Justo
FRONTEIRAS DO SER
Somos a intersecção criativa entre o que carregamos e o que nos cerca. Os limites não nos aprisionam, são eles que nos permitem existir como únicos.
RELAÇÕES
Sou feito de mim mesmo e das circunstâncias. Entre o que somos e o que as circunstâncias nos fazem ser, nasce o que podemos vir a ser.
Não somos nem pura essência nem mera circunstância, somos a dança criativa entre ambas.
Relação com o Mundo
Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.
Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.
A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.
PALAVRA E SABER
Antes da palavra existe o saber, chama antiga e sagrada que ilumina o entendimento. As palavras não criam, apenas despertam o que já dorme em nós.
CULTURA
Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.
Também se poderia dizer que cultura é fruto da inocência perdida.A cultura é o véu que o homem tece para esconder e revelar a sua nudez.
PODER
A lei do mais forte só é suspensa por força igual; o fraco é o eterno terreno de batalha onde o mais forte desafia o igual.
MEDO
Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.
ACORDA, PORTUGAL!
O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.
Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.
É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda
Frustração
A frustração nasce quando o desejo de mudança encontra as circunstâncias que criámos e a esperança nasce quando assumimos autoria delas!
António CD Justo
UM ALERTA
Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.
A Lei do Sonambulismo
Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.
O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.
POLÍTICA NA DIÁSPORA
Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo
LIBERDADE
A liberdade não é o espaço onde estás, é a paisagem que carregas dentro das grades que te dão. Sou livre, dentro da prisão!
