Justo

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⁠Relação com o Mundo




Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.

Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.

A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.

PARAÍSO

O Paraíso perde-se duas vezes: por quem o nega, e por quem o cerca de doutrinas.⁠

ESCRITURAS

As Escrituras são asas, quem as transforma em cova, expulsa-se do Éden.

PALAVRA E SABER

Antes da palavra existe o saber, chama antiga e sagrada que ilumina o entendimento. As palavras não criam, apenas despertam o que já dorme em nós.

CULTURA E INOCÊNCIA PERDIDA



Cultura é o manto com que o homem veste a sua nudez

CULTURA

Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.

Também se poderia dizer que cultura é fruto da inocência perdida.A cultura é o véu que o homem tece para esconder e revelar a sua nudez.

CULTURA

Cultura é o pano com que a humanidade cobre a sua nudez e borda nela os seus sonhos.

A verdade não se entrega pronta.
Ela precisa da dúvida para fazer de parteira.

AMIZADE




Amizade é o lugar onde Deus habita!

PODER






A lei do mais forte só é suspensa por força igual; o fraco é o eterno terreno de batalha onde o mais forte desafia o igual.




MEDO

Um povo com medo aceita quase tudo.
Um povo que pensa o seu medo torna-se perigoso
não para os outros, mas para quem vive do medo deles.

ACORDA, PORTUGAL!


O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.


Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.


É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda

Frustração

A frustração nasce quando o desejo de mudança encontra as circunstâncias que criámos e a esperança nasce quando assumimos autoria delas!
António CD Justo

UM ALERTA

Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.

A Lei do Sonambulismo

Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.

O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.

⁠ POLÍTICA NA DIÁSPORA

Não é de novos astros que precisa a astronomia política da emigração, mas da antiga gravidade da vergonha e do peso terrestre da responsabilidade.
António CD Justo

⁠LIBERDADE

A liberdade não é o espaço onde estás, é a paisagem que carregas dentro das grades que te dão. Sou livre, dentro da prisão!

ELEIÇÕES


Longe do centro do poder, o voto deixa de ecoar e começa finalmente a falar.




SOCIEDADE
Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do outro: o poder feito mito, o povo feito abstração, numa dança onde o alto e o baixo são dois movimentos do mesmo rio parado.