Levantar
A queda é golpe da vida, mas levantar é o passo que desafia a gravidade, a dança brutal que nunca cessa.
A fé que carrego é prática, não espetáculo, ela traduz-se em levantar e refazer, é ação silenciosa e persistente.
A coragem, às vezes, é apenas levantar o lençol. Encarar a madrugada com o corpo nu de expectativas. Reconhecer o medo como companheiro e não como carrasco. E, no degrau mais baixo, abrir a janela para o vento. Porque o vento passa e limpa o excesso de nós.
Perdão não é gesto fácil: é levantar a cadeira do chão e colocar de volta. É reconhecimento, trabalho suado, uma paciência que dói. Quando perdoo, não apago cicatrizes, aprendo o ofício de conviver
com elas, transformo o passado em instrução
e não em cela.
Os dias ruins ensinam a valorizar os passos pequenos. Levantar da cama já se transforma em vitória. Talvez a grandeza da vida resida nesses mínimos. Somá-los é construir um caminho inteiro. E no final, ele será o suficiente.
Às vezes, o maior ato de bravura é simplesmente levantar da cama e enfrentar o espelho, sabendo que o reflexo será o de alguém que perdeu mais uma batalha para a própria mente. Vencer o dia por pontos é tão digno quanto vencê-lo por nocaute.
Ser forte nunca foi sobre não cair, mas sobre levantar com o coração em pedaços e ainda assim acreditar que vale a pena continuar tentando.
Existe uma coragem que o mundo não vê, que reside no ato de levantar todos os dias sem saber se o sol brilhará para nós, mas indo ao encontro dele de qualquer maneira. O progresso, muitas vezes, é invisível aos olhos apressados, ele se manifesta nas pequenas decisões de não se render à apatia. Não sou feito apenas de acertos, sou um mosaico de tentativas frustradas e recomeços audazes que me tornam alguém real em meio a tantas máscaras de gesso.
- Tiago Scheimann
Isso não é sorte, isso é resistência
É levantar todo dia contra a própria consciência
Que tenta te puxar, te fazer desacreditar
Mas hoje cê levanta e decide lutar
O AMANHÃ NÃO ESTÁ PRONTO
WILLIAM CONTRAPONTO
Não basta levantar cidades ao chão,
se há vidas sem portas para atravessar,
não basta prometer alguma transformação,
se o povo continua sem lugar.
Um país não começa na bandeira,
nem termina no discurso oficial,
começa quando a vida verdadeira
deixa de ser tratada como detalhe banal.
Que a escola ensine a pensar sem tutela,
que a ciência não conheça um patrão,
que o jovem possa escolher sua janela
sem depender do acaso ou da posição.
Que a casa seja mais que quatro paredes,
que a saúde não dependa da sorte,
que ninguém tenha de carregar suas redes
como quem procura sozinho o próprio norte.
Que os trilhos atravessem as distâncias,
levando gente, trabalho e direção,
que a indústria transforme nossas esperanças
em conhecimento, emprego e produção.
Que a terra produza sem ferir a floresta,
que o campo tenha futuro e dignidade,
que o progresso não cobre uma dívida desonesta
daqueles que sustentam a sociedade.
E se houver riqueza escondida no chão,
que ela não termine apenas em dinheiro:
que vire escola, pesquisa e profissão,
que deixe conhecimento no país inteiro.
Não quero uma pátria feita de unanimidade,
onde discordar seja considerado traição;
quero uma democracia com liberdade
para a pergunta, a crítica e a contestação.
Porque ouvir não significa concordar,
e vencer não significa ter sempre razão;
às vezes é preciso perder para escutar
aquilo que faltou à nossa decisão.
Que o governo saiba também se questionar,
que o poder não se confunda com verdade,
que o povo possa entrar, falar e participar
sem pedir licença à autoridade.
Se o orçamento nasce da população,
que volte à população em forma de ação;
não quero promessa vestida de eleição,
quero palavra transformada em realização.
Talvez nenhum projeto alcance a perfeição,
talvez todo caminho carregue algum erro;
mas um país que aceita a correção
já começa a vencer o próprio medo.
Não somos o futuro que alguém desenhou,
nem o passado que insiste em permanecer;
somos aquilo que ainda não se completou,
somos a pergunta que escolheu viver.
Amanhã não pertence ao poder,
nem nasce pronto na mão de alguém;
é escolha de quem decide fazer
do próprio caminho, um caminho também.
Um olhar pode dizer tudo
sem levantar a voz.
Pode ser abrigo
ou aviso.
Pode ficar
quando o corpo vai embora.
Carrega promessas que nunca foram ditas
e verdades que a boca não sustenta.
Um olhar confessa medo, desejo, despedida.
Entrega amor sem pedir resposta.
Às vezes, é só isso que sobra.
E às vezes, é tudo.
Rosa
A rosa lembra aquela mulher que carrega intensidade sem precisar levantar a voz. Sua presença não passa despercebida. Existe delicadeza em seus gestos, mas também uma força silenciosa que poucos conseguem compreender de verdade.
Ela não floresce para agradar ninguém. Abre suas pétalas no próprio tempo, respeitando seus ciclos, suas dores e suas conquistas. Quem a conhece apenas pela beleza vê apenas a superfície. Quem permanece, descobre raízes profundas, coragem e uma sensibilidade rara.
Ama com verdade, protege quem considera importante e dificilmente esquece aquilo que marcou seu coração. Pode parecer suave, mas sabe se defender quando necessário. Afinal, toda rosa tem pétalas encantadoras, mas também espinhos que ensinam respeito.
Sua essência é feita de paixão, lealdade e autenticidade. Não busca ser a mais admirada do jardim. Apenas continua florescendo, e é justamente por isso que se torna inesquecível.
Rosa é o símbolo da mulher que transforma sentimentos em força e delicadeza em poder.
Lucci Santz 🌹
