Lamento pela Morte de um Ente Querido
"Até hoje, meu caro amigo, vivo por alguém que não se abalaria por minha morte.
Até hoje, tento ser, da rainha de minha vida, o consorte.
Certa vez, li que era possível morrer de amor, sem saber o nome do sujeito, o invejei, que sorte.
Viver amando, sem ter quem se ama, é maldição, é sobreviver na fraqueza tentando ser forte.
Venha, sente-se, leia-me, escute-me, me ame, me note.
Da sua ausência, indiferença, já noto cada recorte.
Se quiseres ou se tiveres que ir, vá; mas, por favor, rogo que não volte.
Não me implore, não chore.
Não peça perdão, viva na solidão, seja feliz na sua indiferença, seu esporte.
Encontre seu rumo, ache seu norte.
Me perdi, tentando viver por alguém que, de bom grado, desejara a minha morte..."
"Se você tem medo de ser atropelado, teme a morte; mas se não tem medo de ser atropelado, não a teme."
Querer saber como será o primeiro dia após a sua morte é uma curiosidade. Saber como será o primeiro dia após o seu aniversário é uma dádiva.
Vi irmãos zombadores, espertos e ignorantes, menosprezando outros mais experientes, porém a morte os levaram mais cedo, porque suas carnes eram cobaias das trevas.
A morte é o encontro de todas as pessoas, com seus costumes, valores e tradições, onde suas diferenças
se anulam diante da mesma situação.
E pelo caminho, me encontrei com a morte.
E diferente do que temia, sua companhia me foi a melhor da vida.
Lado a lado, caminhamos e conversamos, e sobre a vida tivemos uma opinião em comum.
"A morte, sedutora para alguns, temida por outros, porém sempre mal compreendida. A vida, implacável, sempre escrava de si mesma."
...
E em uma bifurcação, novamente nos separamos.
Apesar de todo fim, ainda me resta uma vida para se viver.
Regras são o destino dos
que a sociedade
renegou.
Corroborar com o mundo é oferecer-se
à morte,
como quem se entrega ao náufrago
em tempestades.
Na dança da vida, a morte é traiçoeira,
Surge sem aviso, sombria companheira.
Em dois velórios, dois diferentes cenários,
A dor, um elo entre tempos adversários.
Uma senhora de idade, 85 anos serenos,
Viveu sua jornada, partiu desse terreno.
Mas a dor entre os familiares é lógico que ainda persiste,
O vazio, a despedida, ninguém resiste.
No segundo cenário, a mãe da jovem, com 25 primaveras,
Grita alto, e, sua voz enche as esferas.
"Minha companheira", ecoa a aflição,
Um lamento que corta o coração.
Ao consolar, damos força e calor,
Abraços que acalmam a dor, o temor.
Mas no ir e vir, entre o consolar e o vencer,
Vejo o ciclo da vida se perder.
Pessoas focadas em metas diárias,
Enquanto a empatia se perde em rotinas diárias.
No caminho para consolar, a solidariedade se esquiva,
Entre a dor real e a busca incessante de uma vida ativa.
Escrevo, pois a alma chora em versos,
A dor,
o luto,
entre risos dispersos.
Execute a sentença de morte sobre seus pensamentos negativos, antes que a morte execute a sentença de sua vida.
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