi antes mesmo de o corpo parar.
Horizonte de Linhas Indecisas
Às vezes, me bate uma nostalgia retrô, poeticamente falando.
Uma vontade de cobrir meu corpo com as ondas do mar e ver meus olhos marejarem enquanto olho o céu, flutuando nas mãos profundas do oceano.
Meu horizonte é feito de linhas indecisas, mas, ainda assim, libertador.
Dá vontade de abrir as nuvens como se fossem um livro e dizer às gotas da chuva que, ao cair no mar, não me acordem.
Às vezes, essa nostalgia retrô me envolve, poeticamente…
Entretanto, há dias em que nem o céu nem o mar conseguem me animar.
O sentido da vida se desenha nas linhas da própria existência, evidente e descomplicado. Nessa simplicidade reside a chave para desvendar aquilo que não compreendemos e que muitas vezes nos envolve. Ao compreendermos que o sentido da vida é uma tela em branco, moldada pelo que desejamos, encontramos liberdade. Somos fragmentos do universo, testemunhas e participantes, numa contemplação mútua. Ao aceitar essa conexão, a vida se torna um convite para explorar infinitas possibilidades, um espelho refletindo a grandeza do cosmos em cada escolha. O sentido da vida é, afinal, o que decidimos fazer dela.
Boa noite amigo! É um grande prazer prá mim estar aqui lhe escrevendo essas linhas. A música raiz, essa sim, a verdadeira música raiz, mora em nossas almas de caipiras de verdade vindos lá da roça, e, com certeza, vai nos acompanhar até o último suspirar, como o fizeram vários antepassados nossos, tais como, Tonico e Tinoco, Zilo e Zalo; Vieira e Vieirinha; Zico e Zeca, etc.
Abraços fraternos.
Nas linhas incertas da vida eu voo como pássaro durante o verão, procurando lugar seguro para saciar minha sede. Se encontrar abrigo, ali me alojarei. Construirei meu castelo com galhos e folhas retiradas do chão, onde das árvores caem, no outono. No inverno fugirei do frio e na primavera voarei livre outra vez.
Minha mui estimada Isabel,
Rogo que recebais estas humildes linhas como íntima confidência de um coração já fatigado pelas agruras do destino e pelas aflições do espírito. Há muito percebo, com silenciosa dor, que minha companhia vos tem sido mais um peso que um consolo, mais um fardo que uma ventura. Tal percepção, cruel e incessante, lançou-me em profundíssima melancolia, da qual raras vezes encontrei alívio.
Nos pequenos gestos de vossa distância — no semblante que se desviava do meu, nos beijos concedidos com parcimônia, na frieza que lentamente se instalou entre nós — fui lendo, pouco a pouco, a sentença de meu próprio desalento. E assim, consumido pela tristeza e pela solidão, tornei-me sombra daquilo que outrora fui.
Todavia, se em algum momento falhei convosco, ou se minhas ações vos causaram mágoa e injustiça, suplico-vos humildemente o vosso perdão. Jamais houve em minha alma intenção de ferir aquela a quem dediquei o mais sincero e devotado amor. Reconheço minhas faltas com resignação cristã e aceito, sem queixa, o peso de minhas culpas.
Pois, ainda que os caminhos da vida nos conduzam por veredas distintas, levarei comigo a certeza de que vos amei com toda a força de meu espírito e com toda a fidelidade de meu coração.
Vosso, em eterna saudade e devoção.
A leitura constitui a estrutura do pensamento: ela projeta as linhas do saber alheio sobre o plano da nossa própria consciência, transmutando a informação estática em uma inteligência dinâmica capaz de redesenhar o próprio destino.
Dentro dessas linhas
Você chegou como um cometa,
iluminando um céu que eu já achava apagado.
Rasgou a rotina,
fez meu coração repensar seus próprios passos.
Dentro dessas linhas,
eu caminho sem pressa, sem medo,
absorvendo cada instante que você me oferece.
E pela primeira vez,
sem a necessidade de estar armado,
sinto que posso, enfim,
ser amado.
Mostrei meu mundo em tão pouco tempo,
cada esquina, cada pedaço de mim.
E você, sem reservas,
abriu o íntimo que antes era ferida —
e transformou silêncio em confiança.
Até quando nos desencontramos,
o destino fez questão de nos juntar depressa,
como se dissesse que não há fuga
quando duas linhas foram feitas
para correr lado a lado.
Vejo você no amanhã que sempre temi,
como calor nos meus dias nublados,
como ar leve nos dias ensolarados —
onde antes havia peso,
agora existe respiro.
Procuro você em mim
Te busco nas linhas do alcorão
Nos raios do luar
Na vastidão de estrelas
Em cada folha verde e seca
Em casa solo
Em cada raiz
Em cada planta
Em cada eu, dentro de você
Habita um nós.
