Limpar a Casa
Nossa casa sempre foi formada pelos mesmos tijolos e nunca caiu, assim também somos nós, formados por princípios que não nos deixa ruir
O maior milagre é a vida! Existe um lugar mais cotidiano do que nosso lar, nossa terra? Quando fugimos do ordinário e ficamos procurando o extraordinário estamos na verdade fugindo de nós mesmos, do que somos e da nossa origem. Fugir de um lugar, de nossa casa, do dia a dia é ficar preso em um ciclo de fugas. Corremos dos problemas, quando em verdade eles estão ao nosso lado no caminho da fuga. Negar as origens é negar o que somos.
Antes de sair de casa aprendi a ladainha...
Se em Deus confio...
A ele entrego minha vida...
Enquanto na rua saio...
Querendo viver...
Fique você em casa...
Esperando sua hora de morrer...
Vou beber...
Jogar conversa fora...
Somente Deus sabe de minha hora...
Quero muito divertir..
Beber...
Conversar ...
Sorrir...
Enquanto você fica aí...
Por favor não me critique...
Esse é meu modo de saber...
Enquanto eu saio ..
Me divirto...
Fique em casa você...
A vida é só uma...
Para ela dou valor...
Deus que me abençoe...
Assim que sou...
Não sou homem...
De me dizerem o que tenho que fazer...
Não sou asno para me montar...
Eterno não vou ser...
Lhe respeito seu modo de pensar...
Afirmo...
Fique em casa você...
Meu coração é bem grande...
Vou amar....
Enquanto puder...
Sandro Paschoal Nogueira
#UM #DIA #DE #GAROA
Lá fora...
O céu chora...
Se é de alegria ou de tristeza...
Não posso dizer...
Vejo o balanço das horas...
E o que me acontece...
O que agora...
Há de ser...
A bocejar...
Um sol em dia nublado...
Garoa...
Frio...
Aqui está...
Não estou tão sozinho...
Sim, eu vejo...
Em meu jardim...
Ali molhado...
Um anjo solitário...
Com um sorriso me convida para brincar...
Diz com seus olhos...
A vida é bela...
Vem comigo festejar...
Um retrato na parede...
Olha para mim...
Sorrindo diz:
- Vai sim...
Olho para o jardim de cá...
Breve brisa chega...
Minhas flores bailando...
Me convidam,também, para esse encanto...
Me chamam para com elas...
Também dançar...
Trinca-ferro, canarinhos, sábias...
Fazem festa no canteiro...
Doces trinados...
A orquestra...
O pardal é o maestro...
Minha rosa tão linda...
Me oferece seu perfume...
Até o meu cravo...
Esqueceu seu queixume...
A flor-de-liz me diz...
Que hoje é um único dia...
Já não mais repetirá...
Essa fantasia...
Dálias e hibiscus...
Entrelaçam seus galhos...
No balanço do vento...
Amam-se em compassos...
Lírios e jasmins...
Todos orvalhados...
Festejam a dança...
Do bem-te-vi...
Nem sempre os dias mais belos...
São aqueles de azul intenso...
Eu já amo...
Qualquer variedade no tempo...
E o anjo que continua a me sorrir...
Já me estende a mão...
Aceito seu convite...
Suas asas vão me cobrir...
A fonte, num sussurro...
Desvenda um segredo...
Diz que o amor é eterno...
Para quem tem o coração sincero...
Então, tal qual menino...
Pisando nos astros ...
Em firmamento...
Vou bailando...
Me entrego...
Ao sabor do vento...
Eternos momentos...
E o dia fica mais lindo...
Tudo mais belo....
Em minha casa...
Meu jardim...
Meu castelo...
Sandro Paschoal Nogueira
Apareceu aqui na Pousada Casa do Sandrinho Hospedagem Conservatória
É a primeira vez...
Que assim eu vejo...
Um Alma-de-gato...
Alma-de-caboclo...
Tão bonito...
Aqui apareceu...
Tal qual Alma-perdida...
Meia-pataca...
Uma Maria-caraíba...
De Pato-pataca...
Com Rabo-de-palha...
Cheio de Picumã...
Queria Oraca...
Prestei atenção...
No Rabo-de-escrivão...
Fazendo Piá-ribolanga...
Fazendo Crocoió...
Com meu Chincoã...
Será que era de algum clã?
Pecuã...
Uirapagé...
Feliz da vida...
Comendo inseto...
Em meu pé...
Fiquei quietinho...
Bem espertinho...
Tirando foto do Atinguaçu...
Que de galho em galho pulava..
Um Titicuã...
Procurando Atibaçu...
Não encontrou o Coã...
