Lindo Corpo
A memória do corpo e da mente, passada, abria-me um leque imenso de perspectivas, de cenários sonhados pela criança que fui, que teimava em ser.
Em cada templo humano (corpo e vida), coexistem dois seres, um é jovem (a alma), e o outro é eterno (o espírito), a alma tende a atrair para si dores e perturbações, mas em tudo o espírito lhe faz sobressair.
Quanta ternura sinto em seu sorriso
Viso seu corpo, mas prezo o desejo em seu olhar
Desejo beijar sua boca e sentir suas delicias
Malicias me tocam e anseio te amar. Elias Torres
“Como a amo, quando a vejo, meu corpo inteiro estremece. Seu olhar ultrapassa todas as minhas barreiras e roubou mer coração.”
Hoje,
vou querer ver o mar...
banhar o meu corpo
com sua água salgada...
voltarei, assim,
calma e com
a alma adoçada.
É uma substância nova. Meu corpo está tão dependente que lateja na falta. É um gosto peculiar – algo como nuvem do céu. Explode como estrela: perfura e faz cócegas nos cantos da boca.
- uma substância única, que de longe sinto o cheiro quando se aproxima: você esbarrando desastrado nos cômodos da casa.
...é tanta alma para tão pouco espaço. Meu corpo muitas vezes faz descaso e não suporta essa minha vontade acelerada de viver.
ESPELHO
A criança corre movida pela energia que seu corpo emana
Sem perceber há uma nuvem escura em seu encalço ganhando força
Finalmente ela olha pra trás
Tardiamente ela olha pra trás
Amedrontada pelo tamanho da nuvem ela corre mais rápido
Em sua inocência atravessa o espelho
Não existe mais som
Não existe mais movimento
Somente o barulho ensurdecedor do silêncio
Seus olhos enxergam o movimento das pessoas
Mas as pessoas não a enxergam
Gritos e socos são inúteis diante da imensidão de vácuo
Cansada de lutar a criança chora
Chora lágrimas que não existem
Lágrimas que se transformam em chuva do outro lado
Chuva que se transforma em tempestade fora do espelho
Tempestade que invade a criança que agora abre os braços
Com olhos fechados ela implora para que um raio flamejante recaia sobre o espelho
Libertando-a em bola de fogo.
Eu acordei
eu acordei
sem pressa
o dia já tinha começado,
eu acordei
com o corpo disposto
e a mente em atraso,
eu acordei
tentando explicar
o que só deveria acontecer,
eu acordei
e o mundo não pediu
nenhuma definição,
eu acordei
vi o passado correndo,
eu acordei
senti o futuro escorrendo,
eu acordei
não esperei sentido
então eu andei,
eu andei
corri mais rápido
que minhas pernas,
eu andei
o fôlego ficou
pra trás,
eu andei
aprendi tarde
meu limite,
eu andei
achei que já tinha
me perdido,
eu andei
sem mapa
e funcionou,
eu andei
o caminho não sumiu
eu também não,
eu cheguei
não inteiro
mas suficiente,
eu acordei
sem pressa
o dia já tinha começado.
Hiperassociação mental
Estou sentada onde o corpo fica,
mas a mente não assinou presença.
Os olhos parecem beber o horizonte,
enquanto por dentro galáxias se atravessam
em disparada silenciosa,
sem pedir licença ao tempo.
Quem passa vê contemplação imóvel:
mar respirando, ondas ensaiando retornos.
Por dentro, porém, invento travessias,
pulo continentes num piscar de pensamento,
sou muitas versões em simultâneo,
todas nascidas do mesmo instante.
O céu acende um arco de cores improváveis,
o sol se despede em combustão delicada.
Minha cabeça corre descalça por ideias,
faz morada em imagens que não existiam
antes da luz tocar a água
e bagunçar meus sentidos.
Estou aqui, dizem os pés na areia.
Estou longe, responde algo sem endereço.
