Lamento pela Morte de um Ente Querido
Existem pessoas que nasceram sem o dom de amar! Um gesto de carinho é visto como algo estranho e incompreensível!
Um capitão morreu pela liberdade, o chamam de desertor. O outro apoia o golpe e prega a ditadura; o chamam de mito!
Um homem que tenha sido detido para responder por um crime pode ficar na prisão por um tempo que pode chegar a um ou dois anos. Quando finalmente é dado como culpado e condenado, talvez possa ser libertado imediatamente, uma vez que já cumpriu quase toda sua pena. É claro que, se provada sua inocência, ninguém pode lhe restituir os anos que perdeu na cadeia.
Velho Amigo Pirata
Olhares voltados para um só lugar
Lugar que não se vê, mas existe
Que quando sonhado
Inspira menosprezar o próprio mar
E quanto encontrar tal Perola e toca-la
Momento se tornará musica, sem nota ou cifra!.
Contudo, velho amigo pirata
Já sinto as cordas frouxas e velas enfraquecidas
Espero desacordado, anestesiado pelas ondas
Desesperadamente calmo não conto mais os dias
Minha pele está ferida, rala e branca
E em minha mente, são raras tais lembranças...
O sentido de respirar que me hesitava já não existia
A derivação do espaço, era por algo que já não entendia
E eram tantos os dias, que simplesmente sorri, por algo que realmente sabia
Morri em busca da minha própria morte.
“Os ventos que atingem o foco do olhar,
São os mesmos que dizem quando parar.”
Ao reparar a chuva sobre meu rosto eu concebi a eternidade; denotei o infinito como pedaço de um instante.
Meu corpo,é um santuário.É o meu mundo!
Sendo meu mundo, sigo minhas regras!
Minhas regras:Tatuar meu corpo!
A diferença entre um culto evangélico e uma parada gay, é que na parada gay Jesus está se divertindo.
A religião nada mais é do que a projeção de um pai idealizado, já dizia Freud, logo isso explica o apego a um Deus.
Se você tratar a mulher como trata um homem, é considerado misógino; se tentar tratá-la com cavalheirismo e provisão, é chamado de machista.
Em 1953, próximo à minha casa, montaram um acampamento de uma empresa que estava asfaltando a rodovia. Havia várias casas. Umas mais simples e outras um pouco melhores, destinadas aos engenheiros, eu acho.
Como qualquer moleque da minha idade, uns seis ou sete anos, eu me maravilhava com aquele vai e vem de máquinas fazendo estrada e jogando aquela mistura de pedras que depois era coberta com piche, deixando no ar aquele cheiro de óleo diesel. O dia era curto.
Uma noite acordei com minha mãe me chamando. Estava pegando fogo em uma das casas do acampamento. Como era uma construção bem simples, com cobertura de sapé, queimou muito rápido.
Na manhã seguinte encontrei várias garrafas derretidas, parecendo figuras de bichos. Guardei algumas como relíquias. Eu tinha um esconderijo, uma espécie de caverna, que ficava debaixo do assoalho da nossa casa. Ali ficavam meus tesouros: estilingue, pião, faquinhas feitas de serra, bolinhas de gude, um canivete corneta — coisa rara —, algumas pedras coloridas e, agora, os vidros com aspecto de bichos.
Eu dividia o tempo em duas partes: de manhã ficava vendo as máquinas trabalharem e, à tarde, fuçando pelo acampamento, subindo e descendo nas máquinas quebradas, imaginando-me operando aqueles monstros.
Vez ou outra eu dava uma inspecionada nas casas dos engenheiros. Numa dessas fuçadas, achei uma casa com a janela da cozinha aberta e, como não podia deixar de ser, olhei para dentro. Sobre a mesa havia uma lata de abacaxi. Uma coisa inimaginável para o poder aquisitivo da nossa família.
Afastei-me rapidamente dali, mas algo me puxava de volta. Entre idas e vindas, numa das voltas pulei a janela e levei a lata de abacaxi, que, por um dia, passou a fazer parte do meu tesouro.
No dia seguinte, aquela máxima de que o criminoso sempre volta ao local do crime entrou em ação, e lá estava eu observando o movimento. Tudo calmo. Nada de anormal. A janela continuava aberta e, no lugar da ex-lata, havia um vasinho com flores.
Esperei mais um dia para dar fim àquela tentação. Tive que dividir uma boa parte com as formigas, mas faz parte. Dei cabo da lata e voltei a ver as máquinas que comiam e vomitavam terra.
Confessei-me alguns anos depois. Fiz um combo de pecados e entreguei tudo nas mãos do padre. Aquelas mesmas mãos que um dia eu havia beijado com a boca cheia de manga.
Claro que esse pecado não foi o maior. Mas ele só perdia para os das figurinhas.
O único trecho em que eu pensaria em mexer mais é o final. A frase "Mas ele só perdia para os das figurinhas" é boa, mas quem não leu suas outras histórias talvez não entenda a referência. Por outro lado, justamente por ser uma referência interna ao seu universo de memórias, ela tem muito charme. Eu provavelmente a manteria exatamente assim.
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