Não cantou o Tincoã...
Só me restou o Atingaú...
No pedaço de pau...
Solitário afinal...
Sandro Paschoal Nogueira
Rasgos
Por que me rasga pedindo gentileza?
O belo se foi, transbordou e ardeu...
Sabes que sempre fui sonhador e amante...
Agora sou silencio de uma casa vazia cortada pelo vento...
Resquícios do que um dia foram...
Marcas ficam, e são elas que nos batizam...
Quando visito meu passado, recordo que já amei demais...
Embora me esqueça de mim mesmo...
Sandro Paschoal Nogueira
#CANTIGA
Cenas retratam flagrantes da vida...
Tecendo o tempo...
Desatinos vão se completando...
E assim vamos seguindo...
Ano após ano...
Em olhar meio de lado...
Vez ou outra escuto no bar...
Papo furado...
E com esse enredo...
Cheio de cantos...
Sem culpa e sem arrependimento...
Apenas...
Vivendo...
Da insônia madrugada a fora...
Entre um copo e outro...
Vou jogando conversa fora...
Em tudo que aspiro...
O nada vai levar a nada...
Amanhã, talvez...
Possa esquecer alguma história mau contada...
Sem hora marcada...
Sei que tenho que voltar logo para casa...
Os abraços recebidos...
Nem de todos amigos...
Completaram a lacuna vazia ?
Entoaram alguma cantiga?
Fantasio e invento absurdos...
No que não existe faço acontecer...
Entre bocas ocas...
A conversa fiada me rende...
Sob a lua cheia...
Já tonto...
Me finjo acreditar que isso é viver...
Sandro Paschoal Nogueira
#Cada #começo #é #só #uma #continuação...
Ao mesmo tempo...
No espaço pronto...
Para eternidade...
Falta pouco...
Para conseguir o que quer...
Em águas rasas...
Ou profundas...
Ao mergulhar...
É bom conhecer...
Também é bom ser visto em diversos lugares...
Em casa ou nas ruas...
Até caminhos se encontrarem...
Nesse mundo, afinal, dá para viver?
Quem me colocou aqui?
Por ordem e vontade de quem este lugar e este tempo foram destinados a mim?
Silêncio eterno...
Me apavora....
Quando penso sobre a curta duração de minha vida...
Sempre me pergunto:
Valeu ser vivida?
Valeu sim...
Sempre vale...
Assim é...
Sandro Paschoal Nogueira
#Vida #triste #é #a #minha...
Que hoje vou contar...
Desde quando aurora anuncia...
O dia a começar...
Passam os minutos...
Seguem as horas...
Sob céu azul anil...
Olho as nuvens e me ponho a sonhar...
Em tardes douradas...
A primeira estrela que vejo...
Sonho mais alto ainda...
E faço um desejo...
A rotina tão maçante...
Das flores do jardim cuidar...
Alimentar as aves...
Que gorjeiam em toda minha casa...
Em todo lugar...
O perfume de manjericão me inebria...
Disputa com o alecrim...
As orquídeas se abrindo...
Também se comportam assim...
O girassol despeitado...
Meu brilho quer roubar...
Sempre é ele o primeiro...
O sol a cumprimentar...
As rosas soberbas...
Acreditam serem rainhas...
Coitadas delas...
Vaidosas aos extremos...
Acho que vou cortar...
Só escolher um vaso...
E minha mesa enfeitar...
Se deito na rede e me ponho a balançar...
Logo aparece um sabiá...
Fazendo-se de louco...
Começa a cantar...
Quer atrapalhar meu sono...
Até meu meditar...
Beia-flores me importunan o tempo inteiro...
De lá para cá...
Não se cansam eles de tanto voar?
Quero ler um pouco...
Bem sossegado na sombra...
Sento debaixo da jabuticabeira...
E dezenas de pássaros põe-se a reclamar...
Gorjeios, trinados irritantes...
Ah se pego só uma fruta do meu quintal...
Revolução se instaura...
Até o jacú feio...
De mim vem reclamar...
Não sei mais o que fazer ...
Como devo proceder...
Vou comer um pouquinho...
E disso tudo me esconder...
Trancar portão...
Campainha desligar...
Tirar fone do gancho...
Celular "não pertubar".
Sandro Paschoal Nogueira
— em Conservatória, Rio De Janeiro, Brazil.
Pesquisas feitas por mim concluem que 90% dos
homens que chegam em
casa tarde na sexta-feira,
falam que estavam no
trabalho, os outros 10%
seguem foragidos"
"O amor é como um
pássaro, por suas asas.
As vezes voa pra la, voa
pra cá, e depois volta
pra casa."