Essa fenda entre o agora e o devaneio
não dói, não cura, não explica:
é só o lugar onde a inspiração
me atravessa sem forma.
Talvez dissociar seja isso:
o mundo externo servindo de gatilho
para universos que nascem e morrem
no intervalo de uma onda.
E eu, quieta por fora,
mas construindo universos por dentro.
Madrugada
Na madrugada,
meus olhos não se fecham.
Deito —
o corpo cansado,
o dia ainda preso em mim.
Pés gelados.
Olhos marejados de saudade.
Solidão.
O sono vem pesado,
profundo,
mas breve.
Cinco minutos.
Desperto.
Solidão.
Os olhos se enchem outra vez.
A boca seca.
Levanto.
O silêncio da casa
é um vulto —
assusta,
me reprime,
a alma quase abandona o corpo.
Deito.
Levanto.
Deito.
Repetição.
A madrugada passa.
E nasce
um novo dia.
Envolvidos num som do corpo,
Luz vermelha piscando no quarto.
Promessas tortas no ouvido,
Esse amor já nasceu errado.
Mulher ordinária, olhar de pecado,
Jura que é santa de dia.
De noite vira tempestade,
Me perde, me acha, me vicia.
Diz que não presta, mas chama meu nome,
Finge juízo, mas quer confusão.
Entre o certo e o proibido,
Nosso erro vira paixão.
É pecado, é sujo, é gostoso demais
Se for errado, deixa errar em paz.
Mulher ordinária, rainha do caos,
No tribunal do amor nós dois somos réus.
Que falem de mim, que falem de você
Esse desejo não sabe obedecer.
Se o inferno é quente, então tanto faz,
Eu peco sorrindo e volto outra vez.
Beijo com gosto de perigo,
Riso debochado no ar.
Você me chama de louco,
Mas não consegue me largar.
Coração sem documento,
Esse romance é contrabando.
Quando o povo aponta o dedo,
A gente tá se procurando.
É pecado, é sujo, é gostoso demais
Se for errado, deixa errar em paz…
Final
Entre pecados vergonhosos e prazer clandestino,
Você é meu erro favorito,
E eu assumo meu destino.
Uma mulher quando está apaixonada por um homem, ela dá a ele o seu corpo, mas, não se iludam, pois um homem quando está apaixonado por uma mulher, ele dá um lar a ela.
Isso talvez explique a pequena durabilidade dos relacionamentos atualmente.
A maior intimidade não é o corpo.
O corpo qualquer um alcança.
Intimidade é quando eu escuto
o que você nunca disse em voz alta.
Quando eu entendo teus silêncios
antes das tuas palavras.
É ficar.
Mesmo quando você se esconde.
É perceber teu medo disfarçado de riso,
tua força cansada de lutar sozinha,
e ainda assim… não ir embora.
A roupa cai fácil.
A máscara também.
Mas a alma…
só se entrega
a quem sustenta o peso dela.
E quando isso acontece,
não é barulho,
é presença.
Não é pressa,
é domínio tranquilo.
Isso não se encontra.
Se reconhece.
A distância, meu amor, é só um nome frio,
Um mapa inútil, um cruel vazio.
Entre o meu corpo e o teu, um mar imenso existe,
E a saudade, em meu peito, teimosamente insiste.
Cada noite que cai, é um punhal de pranto,
Sinto a falta do teu cheiro, do teu doce encanto.
Mas juro, com a dor que me rasga a alma inteira,
Que este amor é chama, e a distância é só a fogueira.
Não há léguas que quebrem este nosso laço,
Pois te carrego na pele, no sonho, no abraço
Que só a lembrança permite. Não te aflijas, meu bem,
A distância só prova o tamanho que o amor tem.
Tem gente que aquece com o olhar, com as mãos, com o corpo, com as palavras, com abraço, com amor, com ternura.
Gente que é chama intensa, aquecendo sempre o coração da gente.
╰☆╮
FranXimenes
14*08*2013
