Justo
PALAVRA E SABER
Antes da palavra existe o saber, chama antiga e sagrada que ilumina o entendimento. As palavras não criam, apenas despertam o que já dorme em nós.
CULTURA
Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.
Também se poderia dizer que cultura é fruto da inocência perdida.A cultura é o véu que o homem tece para esconder e revelar a sua nudez.
PODER
A lei do mais forte só é suspensa por força igual; o fraco é o eterno terreno de batalha onde o mais forte desafia o igual.
MEDO
Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.
ACORDA, PORTUGAL!
O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.
Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.
É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda
Frustração
A frustração nasce quando o desejo de mudança encontra as circunstâncias que criámos e a esperança nasce quando assumimos autoria delas!
António CD Justo
UM ALERTA
Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.
A Lei do Sonambulismo
Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.
O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.
POLÍTICA NA DIÁSPORA
Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo
Aquele que sonha com a paz pra ver se dorme no mar da guerra , aquele guerreiro de fé que nunca gela , o rei dos reis foi traído e sangrou nessa terra mas morrer como um homem é o prêmio da guerra , mais ó , conforme for se precisar afogar o próprio sangue , assim será , nosso espírito é imortal , sangue do meu sangue , entre o corte da espada e o perfume da rosa , sem menção ao rosa , sem massagem , a vida é loka , e nela eu só to de passagem !
Senhor lembra de mim.
Quando entrares no teu Reino,
Senhor lembra de mim.
Quando tuas ovelhas contar ai vai ver que tem uma no fundo do poço pedindo socorro, aí tu vais vir.
Senhor lembra de mim.
Não seja escravo do futuro e viva o presente como se fosse o ultimo vida, pós o paçado é história, o presente é uma dadiva o futuro é inprevisivel.
Você sabe que sinto saudade,
é verdade.
Depois de tudo não há como negar,
Que os sonhos falsos que você me deu,
tornaram-se tão reais quando você se foi
do que quando estava aqui.
E pensar que me amava,
que cuidava de mim.
— Amor eu não te amei em vão,
meu amor é passageiro, inconstante,
sem rotineiros horários.
Deixar-te me doeu,
amar-me lhe doeu,
e com essa dor você vai seguir,
esquecer de mim, rir no futuro
e trocar meu nome por paixão.
Se você ao menos me entendesse.
— Se você ao menos me entendesse.
— Eu sei que não entende.
— Eu sei que não entende.
— E como irei explicar?
— E como irei explicar?
— Que eu te amo, mas não quero.
— Que você não quer, mas eu te amo.
— Eu vejo que você me ama.
— Eu vejo que você não me quer.
— Mas não pode amar alguém que não te quer.
— Não pode amar alguém que você não quer.
— Talvez eu tenha vergonha de admitir e te machucar.
— Talvez esteja confusa.
— E quando te contar lágrimas rolar.
— E precise pensar.
— Que eu te amo demais para te amar.
— E eu vou estar aqui a esperar.
— Espero não poder voltar.
— Para ver você voltar.
— Para dizer que não posso ficar.
— E olhares trocar, promessas de amor declarar,
sonhos falsos imaginar,
divertir-se em amar,
porque não desistirei não,
nada matará minha alma e enquanto ela respirar vou te amar.
— A coragem me foge quando me encara com a alma, vejo que me ama de verdade e não contesto essa vitória,
se possível viver sem ter que mata-lá eu viverei,
com ou sem você eu viverei,
mas não vou lhe ferir não.
Você nunca saberá o porque disso,
e é porque é amor,
demais para eu suportar.
